A construtora  Kora-Angola prevê disponibilizar 15.000 habitações, ainda no decorrer deste ano, no quadro do plano nacional de urbanização e habitação, anunciou em entrevista à Angop o ministro do Urbanismo e Habitação, José António da Conceição e Silva.

Segundo o responsável, as residências não serão habitadas no decurso deste ano, mas o processo comercial poderá ser já desencadeado, faltando apenas a conclusão das infra-estruturas externas, e as pessoas interessadas podem candidatar-se a essas urbanizações.

“Pretendemos, brevemente, começar a comercializar, ainda que elas não estejam habitáveis por força das infra-estruturas externas, mas nós temos já uma parte de cerca de 15 mil habitações do projecto da Kora-Angola. Este ano pretendemos desencadear um processo de contacto directo com o cidadão, no sentido da negociação do interesse por essas habitações. Estamos a falar das províncias do Kwanza-Sul, Uíje e Bié. Pretendemos que as habitações sejam adquiridas através do processo de renda resolúvel. A ideia é que se comece já a partir deste ano”, anunciou.

Por outro lado, o ministro informou que, ainda este ano, o programa de construção de 200 fogos habitacionais, planificados para cada município, poderá também colocar à disposição algumas residências, estando nesta fase, a ser desenvolvido um estudo do mercado referente ao custo dessas habitações para as podermos pôr ao serviço dos servidores públicos que estão espalhados pelo país e também da população, de uma forma geral.

“Acreditamos que, com o surgimento e com a aplicação no mercado de outras urbanizações que vão ocorrer nos próximos tempos, o custo vai reduzir ainda mais”, sublinhou.

Programa de urbanização
Quanto à implementação do plano nacional de urbanização e habitação, José António da Conceição e Silva destacou que o mesmo preconiza aspectos ligados ao urbanismo, com realce para ordenamento do território e organização espacial das cidades, além de planos directores para as cidades.

“O nosso plano, de forma muito mais notória, abarca os projectos que estão sendo construídos, quer pela Sonip, que são cerca de 80 mil habitações, quer pela Kora-Angola, que são  40 mil, e também abarca aspectos ligados às agro-vilas, que são a abordagem sobre a construção rural e aquilo que para nós é o ponto fulcral do programa, que é a auto-construção dirigida. A auto-construção dirigida contempla cerca de 68 por cento do programa nacional de urbanismo e habitação”, disse.

Em curso, está também a ser desenvolvido o programa de urbanização das reservas fundiárias, que visa a sua urbanização, tratamento de infra-estruturas e permite que a população possa ter acesso a esses espaços, adquirindo terrenos infra-estruturados, para que possa construir habitações, a partir de projectos pré-concebidos pelo Estado, com o seu acompanhamento.

Requalificação de Luanda
Quanto ao programa de requalificação de algumas zonas da província de Luanda, o titular da pasta do Urbanismo e Habitação esclareceu que o processo será executado a longo prazo.

“Estamos a desenvolver aquilo que chamamos intervenção imediata, que deverá ser conduzida até 2015. É a abordagem sobre bairros como o Cazenga, Sambizanga, Rangel, Marçal e Rocha Pinto. Mas temos depois uma outra abordagem de longo prazo,   que irá até 2025, ao longo da qual pensamos que teremos a possibilidade de alargar este leque de intervenções”, adiantou.

Actualmente, os trabalhos incidem na criação de gabinetes específicos, que localmente poderão tratar dos problemas urbanos existentes. Na sua óptica, estas instituições vão trabalhar em coordenação com o órgão central.

“É imperioso que, na visão da requalificação da cidade de Luanda, possamos ter esses órgãos técnicos que vão olhando muito especificamente para os vários pontos da cidade. Também não podemos descurar neste processo um elemento fundamental, que é o próprio plano director da cidade de Luanda, um instrumento cuja preparação está em curso. O plano vai ditar as regras e aquilo que é o futuro, a longo prazo, daquilo que nós pretendemos da cidade de Luanda”, pontualizou.