Alcançada a paz em 2002, um dos compromissos de maior impacto socioeconómico do programa de governação compreendia o transporte de pessoas e grandes quantidades de mercadorias a preços baixo. Neste contexto, o Executivo angolano lançou um desafio, que teve como pano de fundo, a reabilitação e modernização dos principais eixos ferroviários que o país dispõe.

Tratam-se dos Caminhos-de-ferro de Luanda (CFL), de Benguela (CFB) e o de Moçâmedes (CFM). O processo tutelado pelo Ministério dos Transportes tem estado a contribuir para a redução das assimetrias regionais. Por exemplo, nos últimos 12 meses, foram inauguradas mais de 100 novas estações ferroviárias nas três vias-férreas.

CFL
O Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL), fundado em 1888, tem uma extensão total de  424 quilómetros (km), ligando Luanda a Malanje. O projecto de reabilitação teve início em 2005, e a sua reinauguração oficial aconteceu em finais de 201o, com a chegada a Malanje do comboio experimental.

Em 2011 estendeu-se a circulação do comboio trâmuei até à Baia, numa extensão de 34 kms, (Textang/Baia). Em 2011, iniciou-se a exploração comercial até Malanje, com a circulação de três comboios (ida/volta), sendo dois expressos e um interestações. Desde a sua modernização, o CFL tem trabalhado, para aumentar o número de passageiros no serviço de médio e longo curso, bem como pretende incrementar a quantidade de carga transportada em todos os eixos em que circula, com a reabertura da circulação no interior do Porto de Luanda.

Dados da empresa pública indicam que, no ano passado, o CFL realizou 6.71 viagens de comboio nos três serviços, suburbano (Bungo/Catete), médio curso (Bungo/Dondo) e longo ( Bungo/Ndalatando/Malanje), tendo transportado mais de 3,3 milhões de passageiros, registando um aumento significativo no número de passageiros transportados em relação a 2012, que se situou em cerca de 1,5 milhões de passageiros. Quanto à mercadoria, a empresa transportou 23.880 toneladas, com realce à carga contentorizada e pequenas remessas de populares.

Compromisso
Com o elevado crescimento socioeconómico do eixo em que opera, o CFL perspectiva a curo prazo, construir novas infra-estruturas de apoio aos seus serviços. Segundo dados, estima-se que até 2015, a movimentação de passageiros atinja os cinco milhões/ano e o transporte de mercadorias alcance as 1,5 milhão de toneladas/anos, no eixo Luanda/Malanje.

Neste contexto, a empresa prevê a construção de um ramal a partir da estação de Cacuso, para ligar ao pólo agro-industrial de Kapanda, para de um lado aproveitar as grandes potencialidades na transportação de carga, levando a maquinaria do Porto de Luanda para este importante centro, permitindo também o escoamento da produção para os centros urbanos como Luanda, Ndalatando, Malanje até à sua exportação através da unidade portuária de Luanda.

CFB
Com 100 anos de existência, o CFB, com 1.301 quilómetros de linha, é a única ligação ferroviária da África Central ao Atlântico. A sua reconstrução e modernização constituíam um imperativo para não só alavancar o desenvolvimento de Angola, como também contribuir para o progresso de vários países da sub-região continental.

Há 12 anos, a empresa ferroviária de Benguela estava reduzida aos 34 km entre o Lobito e Benguela (ramal de Benguela) e algumas linhas de acesso a armazéns e indústrias do Lobito, com aproximadamente 18 km. Com o objectivo de restabelecer o tráfego de passageiros e mercadorias em todo percurso da linha do CFB, do Lobito ao Luau (fronteira com a República Democrática do Congo), de forma a responder aos novos padrões de uma via-férrea moderna, o Executivo angolano adjudicou a empreitada das obras de reabilitação e modernização à China Railway 20 Bureau Group Corporation (CR-20).

A consignação da obra estava avaliada em 194,7 mil milhões de kwanzas (2 mil milhões de dólares), num projecto que teve o seu início no ano de 2008, envolvendo a desminagem, reposição de linhas, construção de pontes e construção de estações. Foram reabilitados 1.155 km de via, tendo sido contruídas 32 pontes e 42 pontes estações e apeadeiros.

Actualmente, o comboio já circula do Lobito até à fronteira com a RDC. Com a conclusão da obra, a capacidade projectada da via será 4 milhões de passageiros/ano e de 20 milhões de toneladas/ano, incluíndo minério proveniente da RDC e da Zâmbia.

CFM
Com uma extensão de 907 km, a linha do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, existe há 1º8 anos, e é uma das maiores em África. O CFM liga a província do Namibe à do Kuando-Kubango, passando pela Huíla. As obras de reconstrução tiveram início em 2006, num financiamento através da linha de crédito de 116,8 mil milhões de kwanzas (1,2 mil milhões de dólares).

A reconstrução contempla a construção de 56 estações de importância diversa ao longo do traçado. No quadro da reabilitação das infra-estruturas ferroviárias do país, o Executivo angolano aprovou dois grandes projectos para o CFM, com o apoio da China e da Índia.

A parceria com o Governo indiano visa fundamentalmente a formação de pessoal nos domínios de electricidade, mecânica, sinalização e telecomunicação bem como assistência técnica e fornecimento de material circulante. Com o Governo da China o projecto de cooperação teve início em 2006 ainda está em curso, e visa a reabilitação e modernização do CFM, a cargo da empresa China Hyway.

Dados disponíveis indicam que, em 2013, foram transportados mais de 34.000 passageiros e 16 toneladas de mercadoria, pelo CFM, entre as províncias de Namibe/Huíla e Kuando-Kubango. A previsão de transporte de mercadorias era de 590 toneladas mas foi de apenas 16 toneladas devido a algumas paralisações que serviram para modificar e colocar alguns meios na via-férrea. Um dos ganhos a se registar é o número de empregos que o CFM criou, num total de 1.497 trabalhadores.