O troço ferroviário Luanda/ Bengo/Kwanza-Norte/Malanje foi reaberto com a viagem inaugural na semana passada do comboio do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL), 18 anos depois da sua paralisação.

Nesta empreitada de reposição da linha, constituída por 479 quilómetros, incluindo os pequenos ramais, 27 estações e quatro pontes de grande dimensão, a locomotiva de 10 carruagens com capacidade para cerca de 400 passageiros vai fazer o percurso com duas viagens como frequência semanal, a partir do dia 13 do corrente.

Um comboio expresso (serviços personalizados), cujo bilhete vai custar dois mil kwanzas, o tramway (popularmente designado por rafeiro), com bilhete taxado em mil kwanzas, e um outro exclusivo para cargas, vão assegurar a funcionalidade das operações de viagens. A iniciativa está inserida no programa “Angoferro”, que visa ligar os três caminhos-de-ferro do país, nomeadamente os de Benguela (CFB), Moçâmedes (CFM) e o de Luanda (CFL), e vão facilitar a ligação com as vizinhas repúblicas do Congo Democrático, Zâmbia e Namíbia.

Para esta operação de reposição do comboio na via Luanda-Malanje, o sector investiu 600 milhões de dólares para a aquisição e aplicação de carris, carruagens, vagões e formação profissional dos trabalhadores. Outra nota de realce também recai para a criação de 400 postos de trabalho directos.

Estratégias

De acordo com o ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, que encabeçou a delegação que partiu de Luanda, o regresso do comboio insere-se também nas estratégias de combinação dos planos e programas sectoriais, uma vez que este importante meio de locomoção vai facilitar a ligação entre o campo e a cidade, e, por via disso, desenvolver a agricultura, facilitar as trocas comerciais, além da mobilidade de pessoas de um ponto para o outro.

“Para chegarmos até aqui, foi preciso mobilizarmos meios materiais e financeiros que pudessem facilitar a execução de tão grande obra que representa um marco na coesão social e económica do país, visando a diminuição das assimetrias regionais”, lembrou.

O governante lembrou também que o comboio vai permitir a ligação das populações do interior com as do litoral, além de aproximar o país todo, através de um meio de locomoção rápido, com preço acessível e bastante seguro.

Augusto da Silva Tomás afirmou, igualmente, que o comboio vai alterar de forma significativa os modelos de desenvolvimento desta parcela do território, à semelhança do que acontece com o corredor Leste do país.

Outra referência feita pelo ministro diz respeito ao desenvolvimento acelerado das actividades económicas, uma vez que o comboio poderá servir de excelente alternativa aos operadores de carga contentorizada, ou não, dos sectores da construção, minas, combustíveis e outros, garantindo-lhes menores custos e iguais resultados.

Comércio

Por seu lado, a ministra do Comércio, Idalina Valente, que integrou a comitiva, disse que o sector que dirige vai aproveitar a chegada do comboio no corredor Luanda-Malanje para concretizar os planos de melhoramento e reorganização das actividades comerciais entre o campo e a cidade e vice--versa, uma vez que este meio de transporte de pessoas e mercadorias se apresenta também como mecanismo de aumento dos rendimentos das famílias que poderão escoar a sua produção para outros pontos de maior consumo.

A titular do Comércio recordou que o país hoje não se depara com dificuldades de produção, mas em grande medida com as de escoamento e, consequentemente, a satisfação dos níveis de procura do mercado.

“Vamos aproveitar esta oferta do transporte para regularizar a rede de distribuição logística de toda a produção alimentar”, disse, tendo acrescentado que a ideia do seu sector não passa pela redução dos comerciantes, mas sim pela organização dos mercados, iliminando os aspectos de informalidade que grandemente se evidenciam nas trocas comerciais entre as populações, sobretudo do interior.O objectivo é criar-se uma cadeia comercial com abastecimento regular aos mercados e preços justos que garantam melhores oportunidades de rendimentos às familias e ao Estado em si.

Deste modo, e apoiado nesta oferta de transporte, o Ministério do Comércio pretende trabalhar no reforço da rede logística, identificação e construção de entrepostos de distribuição e reforço das parcerias público--privadas.

Agricultura

Já o ministro da Agricultura e das Pescas, Afonso Pedro Canga, outro integrante da delegação que partiu de Luanda, considerou o comboio um bem orientado às populações do campo que ganham, deste modo, a possibilidade de evacuar facilmente os seus produtos para outros pontos de venda essencialmente para a província de Luanda, considerada o grande centro comercial da produção interna.

Pedro Canga não deixou de referenciar os esforços do Executivo angolano na melhoria das condições das famílias e no desenvolvimento da produção agro-pecuária, sectores considerados basilares nos planos e programas de diversificação económica definidos pelo país.

“Os agricultores e produtores nacionais, particularmente do corredor Luanda-Malanje, ganham desta feita um meio de fácil transportação da sua produção”, considerou.

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