A estrada número 100 é a que conduz a Benguela. A terra das Acácias Rubras consta de entre as cidades mais visitadas de Angola. É igualmente passagem inevitável para os camionistas e demais comerciantes que buscam da Namíbia razões para manterem apetrechadas as prateleiras dos supermercados e outros pontos de venda de bens primeira necessidade assim como electrodomésticos, viaturas e entre outros. O principal ponto de escoamento é Luanda, onde os níveis consumistas são incomensuráveis. Não hajam dúvidas.
A abertura das vias rodoviárias criou mais oportunidades e tornou menos oneroso o custo da transportação de bens e beneficiou, até certo ponto, o comprador, o consumidor final que passou a pagar menos.
Além disto, casos ligados a tratamento médico encontram respota neste país vizinho. Porém, à luz das boas relações entre ambos, os dois cooperam num ambiente de boa reciprocidade, como se pode constatar dado ao grau de amizade e contiguidade.
Os factos demonstram que este intercâmbio ficará mais reforçado quando Angola aderir à zona de livre comércio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, ainda condicionada, conforme se assegura, à capacidade de produção nacional e à solução de outros problemas que ainda enfrentamos sob o ponto de vista económico.
Entretanto, assim é visível pois a forma como nascem os mercados à volta da estrada nacional em vários pontos, comercializando desde produtos do campo, carnes bovina, caprina, suína e até de caça, é indicativo da existência de défice de oportunidades e que é necessário que o desenvolvimento chegue rapidamente nestas zonas e permita à redução das assimetrias regionais. Deve-se incentivar cada vez mais à produção nacional e empenhar mais os investimentos públicos e privados e os serviços às áreas mais recônditas.
Enquanto este exercício do equilíbrio entre regiões avança, as populações mais carenciadas sob o ponto de vista das oportunidades e soluções de vida por via, grosso modo, da empregabilidade, estas exploram os recursos locais. Criam e recriam para fazer-se face às necessidades prementes.
É curioso reside em Porto Amboim onde os lugares de comércio se estendem pela estrada adentro. O viajante não subsiste à exposição de produto diverso. O porta-bagagem cheio simplifica o número de vezes de paragens para satisfazer-se da farta oferta local. Como muitos alegam, só perde quem opte por viajar à noite. Pois nas horas nocturnas não se é regalado com feijão e o óleo de palma da Canjala, a carne de caça do Culango, onde, testemunhamos, a perna de veado a 2.500 kzs, a exuberante fauna marinha do Sumbe e Porto Amboim e a carne bovina de Cacula.
Foi na Pinda (Porto Amboim) onde o jovem Francisco vendia uma jibóia. Algumas viaturas passavam indiferentes apesar de a pele reluzir com tanto brilho que quase debulhava os olhos. Houve quem parasse para contemplar o invulgar. E tirar foto.
Francisco tinha chegado há 15 minutos no local de venda daquela sexta-feira de sol preguiçoso. Já passavam das 14.07 e o astro parecia acabar de se levantar. Por detrás, nas montanhas, quais cordilheiras, estão casinhas de sapé agrupadas mas não se divisando vivalmas. Como ele, os seus vizinhos tinham todos ido à “zunga”.
4 mil pela jibóia. “Só não vendi até agora porque ainda não passou um chinês”, confessou. Corrigiu depois: “Não são só os chineses”… O estado do sol tornava a sombra fresca. O capim compassava lentamente. O meio circundante, com certeza, atraia os animais para uma boa soneca. “Nós temos técnicas de caçar as jibóias”, informou.
As mãos manchadas de sangue serviam para convencer de que o exótico animal acabava de ser abatido. É difícil descrever o incaracterístico. A ofidiofobia é tão denunciante ao ponto de, entre nós, bradar aos céus acreditar que serpentes preenchem cardápios. Há quem nem em imagens desafiam-nas. Entretanto, o que se pode inferir é que para sobreviver na estrada nacional número 100 tudo vale desde que a carne seja “tragável”. Uma paragem ao mercado do Rio Longa serve para colocar a cabeça a pensar enquanto o fumegar condimentado da carne provoca a vontade de comer.