A implantação dos projectos estruturantes, que visam melhorar a qualidade de vida dos habitantes, são alguns dos pontos fortes que constam do plano urbanístico da comuna do Dongo, município da Jamba, na província da Huíla.
O plano está a ser desenvolvido desde finais de 2016, pela administração local e tem também como objectivo criar novos serviços sociais, principalmente nos domínios da saúde, educação, vias de comunicação, distribuição de água potável e fornecimento de energia eléctrica à comunidade local.
O administrador comunal do Dongo, João Mbinda Tchongolola, explicou ao JE que o programa em curso está a ser desenvolvido, com vista à implantação de projectos estruturantes, que vão garantir o desenvolvimento sustentável.

Recursos abundantes

A comuna tem uma rica rede hidrográfica constituída pelos rios Cunene, Kusso, Kussava, Colui, Ossi, Mbamba, Cuvangue, Mahiva e Mucuiu que têm um grande potencial para a captura de peixe, além de caudais suficientes para a prática da agricultura.
De 1954 a 1975 foi um celeiro da província na produção de cereais, sobretudo o milho. Destaca-se também o feijão, sorgo, gergelim e outros produtos do campo.
Actualmente, a escassez de recursos financeiros, além de alfaias e inputs agrícolas, tornam o sector “pouco produtivo”.
O ramo pecuário, destaca-se a criação de gado, sobretudo o bovino, que constitui uma das grandes riquezas da região.
Dados de 2013 apontam na existência de mais de 18 mil cabeças de gado bovino, seis mil caprinos, dois mil suínos e 150 ovinos existentes, e um total de 512 criadores controlados.
João Mbinda Tchongolola disse que notabiliza-se na comuna, a existência de muitos apicultores, usando técnicas tradicionais, dificultando de certa maneira a exploração adequada do produção do mel.
A protecção da flora tem sido um dos grandes desafios da administração local, dado o elevado índice de abate anárquico das árvores por parte dos habitantes, para o fabrico de madeira e confecção do carvão, sem o cumprimento das regras ambientais, de repovoamento florestal.
Salientou ainda que a fauna também tem passado por “dias piores”, sendo que os seus recursos têm sido “dizimados dia após dia”, pelos caçadores furtivos, que utilizam caçadeiras.

Apoios

O responsável disse que o sector da energia eléctrica regista dificuldades. A comuna conta apenas com um grupo gerador, na sede, com capacidade de 110 kva, numa altura em que a procura está estimada acima dos 900 kva.
Quanto ao fornecimento de água potável, o administrador comunal do Dongo revelou que se observa melhorias substanciais, principalmente na captação, tratamento e distribuição às comunidades.
Na indústria e geologia e minas, o administrador informou que a paralisação da empresa de prospecção mineira de ferro “AEMR” bem como algumas firmas chinesas ligadas à extracção de inertes tem dificultado o normal funcionamento destes sectores.
No domínio habitacional, João Mbinda Tchongolola realçou que o parque imobiliário colonial foi destruído pela guerra civil, restando apenas escombros.
“Desde a Independência apenas foram construídas na comuna seis habitações, um centro de saúde, um posto de saúde, três escolas e um posto policial, o que totaliza 11estruturas”, apontou.
O sector do comércio conta com cerca de 33 agentes licenciados, que exercem a actividade na sede da comuna e povoações, coadjuvados pelos vendedores ambulantes que exercem o “comércio rural” em toda a extensão da comuna.

Vias de acesso

A malha rodoviária da comuna compreende a estrada nacional 280, bem como as vias inter-municipais, comunais, nos troços Kassinga/Chipindo/Caconda, Dongo/Chipindo e Dongo/Tchicuaganda “Kassinga-Calonga”.
Com excepção da EN 280, as secundarias e terciárias carecem de reabilitação, principalmente as pontes e pontecos.
No que toca ao sector dos transportes, o administrador realçou que os comboios dos Caminhos-de-ferro de Moçamedes têm facilitado “sobremaneira” a circulação de pessoas e bens.
“No transporte rodoviário, a comuna conta apenas com o apoio dos privados que desenvolvem serviços de táxi”, indicou.
No domínio das telecomunicações, a telefonia móvel UNITEL tem garantido as comunicações a nível da comuna, ligando-a com o resto do mundo.

Compromisso

O governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, que visitou , recentemente a comuna, disse à imprensa que a criação de infra-estruturas é um dos principais desafios, sendo que tudo está a ser feito para o relançamento do desenvolvimento da região.
Indicou que a construção e conclusão dos projectos no sector da Energia e Águas, Saúde e Educação nas aldeias, comuna, municípios e cidades, vão continuar a merecer atenção do Governo.
Garantiu que o Executivo está empenhado na promoção de um crescimento equilibrado e sustentável, medida que visa acabar com as assimetrias regionais.
Dongo conta com uma população estimada em mais de 43.898 habitantes.
A comuna é potencialmente rica em recursos turísticos, que bem ser aproveitadas, através da atracção de investimentos. Actualmente, o sector da Hotelaria e Turismo conta com uma unidade.
Nos encantos turísticos destaca-se as belas paisagens dos rios, as quedas dos rios Katchimuti, Kaveto, Kandjivale, Lissua Lya Ngumbe, as águas térmicas do Cataly, as grutas do Kawe, a lagoa da Pedreira e a Missão Católica do Matomé.