A província do Cunza Norte pretende elavar os níveis de arrecadação de receitas fiscais visando prestar maior contribuição no que diz respeito ao aumento do produto interno bruto (PIB).

A intenção foi manifestada pelo vice-governador para o Sector Económico e Produtivo, Manuel de Abreu Pereira da Silva, durante um encontro entre o executivo local e empresários nacionais e portugueses. O aumento da exploração da madeira em touro, recursos hídricos, melhoria na qualidade de produção e venda de café, a par do fomento do sector agro-pecuário, constam das principais linhas de força do governo do Cuanza Norte, para a elevação dos níveis de contribuição de receitas para os cofres do Estado.

Segundo o responsável, a contribuição anual da província em relação ao produto interno bruto representa, em média, menos de 0,5 por cento, situação que em sua opinião, resulta das assimetrias regionais registadas no país, que dão origem ao excesso de concentração de investimentos em Luanda, e em parte, no litoral-centro do país.

Mais envolvência
Manuel de Abreu frisou que o número total de empresas, dos diferentes ramos de actividade económica, no Cuanza Norte, representam, em média, um por cento do total nacional, sinal de pouca dinâmica da classe empresarial local e de reduzida atractividade da província nos principais itens que interessam o investimento privado.

Fez saber que os sectores mais representativos são o comércio, transporte, oficinas automóveis, restauração e hotelaria, com cerca de 81 por cento de actividade económica provincial. Referiu que durante o período colonial, o café foi o produto agrícola de maior importância económica no Cuanza Norte.

Com uma área de cultivo com cerca de 150.000 hectares, cuja produção global atingiu, em 1973, 82.500 toneladas o que representou 41 por cento da produção total de Angola, durante o referido ano. Actualmente o sector conta com 3.446 cafeicultores familiares, dos quais 2.301 em actividade e 97 explorações do tipo empresarial, com uma área total de 32.419 hectares.

Em relação a exploração florestal o vice-governador deu a conhecer que antes da independência o Cuanza Norte ocupou o quarto lugar, depois de Cabinda, Moxico e Huíla. Actualmente, a exploração florestal não alcança valores expressivos. Explica que concorrem para tal factor a fraca capacidade das empresas instaladas, associadas a dificuldade de acesso às áreas de exploração consideradas de maior potência.

Acrescentou que a agricultura constitui o sector base da economia da província, mormente no que diz respeito da abundância de terras aráveis e recursos hídricos, situação que permite a produção de milho, mandioca, batata-doce e rena, feijão normal, feijão macunde, amendoim e soja, frutas diversas e hortícolas.

Manuel de Abreu sublinha que uma vasta superfície territorial da província é ocupada por explorações pecuárias que conta com um efectivo pecuário de 23.127 bovinos, 14.650 suínos, 16.008 ovinos, 66.536 caprinos, 95 equinos e 118.212 aves. A produção pecuária é de 47,5 toneladas de carne, sendo 17 de carne bovina e 30,5 toneladas de suínos e caprinos por ano, enquanto a de aves ronda as 141. 700 unidades de ovos, mês.

Sector das pescas
Quanto as pescas adiantaram quea actividade é praticada em rios e lagoas da província, sob processos artesanais, e tem importância económica e social assinalável.

Revelou que o parque industrial da província encontra-se parcialmente desactivado e o desempenho das unidades ainda em funcionamento são afectadas por vários constrangimentos, cuja mitigação exige uma intervenção plurissectorial de grande dimensão, concentrada no âmbito de uma política clara, integrada e actuante de desenvolvimento.

Apontou as indústrias de cerveja, água mineral, moagens de fuba e farinha de mandioca, milho e panificação, como as de maior pendor na estrutura da produção
industrial da província.

Energia eléctrica
Salientou que o governo provincial construiu recentemente uma linha de transportação de energia eléctrica para o município do Golungo Alto, a partir da cidade de Ndalatando, a par das sedes municipais do Qikulungo, Bolongongo, Banga e Ngonguembo, cuja construção está agendada para os próximos meses.

Manuel de Abreu deu também a conhecer que decorrem intervenções que visam reforçar a capacidade instalada na subestação de Ndalatando para uma potência de 40 megawatt (mw) e para 25 em Cambambe e está igualmente em curso a construção de uma linha dupla terna, para melhorar o abastecimento de energia eléctrica no município de Cambambe.

Lembrou que actualmente a província tem instalada uma potência de 48 mw e consome apenas 24,9 restando disponível uma capacidade de 23,1. No que diz respeito ao número de estabelecimentos comerciais em actividade o governante também considera que os mesmos estão ainda aquém das necessidades face a densidade populacional, principalmente a nível dos municípios.

“Se nos centros urbanos se assiste a uma reactivação do comércio formal, no meio rural a actividade mercantil desenvolvida pelo comerciante licenciado tem pouca expressão, o sistema de comercialização das produções mais difundidas são da permuta individual, a venda de produtos à beira da estrada ou em mercados fora e dentro de povoados e o comércio informal ou paralelo”, disse.