Um total de 60 obras públicas estão paralisadas, na cidade do Cuito, na província do Bié, por falta de dinheiro, nos últimos anos, assegurou o governador da província, Álvaro Manuel de Boavida Neto.
O templo da Sé Catedral, pertencente a igreja Católica, a piscina pública entre outras infra-estruturas, são apenas algumas referências das obras que se encontram paralisadas há mais de cinco anos.
Os preços dos materiais de construção civil, a nível da província do Bié são apontados, também, como uma das principais causas da paralisação de muitas obras públicas e privadas.

Venda de material

Durante uma ronda feita pelo JE, nas lojas de materiais de construção civil, na cidade do Cuito, o preço dos varões de 1o e 15 centímetros, está no valor de 1.500 a 2.500 kwanzas, cada.
O preço do bloco 10 e 12, nas fábricas dos “chineses”, está no valor de 150 e 170 kwanzas (sem contar com o transporte dos meios).
Os estrangeiros de nacionalidades senegalesas, malianos e libaneses, são os que dominam este tipo de negócio.
O saco de cimento cola está a ser comercializado a três mil kwanzas, enquanto que o cimento normal custa 2.500.
Em relação aos inertes, principalmente a areia e brita, os preços variam de acordo com a tonelagem da viatura que o cliente necessita.
A unidade industrial privada denominada “Safri- comercial”, que fabrica chapas, carteiras, cadernos e outros materiais de construção civil está a comercializar a chapa de zinco, no valor de 1.166 kwanzas, por metro.
O mercado paralelo está a comercializar as chapas de zinco de três metros, no valor de quatro mil considerado caro para “muitos bolsos”.

Mercado do Chissindo

O maior mercado paralelo do Chissindo, que fica na zona periférica da cidade (aproximadamente três quilómetros do centro do Cuito), é o local onde várias viaturas de médio e grande porte estacionam, transportando inertes para a construção.
João Chinossole, de 38 anos de idade, motorista e comerciante de areia e brita, disse que “a carrinha Canter de areia grossa está a ser vendida por 10 mil kwanzas”.
Uma viatura canter cheia de brita está no valor de 30 mil kwanzas, explicou.
O comerciante de outros materiais de construção civil, como o maliano Mohamed Sancara, informou que, na sua loja, “o tubo de 15 polegadas está no valor de 3 mil kwanzas e o de 20 no valor de 3.500”, numa diferença de 1.500 em comparação há cerca de seis meses.
Segundo contou o comerciante, a escassez do dólar para a importação dos materiais de construção, no exterior do país está a dificultar a aquisição para a sua comercialização.

Sonho da “casa própria”

António Chissamba, 35 anos, professor do ensino secundário, há 7 anos que está a viver na casa de renda, lembrou que começou a construir a casaprópria , com a tipologia T3, no bairro Azul, há dois anos, “não consigo terminar por falta de condições financeiras”.
O professor assegurou que teve de concorrer no projecto habitacional da cidade do Cuito, denominado “Horizonte do Cuito”.
De acordo com o professor, a situação financeira actual “está difícil prever a conclusão da obra”, por isso “concorri para a compra de um apartamento, na centralidade Horizonte, para fazer com calma a minha futura casa”.