Cafeicultores de cinco municípios da região Norte, da província do Cuanza Norte, tidos como os maiores produtores de café, estão mais motivados a produzir o “bago vermelho”, na sequência da instalação de uma fábrica de torrefacção e embalagem do produto, localizada em Quiculungo, que tem permitido a compra do café em posse dos fazendeiros.

O projecto é de iniciativa da empresa “Café Cazengo”, com um investimento dos 600 milhões de kwanzas, é sustentado pela aquisição do café em Ambaca, Banga, Bolongongo, Golungo-Alto e Quiculungo.

Benefícios
O soba do sector de Kimbamba, Domingos Kizamba, que trabalha na produção de café desde 1961, estimulado pelo falecido pai e o avô, sublinhou que desde “o tempo colonial, nunca houve tão bom intercâmbio entre os produtores locais com um comprador”.

Avançou que a par da compra o empresário fornece crédito de produção e colheita, sem qualquer juro na ora do reembolso.
Realçou que a região conta com vários produtores que há um tempo atrás produziam o bago vermelho, mas sem saber onde vender, facto que contribuía para o apodrecimento do produto em casa, que noutras vezes tinha de ser queimado de forma a evitar parasitas em casa ou no terreiro.

Actualmente muita gente já se revê na produção do café por ser uma boa fonte de renda, estamos a pensar em criar a associação dos cafeicultores locais para o aumento da produção por forma a adquirir mais apoios, quer do Estado ou dos empresários locais, disse.

Potencialidades
A província do Cuanza Norte tem uma área de 24.110 quilómetros e segundo dados da década de 1970 atribuíam ao município de Bolongongo a produção média anual de mais de 7.578 toneladas de café no sector empresarial e 1.819 (café mabuba) no sector tradicional.

Neste período, o município tinha cultivado 39.375 hectares de cafezal e contava com 29 indústrias para descasque do produto.
O município de Ambaca apresentava na esfera empresarial 3.800 toneladas de café colhidas em 60 fazendas cafeícolas, enquanto a produção tradicional oferecia uma quota de 3.640 toneladas. Contava com 150 casas comerciais que concorriam para a compra do café mabuba.

Na Banga, o sector empresarial colhia até 1.971 uma média anual de 3.455 toneladas, contra uma produção tradicional que atingia 4.447 toneladas de café mabuba. Cinquenta fazendas eram até então exploradas no sector empresarial, constituído por fazendeiros que ao mesmo tempo eram comerciantes.

Já o Golungo Alto, tido na altura como o maior produtor de café, na província, e então detentor de 40 máquinas de descasque, apresentava uma cifra de 13.343 toneladas no ramo empresarial e 8.567 no sector tradicional.

Superfície das explorações
A superfície total das plantações de café foi estimada, em 1970, em 596 mil hectares. Deste número 64,3 por cento correspondia às empresas comerciais, enquanto as empresas agrícolas familiares apenas ocupavam uma área de 35,7 por cento, que representavam 99 por cento do número de explorações existentes.

A superfície média por exploração do sector comercial era de 164 hectares e no agrícola familiar era apenas de 0,79.
Durante o período colonial, o sector beneficiou de políticas e incentivos que colocaram Angola entre os principais produtores mundiais, com uma produção anual de cerca de 200 mil toneladas.

Dada a importância do café no desenvolvimento do país e na obtenção de receitas para a diversificação da economia, o Executivo angolano traçou um plano estratégico para o aumento da produção de café e a revitalização da indústria cafeícola com vista a torná-la atractiva e rentável.