Os projectos que reforçam a redução de situações vulneráveis da seca e a desertificação em Angola estão condicionados pela falta de financiamento, afirmou o chefe do Departamento de Seca e Desertificação do Gabinete de Alterações Climáticas do Ministério do Ambiente,
Luís Constantino.
Em declarações à Angop, em alusão ao Dia Mundial da Seca e Desertificação (17 de Junho), o responsável disse que têm o apoio assente no Fundo de Gestão do Ambiente (GEF), virado para a questão da degradação de terras, pelo que os efeitos da seca e desertificação ainda são visíveis no país.
Referiu que a falta de financiamento tem estado a dificultar o planeamento adequado e acelerado de mais projectos que podem reduzir os danos materiais e humanos, resultantes de desastres naturais.
Acrescentou que o projecto de Reabilitação de Terras e Gestão das áreas de Pastagem nos sistemas de produção agro-pastorís dos pequenos produtores no Sudoeste de Angola (RETESA), que teve início em 2014 e teve a duração de quatro anos, abrangendo áreas do Namibe, Huíla e Benguela, terminou em Abril do corrente ano.
Destacou igualmente o projecto denominado Integração da Resiliência Climática nos Sistemas de Produção Agrícola e Pastoril, que decorre desde 2016, através da gestão de fertilidade de solos das áreas vulneráveis, usando a abordagem das escolas
de Campo (IRCEA).
Realçou ser objectivo do projecto RETESA reforçar a capacidade do sector agro-pastoril dos pequenos produtores na mitigação do impacto dos processos de degradação do solo e a reabilitação das terras degradadas, através da integração de tecnologias de gestão e queimadas.
“No processo de fertilização de solos estão a ser usadas sensibilizações nas escolas, como utilizar métodos de campo e ensino de boas práticas de agricultura, na água, com furos em instalar motobombas, com técnicas
bem resultantes”, aferiu.
Esclareceu que têm estado a trabalhar de maneira transversal, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), na qualidade de agência implementadora do projecto, enquanto o Ministério da Agricultura e as províncias beneficiárias do projecto são parceiros de implementação.

Parcerias
Para a província do Cunene, reiterou que, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), tem trabalhado no projecto “Promoção do Desenvolvimento Resiliente ao Clima e Reforço da Capacidade de Adaptação para Suportar Riscos de Desastres na Bacia
Hidrográfica do rio Cuvelai”.
Apelou à população e todos os sectores na luta contra a desertificação e seca, um problema ambiental global com reflexos sociais impactáveis, com realce para a migração da população para os centros urbanos, gerando a pobreza, o
desemprego e a violência.
Segundo dados deste Ministério do Ambiente, a taxa de desflorestação tem flutuado desde 1990, com o aumento drástico desde 2000, sendo que Angola perdeu uma média de 124.800 hectares de floresta anualmente e aumentou de 2,1 por cento entre os anos de 2000 e 2005, tendo o país perdido um milhão e 872 mil hectares de floresta, o que representou 3,1 por cento da superfície florestal do país.