O ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, procedeu, no passado domingo (10), a inauguração de sete estações ferroviárias, no troço Kuito (Bié)/Luena (Moxico), enquadradas no projecto de reabilitação e modernização do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB). Trata-se das estações de Cuemba, Savinguila, Munhango, Cangonga, Cavimbe,  Canguimbe e Cachipoque todas construídas e apetrechadas com equipamentos de ponta, que vão ajudar no funcionamento dos trabalhadores e acomodação condigna aos passageiros e mercadorias.

Ganhos
Para o ministro, este acto significa mais uma vitória, pois que, o Executivo continua a dar passos significativos na resolução dos problemas fundamentais das populações, no âmbito do programa estratégico. O governante explicou que o referido programa visa a correcção das assimetrias regionais entre o litoral e o interior do país, aproximar as populações, reforço da coesão social, económica e territorial, bem como a criação de mais empregos e a estabilidade política do país.

Por outro lado, Augusto da Silva Tomás avançou que estão em curso os trabalhos finais para a sua consolidação, para que a linha esteja operacional e que garanta segurança na circulação do comboio, cuja inauguração oficial acontecerá nos próximos meses.

Balanço
Segundo uma fonte da empresa ferroportuária, a que o JE teve acesso, a linha férrea que parte de Lobito (Benguela) já chegou ao Luau (Moxico), numa distância de 1.301 quilómetros, na fronteira com a República Democrática do Congo. O projecto incluiu a reactivação do traçado, reposição e redimensionamento de passagens hidráulicas e drenagens.

O processo de modernização do CFB iniciou em 2008, sob responsabilidade da empresa China Railway-20 (CR-20), tendo resultado na reconstrução de 32 pontes e na inauguração de várias estações ao longo da linha férrea, com realce para as estações de 1ª classe do Lobito, Benguela, Huambo, Kuito (Bié) e Luena (Moxico).  O projecto permitiu a reabertura à exploração comercial de passageiros e mercadorias numa extensão de 1.059 quilómetros de linha, correspondente aos troços Lobito/Benguela, Lobito/Huambo, Huambo/
/Kuito e Kuito/Luena.

Investimentos
Paralelamente ao processo de reabilitação em curso, o Executivo angolano adoptou um conjunto de acções que visam o relançamento da actividade ferroviária do CFB em toda a sua extensão. Destas acções destaca-se a aquisição de novo material circulante e a formação de recursos humanos.

Foi reforçada a frota de transporte do CFB, com um total de 168 veículos, através do contrato celebrado em 2010, entre o Ministério dos Transportes e a empresa CMEC da República Popular da China. Foram adquiridas 66 carruagens e 94 vagões de diversos tipos, além de locomotivas. No capítulo da formação profissional, a fonte destaca que 40 trabalhadores do CFB frequentaram cursos de especialidade ministrados na China, nas diversas áreas da actividade ferroviária, para o apoio à manutenção e assistência técnica, quer das infra-estruturas da via e do material circulante bem como na exploração da rede ferroviária. Deste número, 12 técnicos de carruagem, 10 técnicos de vagão e 20 técnicos de locomotiva.

Perspectivas
Prevê-se na segunda fase do projecto de reabilitação do CFB, a construção de uma linha com extensão de 324 quilómetros, ligando à localidade de Luacano à Jimbe, ambas na província do Moxico, fronteira com a Zâmbia. Com este ambicioso projecto, o Caminho-de-Ferro de Benguela proporcionará à República Democrática do Congo e à Zâmbia a mais rápida via de comunicação com a Europa e América. Dados indicam que a utilização do porto do Lobito, na costa ocidental, encurta a viagem marítima em cerca de 2.500 milhas, em comparação com as distâncias náuticas pelos portos da África Ocidental e do Sul.

Breve historial
A construção do caminho-de-ferro de Benguela teve início em 1903, sendo os primeiros contratos de construção adjudicadas à firma britânica Norton Griffiths and Co, plasmado num decreto assinado em 1902, pelo então Governo de Portugal, tendo celebrado com o senhor Robert Williams (nacionalidade britânica) um contrato de concessão para a construção e exploração de um porto e de uma linha ferroviária desde o Lobito até à fronteira oriental de Angola. A empresa denominava-se Companhia do Caminho-de-Ferro de Benguela SARL e tinha a sua sede social em Lisboa (Portugal). Cerca de 90 por cento do capital accionista era detido pela empresa Tanganyika Concessions, Ltd e os restantes 10 por cento do capital eram detidos pelo Estado português.     

A inauguração oficial da linha do CFB aconteceu em 1929. A conexão com a linha férrea do BCK (Socidade Nacional dos Caminhos-de-Ferro do Congo) na actual RDC foi formalizada em 1931 e em 1973 o CFB atingiu o valor máximo de transportação com mais de 3,2 mil milhões de toneladas incluindo 1,6 mil milhões de toneladas de tráfego internacional. O contrato de concessão do CFB atribuído à Companhia do Caminho-de-Ferro de Benguela SARL terminou em 2001. Em 2003, foi criada a empresa do Caminho-de-Ferro de Benguela EP que assumiu a titularidade do património do CFB.