O Ministério das Pescas em parceria com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) está a implementar em várias províncias, o projecto de apoio ao sector, num investimento avaliado em 3,7 mil milhões de kwanzas (cerca de 38,235 milhões de dólares norte-americanos). A iniciativa visa a erradicação da fome e da pobreza das comunidades rurais, através da melhoria das condições de trabalho dos pescadores.

A comunidade piscatória do Yembe, na província do Bengo, testemunhou o arranque oficial do projecto, num acto presidido pela ministra das Pescas, Victória de Barros Neto, acompanhada pelo governador, local Bernardo de Miranda e o representante do BAD,
Septime Martin.

O programa terá a duração de cinco anos, e insere-se no objectivo geral do plano nacional de desenvolvimento para o período 2013/2017, sob responsabilidade do Executivo angolano e que tem como meta principal garantir a segurança alimentar, a criação de novos postos de trabalho, a valorização dos recursos pesqueiros além do reforço das capacidades nacionais e a diversificação da economia nacional.

Implementação
Segundo dados do Ministério das Pescas, o projecto será implementado nas províncias do Bengo, Benguela e Kwanza-Sul, onde serão criadas infra-estruturas básicas de apoio à pesca artesanal, que permitirá melhorar a conservação, transformação e qualidade do pescado, bem como a promoção da cadeia de distribuição, a exploração sustentável da pesca artesanal marítima e o acesso aos mercados.

Ao se pronunciar no acto de lançamento do projecto, a titular da pasta, Victória de Barros Neto, destacou que para o bom funcionamento e sustentabilidade das infra-estruturas previstas no programa será necessário que todos os beneficiários estejam organizados em cooperativas e registados no Instituto de Desenvolvimento da Pesca Artesanal.

A ministra disse que o aumento do rendimento dos pescadores artesanais das mulheres processadoras do pescado e das peixeiras, que o projecto prevê, contribuirá para a melhoria das condições de vida das comunidades, que representa 80 por cento da população residente na província do Bengo, cuja economia familiar depende fundamentalmente da pesca artesanal.

Por seu lado, o representante do BAD, Septime Martin disse que a instituição bancária irá continuar a apoiar os projectos do Executivo angolano, que visam contribuir no desenvolvimento socioeconómico das comunidades.

O responsável destacou que as acções incidirão no reforço da capacidade das instituições governamentais para uma gestão sustentável dos recursos piscatórios, tendo na ocasião encorajado o investimento do sector privado e a gestão participativa das comunidades piscatórias beneficiárias.

Constrangimentos
A comunidade piscatória da província do Bengo tem enfrentado alguns constrangimentos, principalmente no domínio material e financeiro, o que segundo dados, tem vindo a afectar o seu desempenho e contribuído negativamente no rendimento da sua actividade. Com a execução desse projecto, acredita-se que os índices de captura irão aumentar, uma vez que se prevê a criação de um centro de apoio, o qual será dotado de infra-estruturas para o processamento, além de que o mesmo contará com centros de salga e seca, fábrica de gelo para a conservação do pescado, câmaras frigoríficas e um posto de abastecimento de combustível.

Durante o exercício económico de 2013, na província do Bengo, foram capturadas 1.570 toneladas de pescado diverso, das quais 902 toneladas foram capturadas nos rios, lagos e lagoas.