A província do Cuanza Norte prevê, nos próximos anos, a entrada em funcionamento de dois novos pólos industriais, a serem construídos nos municípios de Lucala e de Cambambe, anunciou o director provincial da Indústria, Geologia e Minas, Emanuel Ferreira António de Sousa.

Em declarações ao JE, o responsável disse que, no quadro do programa do Executivo para o sector, se perspectiva o relançamento da indústria transformadora.

Por este facto, está-se a implementar e a construir empreendimentos industriais inseridos num programa que tem a participação e o reforço do sector privado.

A par dos projectos de construção dos pólos de desenvolvimento industrial do Lucala e do Dondo (Cambambe), neste último já em execução, previu-se também a construção de duas fábricas de óleo de palma, uma de sabão, de descasque, branqueamento e embalagem de arroz, assim como de duas fábricas de descasque, torrefacção e embalagem de café, uma já em funcionamento no Kikulungo.

Está igualmente prevista a construção de uma fábrica de soalhos e pavimentos de madeira com serração, outra de engarrafamento de água mineral, a ser implementada no Lucala, e uma cerâmica em fase de conclusão.

Para Emanuel de Sousa, a indústria transformadora está intrinsecamente ligada à agricultura e à mineralogia, pelo que o Cuanza Norte é uma província metalogénica, cujos terrenos precambrianos dispõem de grandes reservas de ferro, manganês, ouro, níquel, pedras, preciosas e agregados minerais como granito, basalto, xistos, burgau e calcário, utilizados em diferentes indústrias, na construção civil em geral e na de estradas.

Ganhos
Revelou que, além dos projectos mineiros de Cassala e Kitungo na comuna de Dange-ya-Menha (Cambambe), recentemente paralisados, está em fase de estudo o projecto mineiro da Cerca (Golungo-Alto), que, ao arrancar, poderá trazer grandes ganhos à província.

Precisou que a indústria artesanal tem um “espaço aberto” na província, principalmente no segmento pedreiro, escultura e cerâmica, que uma vez desenvolvidos poderão empregar “centena de pessoas e contribuir positivamente para o crescimento económico da província”.

Indústria transformadora
A unidade industrial “Santa Isabel”, no Dondo, destinada a engarrafar água de mesa, associada à fábrica de água mineral Cristalis de Ndalatando, encontra-se em funcionamento, mas ainda “não atingiu o pico da sua produção”.

No Dondo, a Vinelo continua paralisada, enquanto a Satec está já a beneficiar de um investimento acordado ente o Ministério da Indústria e a firma japonesa Marubeni, que já viu retirada toda a maquinaria obsoleta para dar lugar à construção de um novo edifício, onde se produzirão diversos tecidos e malhas.

Ainda no Dondo, disse o director, existem três fábricas emergentes de materiais de construção. A Ngolafrilaje tem uma produção diária de cerca de 3 mil blocos, produz ainda lancis, bem como prevê também produzir artefactos de cimento e tem uma carpintaria industrial.

As Organizações Canzamba e a Vipral produzem blocos, todavia em menor escala, assim como a Esal Limitada.
O responsável revelou ainda que, a nível da província, existem pequenas oficinas de serralharia e carpintaria, que estão em funcionamento em Ndalatando, Dondo e Golungo-Alto.

No município de Kikulungo, surgiu a fábrica de café Cazengo, cujo produto já está a ser comercializado em várias partes do território nacional. De realçar que no Kikulungo existe ainda uma serração e carpintaria, que pelo volume de produção pode considerar-se industrial.

Historial
Dados apontam que a Sociedade de Tecidos e Estamparias (SATEC) foi a principal unidade fabril da região, tendo como objectivo social produzir fio de algodão e penteados.

Com áreas de tecelagem e acabamentos, em 1969, o projecto industrial contava com 1.200 trabalhadores, com uma produção anual de cerca de 2.280 toneladas de fio e 470 mil de fiação grossa. Fabricava ainda 10.780 metros quadrados de tecido por ano e 380 mil cobertores.

Em 1992, devido à situação de guerra que o país atravessou, foi parcialmente encerrada, permanecendo somente cerca de 100 trabalhadores.

Em 2013, começou o período da sua recuperação, num projecto do Executivo angolano com o apoio do Banco do Japão, como financiador, cuja entrada em funcionamento está prevista para o próximo ano.

Por sua vez, a sociedade industrial agrícola “Vinelo” foi a primeira unidade do género, no continente africano, orientada para a produção de concentrados derivados de ananás, maracujá, manga,citrinos e feijão-ervilha.

Foi igualmente a maior unidade concebida para tratar 40 mil toneladas de ananás, 3 mil de maracujá, 2 mil de manga, 3 mil de citrinos e 1.500 de ervilhas, que totalizam 50 mil toneladas por ano.

Potencialidades
A província é rica em minerais, com destaque para o ferro, cujas maiores concentrações estão localizadas no município de Cambambe, comuna de Dange-ya-Menha, nos morros de Cassala e Kitungo, por quantificar. O manganês encontra-se no Cazengo (zona de Camoma) e Cambambe (comuna de Zenza-do-Itombe), onde se localizam as maiores concentrações da província.

O mármore e acal encontram-se em grande escala nas localidades do Zanga (Cazengo) e em Samba Lucala (Samba-Caju), pelo que todo o curso do rio Lombigi é um potencial depósito de ouro, existindo igualmente indícios nos leitos dos rios Kwanza e Lucala.