A produção do algodão caroço na província do Kwanza-Sul atingiu, no período 2010-2012, cerca de uma tonelada, de um total de três mil hectares disponibilizado como área de cultivo.

Esta iniciativa da firma África Sementes, empresa de direito angolano, resulta de uma parceria entre a empresa espanhola Euro Semilles e a nacional Mundo Verde. O modelo empresarial da empresa incorpora a colaboração de pequenos agricultores da cultura de algodão.

O objectivo da África Sementes é apostar na produção sustentável de algodão para garantir matéria-prima às fábricas de descaroçamento deste produto, à indústria têxtil e para exportação. Neste momento a empresa apoia mil famílias produtoras de algodão através de um canal de irrigação num percurso de 45 quilómetros no Chol Chol.

Segundo o responsável da empresa, Luís Faceira, na primeira fase de implementação do projecto agro-industrial a companhia preparou mil e 500 hectares destinados à apoiar camponeses nas comunidades de Cholo Cholo, Duy (ambas no Sumbe) e Denda, município do Porto Amboim. Esse trabalho foi desenvolvido em parceria com o Ministério da Agricultura.

Na opinião do engenheiro agrónomo Domingos Nazaré Veloso, técnico do Ministério da Agricultura, a actividade da empresa supracitada reveste-se de um papel importante no processo de revitalização da cultura de algodão no país, que outrora foi um dos produtos-chave da economia angolana e da indústria têxtil.

“O algodão é o futuro ouro branco do interior do país. O Kwanza-Sul é a única província a produzir este importante produto”, afirmou Domingos Veloso, para mais adiante acrescentar que trata-se de uma commodity que oferece inúmeras vantagens, como o facto de poder ser produzido em paralelo com culturas alimentares.

Incentivo à indústria têxtil
A implementação de projectos agro-industriais para a produção do algodão é um dos objectivos do Executivo, e está a ser executado pelo Ministério da Indústria em parceria com o Governo sul-coreano. A intenção é revitalizar as fábricas África Têxtil em Beguela, Satec no Dondo, Kwanza-Norte, e Textang em Luanda.

Actualmente, o país gasta anualmente mais de 25 milhões de dólares com a importação de 20 mil toneladas de algodão fibra. Para substituir a importação, está a ser implementado um programa de reabilitação da indústria têxtil nas províncias de Luanda e Benguela. Projecta-se igualmente a criação de uma fábrica de descaroçamento e prensagem no Kwanza-Sul e outra de fiação na província de Malanje.

Conforme indicações dos promotores desta iniciativa, a unidade fabril pretende atingir 300 mil toneladas anuais de algodão caroço, sendo que 100 mil serão destinadas à indústria têxtil e 200 mil à indústria de óleo alimentar, farinha de bagaço e ração animal.