Uma unidade industrial, ligada à congelação de pescado, com capacidade para conservar 292 toneladas de peixe por dia, foi inaugurada recentemente no distrito urbano da Samba (Luanda), pela ministra das Pescas, Victória de Barros Neto.

O empreendimento é uma iniciativa da empresa Coapescas Lda, num investimento de 681 milhões de kwanzas (7 milhões de dólares).

A unidade industrial tem a capacidade de congelar diariamente mais de 110 toneladas de carapau e 180 de sardinha, num ciclo de quatro toneladas em 50 minutos. Segundo o director-geral da Coapescas Lda, Arménio Lopes, a firma pretende este ano, alargar o seu leque de serviços, com a instalação de equipamentos para o processamento e aproveitamento do derivado do peixe. De acordo com o responsável, o sector apresentarem inúmeras oportunidades de negócio, tendo convidado os investidores privados a apostarem cada vez mais no segmento de conservação de peixe.

“As potencialidades que Angola dispõe, dão garantias de que o país não tem muita necessidade de importar alguns produtos derivados do peixe. As espécies que constituem as conservas de peixe, existentes no país, como é o caso do atum, gaiato, cavala, carapau, sardinha entre outras”, frisou.

O empresário revelou que o aparecimento de empresas privadas no mercado ajudará a criar vários postos de trabalho, além de incentivar a exportação destes produtos para outras regiões do continente, ou mesmo para o resto do mundo. Com a infra-estrutura, a empresa criou cerca de 300 novos postos de trabalho, com particular realce para a camada juvenil.

Dificuldades
Arménio Lopes apontou a falta de terrenos infra-estruturados, como o principal impasse para os investidores apostarem neste sector, tendo defendido que se devem implementar e criar projectos ao longo da orla costeira, por forma a oferecer condições materiais indispensáveis para o desenvolvimento da actividade pesqueira.

Por outro lado, o gestor aproveitou a oportunidade para pedir mais apoios, tanto do sector bancário na concessão de créditos, como as autoridades a desenvolverem acções que visem a redução de impostos.

“Esta fábrica é uma das melhores no país, devido os equipamentos instalados, que vão de encontro aos padrões internacionais. Esta unidade industrial conta com espaço para o manuseamento, processamento e congelação de pescado da última geração”, afirmou o proprietário.

Além de contribuir na redução das importações, a unidade industrial, dará também uma maior atenção na formação profissional dos trabalhadores, principalmente nas áreas de mestres costeiros, contramestres, marinheiro, carpinteira, mecânica, electricidade, serralheira e soldadura.

Dinâmica empresarial
Para a ministra das Pescas, esta iniciativa mostra a dinâmica que o sector tem vindo a registar nos últimos anos, marcado principalmente com o interesse da classe empresarial. Victória de Barros Neto entende que a implementação de unidades industriais na fileira das pescas contribuirá na preservação das espécies, bem como na diminuição das perdas dos produtos pesqueiros, com realce para o carapau e a sardinha.

Para ela, estes investimentos vêem dar uma nova dinâmica no fornecimento de peixe para o mercado angolano, além de elevar a qualidade do produto pesqueiro de origem nacional, em conformidade com os parâmetros exigidos pelo Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Na sua intervenção, a titular da pasta sublinhou que a iniciativa deve servir de “modelo” para a classe empresarial do ramo.

Mais-valia
O administrador do distrito urbano da Samba, Adão Malungo, salientou que a infra-estrutura é um instrumento de apoio aos armadores da região. Na ocasião, o responsável garantiu que, para um melhor funcionamento da fábrica, serão revistos alguns aspectos, principalmente as embarcações que todos os dias fazem a carga e descarga de mercadoria para o comércio.

De acordo com o responsável, pretende-se com isso que todas estas embarcações venham dar ao cais que liga à unidade de congelação, proporcionando aos comerciantes armazenamento condigno, sem correr o risco de ver o produto deteriorado.
Quando a organização da orla marítima, o administrador assegurou que os projectos de ampliação e requalificação da zona estão salvaguardados, com realce para a programa de reorganização do mercado da “Mabunda”.