O projecto que visa garantir maior fluidez no tráfego e da mobilidade que se pretende para a província de Luanda passa também pela construção da ponte para o Mussulo, cujo processo de demolições devia ser desde agora colocado na agenda central do Governo, olhando para a futura indústria turística do país.
Esta constatação foi recentemente avançada pelo engenheiro de construção civil, António Venâncio, na sua conta do Facebook.
De acordo com o especialista, seriam necessários cerca de 20 anos para a conclusão de um projecto ambicioso desta envergadura.
“Ainda alimento esperanças de que o Mussulo venha a ser um dos pontos turísticos mais visitados do mundo”, afirmou.
António Venâncio aclarou que não existe em África uma reserva igual a do Mussulo, o que lhe confere um certo potencial turístico, aliado à sua posição geográfica e pelas condições climatéricas e ambientais que possui.
Defende que muitas das condições e as potencialidades destruídas na Ilha do Mussulo ainda podem ser totalmente recuperadas e repostas tal como eram antes da independência do país, em 1975.
“Angola merece um ponto turístico referencial respeitado no mundo, e o Mussulo ainda tem cura”, assegura o responsável.
Por essa razão, considera também ser urgente uma decisão férrea de se apostar no turismo como fonte de divisas para o país, “nada de pressas, mas devagar se vai ao longe”.

Promover o turismo
Dados do Plano Director da península do Mussulo a que o JE teve acesso, prevê a duplicação para 400 camas de alojamento, construção de vários resorts e vivendas, criação de reservas ambientais e essencialmente “tuk-tuk” eléctricos para deslocações no interior.
Através de uma consulta pública apresentada em 2016, o Plano contempla ainda a construção entre 2019 e 2021, de três novos “resorts”, sendo dois de quatro estrelas e um de cinco.
O projecto prevê ainda a construção, entre 2020 e 2032, de 100 vivendas, cada uma contará com uma área de 2.500 metros quadrados (m2), 175 (1.500 m2), 100 (800 m2), 75 casas geminadas (300 m2) e 50 apartamentos (75 m2), assim como a construção de novas escolas, centros médicos e instalações da Polícia e Bombeiros.
O objectivo é tornar o Mussulo como destino turístico nacional e internacional, prevendo-se uma profunda limpeza das áreas de praia, com base num modelo que concentrará mais de 80 por cento da população local na área do turismo e cerca de 10 por cento nas actividades ligadas à pesca.
O Mussulo está localizado a Sul de Luanda, sendo uma restinga envolvida por uma série de pequenas ilhas. No lado continental, de águas calmas, ideais para a prática de desportos náuticos, existem complexos turísticos, casas de praia e uma enorme quantidade de coqueiros.
No lado oceânico, com o mar de águas limpas, mas muito agitadas, existem praias de areia branca e quase desertas, habitadas apenas por pescadores nativos.
O Mussulo é um banco de areia com cerca de 35 quilómetros de comprimento formado pelos sedimentos do rio Kwanza, na costa Sul de Luanda.
A restinga da ilha abriga a baía do Mussulo que alberga três ilhas no seu interior, sendo a ilha dos Padres a maior e mais conhecida.

MAR SEGURO

O Ministério dos Transportes lançou em Dezembro, a “Operação Mar Seguro”, que é um compromisso nacional, de forma a fazer vincar a ordem plasmada em instrumentos legais, para a protecção dos mares, praias e espaços do domínio público.
A “Operação Mar Seguro” visa melhorar a segurança dos utentes das praias da orla marítima de Luanda, a protecção do ambiente marinho em todo o território nacional, em particular na península do Mussulo, assim como a premente necessidade de repor a ordem.
A todos os detentores e usuários de meios e de infra-estruturas na orla marítima, nomeadamente pontes-cais, lotes ou espaços, embarcações, motas aquáticas e afins, deverão regularizar e homologarem os seus bens e equipamentos junto do IMPA.