A companhia alimentar de Malanje, (CAM), uma unidade fabril destinada ao processamento da mandioca para a produção da fuba de bombó e farinha torrada, instalada no pólo agro-industrial de Capanda, Malanje, vai atingir uma produção anual de 3.000 toneladas em 2017, para garantir a auto-suficiência alimentar das famílias angolanas.

Instalada numa área de 2.000 hectares, o empreendimento compõe uma unidade fabril, refeitório, área agrícola e de suporte que compõe residências para os técnicos e outros compartimentos.

A informação foi avançada naquela província, pelo director da CAM, Fernando Correia, durante o terceiro dia de campo, uma actividade desenvolvida pela Sodepac, que permitiu a troca de experiência entre técnicos de diferentes ramos da agricultura.

O responsável disse que o projecto visa contribuir para a auto-suficiência alimentar das famílias angolanas, medida que consta das “grandes prioridades” da sua companhia, por isso há necessidade de se aumentar a quantidade de produção, que actualmente ronda entre as 50.000 toneladas de fuba de bombó e farinha torrada.

Nas 3.000 toneladas a serem produzidas a partir de 2017, cerca de 95 por cento vai ser a fuba e 5 por cento farinha, porque a fuba de bombó consta dos alimentos mais consumidos pela família angolana, “daí que a fuba de bombo é a prioridade”.

A esta altura, prosseguiu Fernando Correia, estão em curso programas de desbravamento e expansão de terras, o que vai permitir que 1.500 hectares de mandioca sejam plantados até 2017.

Fernando Correia mostrou-se orgulhoso com o facto de a força de trabalho no local ser toda angolana num total de 180 jovens que foram formados em técnicas de processamento da mandioca até a produção da fuba e a farinha torrada.

O responsável realçou também a necessidade de se aumentar a força de trabalho sobretudo na área agrícola para a plantação e outras actividades de campo. “Quando atingirmos a plenitude de produção, vamos ter de aumentar a nossa força de trabalho, o que será um ganho para a província e o país em geral na geração de emprego”, afirmou.

Mais-valia
Em termos de mercado, o responsável da CAM salientou que, o aproveitamento hidroeléctrico do Laúca, tem sido o maior comprador da fuba de bombó e a farinha torrada.

Fernando Correia agradeceu ao Ministério do Comércio, através do programa de aquisição de produtos agropecuários (PAPAGRO), que também tem sido um dos grandes parceiros na aquisição de produtos da companhia alimentar de Malanje.

“Daqui em diante os esforços vão estar concentrados na procura de novos mercados para os nossos produtos, vamos tentar negociar com o Ministério do Interior e as Forças Armadas no sentido de serem também os nossos compradores”, referiu.

A produção de merenda escolar e retirada de outros derivados da mandioca, constam de entre os outros esforços que estão a ser empreendidos pela companhia alimentar de Malanje.

Investimentos
A falta de água potável e energia eléctrica, apontou Fernando Correia, como as dificuldades com que se debatem a companhia.
Orçado em cerca de 1,2 mil milhões de kwanzas (11 milhões de dólares americanos), a companhia alimentar de Malanje é uma iniciativa privada financiada pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e certificada pelo Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas.

No acto, o secretário de Estado da Agricultura, Amaro Tati, considerou a companhia alimentar de Malanje, uma verdadeira aposta na auto-suficiência alimentar e no processo de diversificação da economia nacional.

Amaro Tati agradeceu os responsáveis da companhia pelo esforço abnegado que fizeram para a concretização daquela grande infra-estrutura agro-industrial.

O secretário de Estado da Agricultura exortou aos demais empresários e investidores de diferentes áreas de actuação a virarem as suas atenções e investirem mais nos projectos agrícolas no sentido de se reduzir a importação.

Pediu ao Ministério do Comércio no sentido de fazer um esforço conjunto com os empresários de colocarem a mandioca de Angola no nosso mercado, e deixarmos de importar o que já produzimos.

“Agora o que resta é fazer um estudo pormenorizado dos produtos que se encontram no nosso mercado que infelizmente ainda importamos, no sentido de diminuirmos gradualmente com a entrada em funcionamento de novas unidades industriais sobretudo só o sector agrário”.

Amaro Tati reafirmou o compromisso do Ministério da Agricultura em continuar a trabalhar para o surgimento de novos projectos agrícolas em todo país e contribuir no processo de diversificação da economia nacional e na auto-suficiência alimentar em todo país.

Diversificação da economia
Por seu turno, a presidente do Conselho de Administração da Agencia Nacional para o Investimento Privado (ANIP), Maria Abrantes, afirmou que a diversificação da economia nacional através do sector agrário consta também das prioridades da agência que dirige.

Maria Abrantes realçou também que outra grande aposta da Anip está virada na exportação da mandioca angolana para os Estados Unidos da América através do acordo Agoa.

Este acordo, prosseguiu a responsável, vai permitir aos investidores de Angola exportarem os seus produtos para os Estados Unidos sem pagar impostos, daí que, disse, ser necessário a implementação de maior dinamismo na produção nacional.

Maria Abrantes realçou que a Sodepac, pelo facto de ser um projecto integrado, vai ajudar o micro e o pequeno negócio através da formação dos seus trabalhadores e colaborar com os camponeses locais que vão contribuir para a diversificação da economia nacional.

A presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional para o Investimento Privado pediu a todas as sensibilidades no sentido de redobrarem os esforços e incentivarem mais o consumo dos produtos locais.