Depois de um longo período de estiagem, a província do Cunene quer voltar em força com a produção agrícola, sendo que nesta época, a intenção é desbravar 250 mil hectares de terra, com a envolvência de 120 mil famílias camponesas, seis municípios nomeadamente Cahama, Cuanhama, Curoca, Cuvelai, Namacunde e Ombadja.
Para o efeito, cerca de 130 toneladas de sementes diversas para distribuição às famílias camponesas, na província do Cunene estão envolvidas na época agrícola 2019/2020, mais 105 toneladas em relação ao período anterior.
No acto de lançamento da campanha agrícola que aconteceu na passada sexta-feira, na comuna do Chiedi, município de Namacunde, o governador da província do Cunene, Vigilio Tyova, pediu o engajamento dos camponeses no cultivo da terra para aumentarem a produção agrícola e criarem bases alimentares.

Época muito produtiva
Dados do Inamet indicam que o volume de água a nível da província do Cunene poderá chegar aos 800 milímetros, mais 200 em relação ao normal (600 milímetros) e caso se concretize esta previsão, poderemos ter uma campanha agrícola muito produtiva.
O Cunene registou no dia 13 de Outubro, chuva moderada depois de 12 meses de seca extrema.
Vigilio Tyova sublinhou que objectivo para este ano é melhorar a produção da campanha agrícola anterior, que ficou comprometida, sem colheita nos 205 mil hectares onde estiveram envolvidos 99 mil camponeses, devido a escassez de chuva. Entre as sementes constam 50 toneladas de massango e igual número de massambala, 20 de milho e 10 de feijão. Já nos fertilizantes estão preparados 60 toneladas de adubos tipo NPK, 40 de ureia, 40 de aldeburgha e 20 de sulfato de amónio.
A província do Cunene conta este ano com quatro brigadas de mecanização agrícola, equipadas com 20 tractores com respectivas alfaias, cinco mil charruas, 1.500 catanas, 900 enxadas europeias, 600 limas e 250 machados. As brigadas equipadas com 20 tractores com respectivas alfaias, permitirá impulsionar a actividade dos camponeses, pois haverá mais produção e menos esforço.
As brigadas vão actuar a nível dos seis municípios da província, sendo de capital importância no processo de preparação dos 250 mil hectares de terra aráveis para campanha agrícola 2019/2020.
Este ano, o objectivo passa pelo reforço dos apoios no sentido de assegurar as famílias no acesso aos instrumentos de trabalho com vista a aumentar a produção e bons resultados na fase da colheita.
Devido a escassez de chuva no Cunene, a campanha agrícola 2018/2019 ficou comprometida, sem colheita nos 205 mil hectares onde estiveram envolvidos 99 mil camponeses. * com Agência

Aproveitamento hídrico
capaz de relançar a agro-pecuária

A província tem no rio Cunene um forte potencial de aproveitamento hídrico que pode relançar o sector agro-pecuário.
Na lavoura temporária o destaque está no cultivo da melancia, milho, massango, trigo, arroz e soja. O clima oceânico temperado permite ainda a existência de culturas de uva de mesa e hortícolas. Tais actividades só são possíveis graças à irrigação, usando as águas das bacias do Cunene e Cuvelai-Omuramba, além da barragem do Calueque.
Já na pecuária para o corte e leite, há uma relevância principalmente na criação de gado, suínos e cabras; ainda existe a criação de aves para carne e ovos, além da pesca fluvial.
O rio Cunene atravessa as terras de Angola e da Namíbia, servido como traçado natural da fronteira Angola-Namíbia.

Prejuízos da seca
Cunene conta com um milhão de cabeças de gado afectada pela seca que assola a região, desde Outubro de 2018, que já matou cerca de 30 mil animais, entre bovinos, caprinos e suínos.
Cerca de 387 mil cabeças de gado bovino, dos 472 mil concentrados nas zonas de transumância, a maioria estacionada nas áreas da Cafima, Cubate, Mupa, Chivemba, Canganda, Mucupe, Sopia e Chipa, por falta de água e pasto provocada pela seca que assola a região desde Outubro de 2018, estão sem ser vacinadas desde Outubro, contra várias doenças, devido a falta de
vacinas na região.