O governo da província do Cuando Cubango defende a necessidade de se repensar o processo de repovoamento das espécies florestais que têm sido exploradas de forma intensiva, o que pode pôr em causa o projecto transfronteiriço Okavango-Zambeze (KAZA).
Segundo o governador Júlio Bessa que falava durante um encontro que manteve com o secretário de Estado para os Recursos Florestais, André de Jesus Moda, na passada segunda-feira, uma boa parte das espécies a nível local estão a ser devastadas e devem ser repovoadas a curto prazo, tendo em conta que são bastante diferentes de eucaliptos e pinheiros que se desenvolvem facilmente.
“Devemos nos limitar ao máximo e não esforçar a exploração da madeira a nível da província, devido aos parques nacionais do Luengue-Luiana e de Mavinga, para não colocarmos em risco a extinção de várias espécies de animais”, disse.
Júlio Bessa referiu ainda que outra questão é o facto da exploração da madeira que está a causar danos profundos nas estruturas rodoviárias e pontes, sendo este último que a maioria é de construção metálica e não suporta carga bruta conforme a circulação de camiões carregados de madeira.
Para ele, a metodologia de atribuição de licenças deve ser alterada com base na celebração de contratos de exploração de madeira, onde sejam definidas áreas de exploração, por forma a se evitar a dispersão de madeira cortada em qualquer parte da província que é bastante complicada para se manter o real controlo deste recurso florestal por parte dos fiscais.
Reafirmou que o processo de exploração deve obedecer algumas regras regidas com base na lei, apesar de que ainda existem dificuldades de a mesma ser implementada a nível de todas as províncias e em particular no Cuando Cubango por ser bastante dispersa.
Destacou que o governador do Cuando Cubango, propõem que futuros contratos de exploração devem ser atribuídos por um concurso público, à semelhança que acontece na indústria petrolífera e que 60 por cento da madeira cortada seja transformada localmente para desenvolver a economia da província, garantir empregos e maximizar o fabrico de mobiliários, entre outros serviços.
Reforçar procedimentos
Por sua vez, o secretário de Estado para os Recursos Florestais disse que o sector vai reforçar os procedimentos práticos, por forma a mitigar o corte desenfreado e ilegal de madeira a nível do país.
André de Jesus Moda revelou que esta medida que está neste momento em estudo visa encontrar soluções para a reorganização do processo de exploração de recursos florestais no país.
Realçou que a forma persistente que está a se registar na exploração ilegal da madeira urge a necessidade de se rever as normas de licença, e o controlo e rigor no seu aproveitamento para a arrecadação de mais receitas para os cofres do Estado, com base em instrumentos jurídicos e algumas normas nacionais.