Depois de 34 anos, o comboio da Sociedade Nacional dos Caminhos-de-Ferro do Congo (SNCC), com 25 vagões carregado de 50 contentores, com 1.000 toneladas manganês, voltou a apitar, no dia 5 de Março, no município fronteiriço do Luau, província do Moxico.
A locomotiva que transportava minério vindo da região mineira de Kisenge, província de Lualabá, na República Democrática do Congo (RDC), já está no Lobito (Benguela) local do seu destino. Esteve presente no Porto Comercial desta cidade, o ministro dos Transportes, Augusto Tomás e o governador de Benguela, Rui Pinto de Andrade.
Quer no Luau, quer no Lobito, o ministro Augusto Tomás destacou o papel que o Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) pode desempenhar nesta fase de reinício do tráfego ferroviário internacional no CFB, interrompido em 1984.
Segundo afirmou o governante, através do CFB e de toda a rede de caminhos de ferro de Angola, consolida-se a unidade nacional e dá-se um contributo valioso para integração económica da região.
A empresa do Caminho de Ferro de Benguela retomou assim a circulação do tráfego internacional com o transporte de 25 vagões com 50 contentores de vinte pés, tendo no seu interior concentrado de manganês, com mil toneladas procedente da República Democrática do Congo (RDC).
O minério, que está a cargo da Sociedade Comercial de Kissengue Manganês, chegou ao Porto do Lobito por intermédio do CFB nos termos de um acordo de cooperação rubricado no ano passado entre a empresa pública angolana e a Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro do Congo (SNCC).
Augusto da Silva Tomás destacou que o Governo angolano fez um grande investimento na modernização e reabilitação de toda infra-estrutura do CFB, que beneficiou de novas locomotivas, no intuito de garantir maior eficácia na transportação de mercadorias e responder positivamente ao elevado número de solicitações de empresários que pretendem escoar os seus produtos nas regiões ricas em minério na RDC.
As obras envolveram a renovação e modernização total da via com 1.344 quilómetros de distância de linha férrea, reabilitação de pontes, construção de piadeiras, 66 estações ferroviários com destaque para 6 de primeira classe e 8 de segunda, reabilitação das antigas estações, instalações de novas linhas de comunicação e controlo e circulação.
Foi também reposto o material circulante nomeadamente requisição de 48 locomotivas novas, 95 carruagens, vagões, novas oficinas, novo centro de formação profissional moderno.
O ministro dos Transportes sublinhou que o CFB atravessa áreas de implantação de plataforma logística seja urbanas regionais e transfronteiriças, como esta prevista no município do Luau.
“A concretização de processo de reabilitação e modernização permitiu a ligação do porto marítimo do Lobito a toda vasta região de influência da linha do CFB e vai dar uma grande relevância à RDC e Zâmbia, sobretudo à vasta região de Koluezi, Catanga e Coberbelt onde a extração de mineiros como cobre, manganês e outros voltados para a exportação”, informou.

Mais desenvolvimento
Ministro dos Transportes da República Democrático do Congo, José Makila Sumanda, mostrou-se satisfeito pela ligação ferroviário entre os dois países, o que vai proporcionar mais desenvolvimento, através da exportação do manganês, a partir do porto do Lobito.
José Makila Sumanda disse que a transportação de mineiros passando por Angola oferece uma grande oportunidade ao Governo congolês, para o crescimento da indústria mineira, tendo em conta a “curta distância” entre Kisenge e Lobito, o que permitir alavancar a economia da RDC em curto tempo, possibilitando
um desenvolvimento integral.
Além de minérios, o ministro congolês disse que os dois países podem realizar outras parcerias que possibilitem os empresários a desenvolverem os seus negócios, com o objectivo de aumentar os impostos, bem como satisfazer as necessidades básicas dos dois povos, visto que Angola e RDC têm uma relação de muitos anos.
A província de Lualabá para além de possuir concentrado de manganes, tem ouro, mercúrio branco, diamante, cobalto e outros recursos minerais.

Empresários exploram mercado
Por sua vez, o empresário brasileiro Milton Carvalho que esteve presente na cerimónia oficial da chegada do comboio com minérios do SNCC, afirmou que a empresa Cimenfort, da qual é gestor, vai fazer um estudo de mercado na República Democrático Congo, para a possibilidade de comercializar Cimento naquele mercado.
Localizada em Benguela, a Cimenfort, afirmou está expectante com a reabertura do comboio que vai facilitar a ligação entre os dois países, sendo esta uma grande oportunidade para exportar o cimento para as províncias de Lualabá, Okatanga, Kassai, Matadi e outras localidades da República Democrático do Congo (RDC).
Adiantou que a empresa quer exportar o cimento através do CFB e com a empresa ferroviária da SNCC, o que vai facilitar e permitir contribuir para a economia dos dois países, “pagando impostos”.
Em 1974 o tráfego internacional era responsável por 90 por cento das receitas do CFB, com uma capacidade anual de transportacão de 10 milhões de toneladas.
A situação de guerra levou à paralisação do CFB. Ainda assim, o comboio circulou até 1992. A circulação na linha principal paralisou completamente em 1993.
O contrato de concessão entre o Governo português e o engenheiro britânico, especializado em minas, Robert Williams, para a construção e exploração do CFB, assinado a 28 de Novembro de 1902 por um período de 99 anos, terminou em 28 de Novembro de 2001. A partir dessa data o Estado angolano tomou posse plena do CFB.
O contrato de concessão entre o Governo português e o engenheiro britânico, especializado em minas, Robert Williams, para a construção e exploração do CFB, assinado a 28 de Novembro de 1902 por um período de 99 anos, terminou em 28 de Novembro de 2001. A partir dessa data o Estado angolano tomou posse plena do CFB.