O crescimento demográfico que a cidade de Benguela assiste nos últimos tempos, o que originou o surgimento de novos aglomerados populacionais, está a condicionar o normal abastecimento de água potável por parte da Empresa de Águas e Saneamento de Benguela (EASB).
Criada pelo Executivo para produzir e distribuir água potável para as cidades do litoral da província, a Easb, cujo projecto foi implementado em três fases, iniciado em 2007 e concluído em 2012, orçado em cerca de 260 milhões de dólares, proporciona o fornecimento de apenas um metro cúbico de água por segundo.
Em entrevista ao JE, o presidente do Conselho de Administração da Easb, Jaime Alberto, revelou que o facto de já se terem passado seis anos desde que a empresa foi concluída e não terem sido feitos quaisquer investimentos no sector, está na base da existência de um défice.
“A cidade cresceu com novos bairros que surgiram nos últimos anos, o que obrigou a empresa a registar um défice no abastecimento de água”, sublinhou.
Ainda assim, o PCA da empresa pública disse que a qualidade da água produzida, distribuída e consumida a nível da província de Benguela é a recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

Sistemas de distribuição
Actualmente está a funcionar dois sistemas de produção e distribuição, um instalado no rio Catumbela denominado Estação de Tratamento de Água de Benguela (ETA-Benguela), com a capacidade de quatro mil metros cúbicos/hora.
Esta capacidade é distribuída para o município de Benguela e a variante associada ao Campo de Furos de Benguela, onde são tratados 630 metros cúbicos/hora, o sistema trabalha 24 horas ao dia, na sua capacidade máxima.
“Relativamente ao casco urbano da cidade de Benguela, que (vai da vala do rio Coringe até a parte litoral da cidade e alguns bairros) temos o abastecimento de água durante as 24 horas do dia”, informou.
O PCA da Easb informou em áreas com défice na distribuição de água, existem consumidores que são abastecidos só no período nocturno e como possuem tanques com maior capacidade, distribuem ou vendem para aqueles que não possuem.
Revelou que nas “áreas remotas” e que não possuem sequer ligações domiciliárias, os moradores são abastecidos por camiões-cisternas, recorrendo neste caso, a um fornecedor privado, uma vez que a distribuição da água é um sector liberalizado.
Acrescentou o facto dos distribuidores “liberais” cobrarem um valor pecuniário por esse fornecimento, a Easb está a cadastrar todos os clientes possuidores de tanques em suas residências, bem como os utilizadores dos camiões cisternas.
Por serem considerados revendedores, a empresa está a cobrá-los pela quantidade de água que consomem.