O contrabando de combustível para a República Democrática do Congo continua a ser o negócio de maior disputa, entre os cidadãos nacionais e estrangeiros que se desdobram na busca de lucros fáceis na fronteira do Luvo, província do Zaire.
Existem também os “barões” de contrabando idos de Luanda, Soyo e Mbanza Congo, que abarrotam camiões cisternas e do tipo basculante, com tambores de 200 litros.
O pagamento da chamada “caução” serve de atracção e recompensa dos operadores de “pistolas” que asseguram o abastecimento de combustível. Nesta hora os automobilistas são relegados em segundo plano, para privilegiar os traficantes no sentido de angariar fundos fabulosos.
As noites são visíveis rumarias de gente de carros, com destino à fronteira do Luvo. Em fila indiana, camiões, viaturas ligeiras e sobretudo motorizadas de três rodas, açambarcam quantidades elevadas de combustível, para a fronteira do Luvo, há 60 quilómetro da capital Mbanza Congo.

AGT fiscaliza acções
Com o surgimento da Agência Geral Tributária (AGT) no Posto Aduaneiro do Luvo, os traficantes arquitectaram estratégias de fuga ao fisco, para escapar das forças policiais ali destacadas.
No posto fronteiriço do Luvo os traficantes, com bidões à cabeça apeiam por caminhos “fiotes”, por serem vias estreitas cobertas de capim e de fraca visibilidade até à fronteira. No mercado do Luvo, aberto alternadamente, uma vez para cada lado dos dois países (Angola e RDC) o combustível é comercializado como se de produtos alimentícios ou domésticos se tratasse.
No lado do mercado da RDC, entre os vários negócios expostos, a demanda por gasolina e gasóleo supera a oferta. A concorrência é desleal e “apetecível” em virtude da tabela de preços praticada no Luvo, atingir o topo de 11 mil kwanzas, equivalentes a 15 Dólares americanos o bidon de 25 litros de gasolina.
A carência de divisas que o país vive até ao momento, atrai para o Luvo dezenas de comerciantes, com interesse de instalar pequenas sucursais de venda de combustível. JM e FN

Litro de gasolina custa 500 Kz
em Mbanza Congo

Há mais de seis semanas, centenas de viaturas continuam estacionadas nos quintais, devido à falta de combustível que se faz sentir nos postos de venda dos municípios de Mbanza Congo.
A situação levou ao aumento do preço da corrida de táxis de 100 para 200 kwanzas, e por arrasto, já se regista a subida de alguns produtos da sexta básica nos mercados informais da região. Actualmente, os taxistas compram na “candonga” um litro de gasolina a kz 500.00, contra os 160 praticados nas bombas de combustíveis.
O gerente do posto da Sonangol, no Bairro 11 de Novembro, Pedro Augusto Ndungide, 71 anos, referiu que actualmente recebem da Sonangol quantidades reduzidas de combustível e com largo espaçamento de tempo, entre os carregamentos.
Na semana passada, aquele posto de abastecimento de combustível recebeu duas cisternas, uma com 17.500 litros de gasolina e outra com 20 mil litros de gasóleo.
A população invadiu a referida bomba, que mesmo com o apoio de efectivos do Comando municipal da Polícia Nacional, foi obrigada a interromper as vendas por várias horas.
O combustível terminou no terceiro dia de venda com várias paragens. Até ao momento, a dificuldade para a obtenção de combustível continua em Mbanza Congo.
Segundo o responsável do posto de abastecimento da Sonangol em Mbanza Congo, a escassez de combustível deve-se à falta de stock de divisas para garantir a exportação do produto, tendo em conta a fraca capacidade no país para refinar o crude.
Corrupção em alta
Segundo Pedro Augusto Ndungide que mostra cepticismo quanto ao sucesso das medidas contra a prática da corrupção, num dos seus exemplos, citou o período de rotação do efectivo da Polícia em serviço no Posto do Luvo para outros municípios. Estes recusam deixar Luvo, devido ao famoso “Ngandulo”, dinheiro extra, ganho durante o dia, que pode ultrapassar cem mil kwanzas.
Lembrou que há dias expulsou, do seu gabinete, uma senhora que lhe propôs um suborno de 50 mil kwanzas para facilitar o enchimento de 50 bidões com gasolina.
O ancião apresenta-se como um dos actores da luta contra a corrupção e que deseja ver Angola mais organizada.
De acordo com Pedro Ndungide, a organização das estruturas sociais do país depende em grande medida da população abraçar e apoiar sem reservas a visão do Presidente da República que subscreve em corrigir o que está mal e melhorar o que está bem.

Governo apoia Polícia
O governo provincial do Zaire está empenhado no apoio à Polícia de Guarda Fronteira que garante o controlo de 330 quilómetros de fronteira marítima e terrestre com a região do Congo central, (antigo Baixo Congo).
A Polícia de Guarda Fronteira patrulha a linha fronteiriça, onde instalou 16 postos permanentes, coordenados pela terceira unidade situada na comuna do Nkoko, município de Mbanza Congo.
Além disso, existe a segunda Unidade situada no município do Soyo, encarregda de proteger contra a imigração ilegal, contrabando de combustível e drogas.

Luvo é a “galinha dos ovos de ouro”

A vila do Luvo possui seis postos de venda de combustível, além de outras, instaladas ao longo da via Mbanza Congo / Luvo que praticam também à margem da lei, a venda dos derivados de petróleo.
Luvo ganhou protagonismo a nível nacional e não só, pela venda de telefones e panos do Congo, entre outros artigos de uso doméstico. Os contrabandistas são facilmente identificados.
Na sua maioria construíram casas com formato de “castelo” localizadas em quintais altos, onde se regista um movimento frenético de “entra e sai” de camiões carregados de combustível. Alguns deles são mais discretos. Construíram estaleiros em zonas longínquas, onde os olhares são de difícil alcance.
Devido a facilidade como os camiões cisternas contrabandeados passam pelos diversos controlos da Polícia ao longo da via do Luvo, alguns cidadãos desconfiam   o envolvimento de altas patentes da Polícia Nacional recebendo avultadas comissões em kwanzas e dólares.
 O processo de compra de gasolina e gasóleo em Angola, para a sua revenda na vizinha RDC é apelidado pelos usuários por “Guimalela”, palavra que em Lingala significa “caminhada em grupo com mercadoria à cabeça”.
A Polícia de Guarda Fronteira instalada no Posto Aduaneiro do Luvo está reforçada com uma Brigada Canina constituída por 11 espécies de cães que facilitam a caça contra contrabandistas e outros violadores de fronteira. JM e FN