O camponês Abreu Nguelengue da região de Mulundu na comuna da Funda, tem cultivado dois hectares de terra, onde tem rama de batata, quiabo, cebola e gimboa.
Nguelengue diz que o destino da produção são os mercados do Sabadão e do Kicolo. Com o rendimento da produção, o camponês que lavra a terra há mais de 10 anos, consegue pagar dois trabalhadores e sustentar um agregado familiar composto de 10 pessoas.
“A nossa agricultura é familiar. Temos de cultivar a terra para poder comer, e dar estudo aos nossos filhos. A lavra que cultivo é alugada, pago 150 mil kwanzas por ano e consigo suprir as minhas necessidades através desta actividade”, afirmou, sublinhando que, o custo na compra dos fertilizantes e insecticidas muitas vezes põe em causa a continuidade para a própria actividade.
Abreu Nguelengue salienta que compra nos agentes comerciais na praça do Sabadão um saco de 50 quilos de fertilizante ao preço de 8 mil kwanzas ao passo que 1 litro de insecticida é comercializado a kz 4.500.
“Esses produtos comprometem o cultivo porque sem eles as plantas não crescem de forma normal, e também podem ser afectadas por pragas de lagartas que acabam por estragar toda a plantação”, disse.
Defendeu que os fertilizantes e outros insumos deveriam ser mais baratos, uma vez que os pequenos camponeses não conseguem comprá-los na quantidade desejada. “ Nós temos de nos remediar com o que temos e muitas vezes por falta de dinheiro não compramos a quantidade de fertilizante exigida, por exemplo no plantio de um hectare de hortícolas ou tubérculos”, disse.
A aquisição dos produtos para desinfestação das lavras constitui a maior dificuldade dos camponeses, segundo Bastos Tchissoca. Aponta o elevado preço como a razão do surgimento dos bichos que tomam conta de algumas plantações.
Bastos Tchissola tem cultivado couve, quiabo, repolho, cenoura e batata-doce e espera ter boa safra.
“Temos comprado cada litro de insecticidas a kz 4.500 na praça do Sabadão, porque nos vendedores oficiais localizados no município de Viana, bem como o aluguer de transporte para trazer os materiais elevam os custos que se aproximam aos praticados aqui na praça”, afirmaram.
Segundo informou o vice-presidente da Cooperativa Angola-Espanha, Jacinto dos Santos, as autoridades de direito informam que os sacos devem ser adquiridos a 5 mil kwanzas, mas os agentes económicos ignoram esta informação.
O camponês adiantou que as lavras precisam também de mais canais de irrigação na comuna da Funda.
“Temos alguns canais de irrigação, do tempo colonial mas estão entupidos por causa do lixo, e não temos capacidade técnica para limpar até ao rio”, disse. MB