Cerca de 10 autocarros estão disponíveis para que os candidatos possam adquiri-los e servirem para a transportação de pessoas e bens, no casco urbano da cidade de Malanje. O director do Gabinete provincial dos Transportes, Tráfego e Mobilidade Urbana, Edgar Ndala, assegurou que o modelo dos autocarros é adaptado àquilo que é a mobilidade urbana. “Trata-se de um modelo de transporte mistos com um grupo de pessoas sentadas e outra em pé, num total de 74”, disse. Os potenciais candidatos, assegurou, vão ter de cumprir com alguns requisitos, como serem empresas legalmente constituídas, de âmbito nacional, desde que tenham uma filial na província de Malanje, demonstrar capacidade financeira. “Vão ainda ter que a curto prazo licenciar os meios com seguros, bem como ter as licenças urbanas, além de não serem devedores na Administração Geral Tributária e no Ministério dos Transportes, por conta dos outros processos de distribuição de autocarros já existentes a nível do país”, alertou. O preço fixado para um autocarro é kz 58 milhões, que devem ser pagos de forma faseada, durante dez anos, sendo 2,9 milhões para a primeira prestação e 461,9 mil para as amortizações mensais. O processo de candidaturas vai entrar em acção num período de 15 dias.

Operadores reagem
O preço de cada um dos 10 autocarros está fixado não foi bem “digerido” pela classe empresarial local. José João Rafael, proprietário da empresa “JJR”, que opera nesta província há vários anos, considerou o valor elevado, tendo argumentado que nem todos têm capacidade para a sua aquisição. “Um autocarro custar mais de kz 50 milhões, não conhecemos a eficiência do mesmo em termos de qualidade, porque se forem aqueles meios que só duram 6 meses, ninguém vai ter a possibilidade de poder fazer o pagamento na sua totalidade, conforme está estipulado no espaço de “10 anos”. O exemplo é dos meios anteriores que nós temos. Estamos a gastar mais na oficina e não naquilo que podíamos adquirir para fazer a liquidação imediata”, disse. Referiu que dos meios adquiridos em 2002, alguns deles ainda resistem porque o material é de qualidade. “O fabrico daqueles carros é muito diferente em relação a esses meios recém-chegados. No caso, os kz 50 milhões, o carro que só anda seis meses e avaria, como é que este utente vai ter possibilidade de pagar os mais de 50 milhões?”, questionou José João Rafael. A problemática das peças de reposição cuja resposta por vezes não é encontrada no mercado local, aliada à alta de preços praticados também preocupa o empresário.
“Nós pagamos kz 1,4 milhões pela reparação de um carro e ainda não tinha ganho esse dinheiro. Isso é que desencoraja muitas vezes as pessoas, acabando por desistir e arrumar os meios”, desabafou. O empresário sugere que por ocasião das importações, é sempre bom realizar consultas, pedir opiniões às pessoas e permitir a aquisição de meios fiáveis e que sirvam para muito tempo.
Apesar destas condicionantes, ainda assim, José João Rafael garante que a sua empresa vai concorrer para a
aquisição dos autocarros.