As micro-empresas angolanas estão mais ousadas e como que imparáveis no cumprimento da susa missão de negócios. Ressentem às dificuldades que gravitam sobre a economia, desde a exiguidade de financiamento, escassez de divisas e outros, mas nem por isso marcam passo atrás. Cada uma, na sua área, mantém a firmeza, persistência e fé num futuro “bom”, que passa por redobrar as iniciativas e fazer das dificuldades uma “janela” de oportunidades para o progresso, empregando jovens.
A mentalidade de investir parece ter se adaptado ao tempo a muita gente, pois já não há  “negócios milionários”. Com poucos recursos faz-se e bem, um determinado projecto social e económico.
Quem não se lembra dos “jardins milionários”, que aos poucos se tinham tornado uma prática em quase todas às províncias. E do tempo que os jardins quase não representavam peso no orçamento do Estado? Faz parte do passado.
O exemplo, vem da Centralidade do Kilamba, município de Belas, onde numa dada altura os jardins foram vandalizados e transformados em lugares de crime, prostituição, e outros males para a economia.
Para restituir a imagem inicial, sete empresas apresentaram projectos à administração local, para dar vida e valor à verdadeiros espaços verdes.
Foi assim que há dois anos a empresa “Cubanfree” , de Roberto Rodrigues, investiu 9 milhões de kwanzas para reabilitar um espaço de 4,38 hectares de área verde, no largo Agostinho Neto, no Kilamba.  Para o sucesso do projecto, Roberto Rodrigues, director do projecto, conta com a participação de 16 jovens, entre carpinteiro, jardineiros e pintores que mantém o vínculo laboral com o espaço “Nueva Gerona”, nome com que foi baptizado.
Nas primeiras horas da manhã crianças e jovens usufruem da brisa do local.

Nueva Gerona
Porque Nueva Gerona? Realça que, surge para homenagear mais de 18 mil estudantes angolanos, que se formaram na Ilha de Cuba, e  têm de eleição o local “para matar saudades” da terra do “Caiman”, nome conhecido pelos antigos estudantes da Ilha Caribenha.
Antigos estudantes de Portugal encontram acolhimento no espaço. No princípio, conta que foi “difícil”, diz ter encontrado todas às infra-estruturas que suportam o lugar como casa de banho, sistema eléctrico, lancis, cadeiras destruídas.
Com os poucos recursos, e apesar de forças de “bloqueio”, o objectivo foi alcançado”, disse.
O retorno do investido passa pelo aluguer do espaço, com valores a rondarem os 100 mil kwanzas durante 24 horas. Desde baptizados até casamentos. Com 10 anos para explorar o espaço, conforme atesta o contrato, é desta forma que ele consegue pagar o salário dos trabalhadores, e manter o jardim impecável e lindo.
Todas as semanas centenas de pessoas recorrerem ao “Nueva Gerona”, em busca de lazer e respirar “oxigénio”.  Recentemente, foi palco do congresso católico em Angola,
Na perspectiva de rentabilizar o espaço nos próximos dias, está agendada a realização de feira de livros, actividades alusivas ao herói nacional Agostinho Neto, exposição de artes plásticas, concursos de dança e karaoke.
A gestão pretende de igual modo conectar o sistema “WiFi” (livre) para beneficiar às pessoas que frequentam o espaço, possam ter acesso à internet e promover leitura ao ar livre.
O “Nueva Gerona”, vai dar formação profissional à jovens a custo zero.
Silva Simões um jovem de 24 anos, trabalha no local há já algum tempo, considera que o projecto tem muita importância na sua vida por ser a principal fonte de sustento da sua família.
“Aqui era um mato, tudo estava cheio de capim. Com o trabalho que se está a fazer, tornou-se um lugar apetecível de se ficar “, disse.
Na mesma condição está Albertina Luvemba, jovem de 21 anos, também reconhece ser uma oportunidade para ganhar a vida.

Contraste
O contraste  encontra-se no espaço de jardim defronte a administração. O lucro rápido, falou alto. Os proprietários dos espaços, colocaram roullotes, barracas, e outras formas de facturar.  Descaracterizaram o jardim, consta que todos os males que graçam a sociedade faziam morada no novo espaço.
 Foram ignorados todos os apelos que pendiam para inviabilizar o projecto. Muitos jovens encontraram emprego, mas as regras contratuais foram ignoradas o “ganho falou mais alto”, contam alguns.
O kilamba tem 24 jardins infantis, e oito casas de banho localizados nos diferentes espaços verdes e estão fechados, vandalizados e inoperantes.
Para manter a imagem dos jardins, a administração local fechou os estabelecimentos  comerciais, roullotes que estavam nos jardins.

Espaços verdes reduzem custos com a saúde

O ambientalista Basílio Sandala defende que a manutenção dos espaços verdes pode reduzir os gastos com a saúde.
Explica, que um cidadão investe muito dinheiro comprando aparelhos de congelação, e medicamentos quando devia poupar conservando
a natureza.
O aquecimento global, e o surgimento de doenças, também podem ser acautelados.
“Podemos poupar e evitar muita coisa com o verde: Temos oxigénio, e respiramos ar puro assim estamos a poupar dinheiro”, disse.
Assim como incentiva a preservação do meio ambiente e  reabilitar os espaços verdes.
A banca angolana deve ser parceira, por ser uma área que emprega muita gente.
“O desemprego em Angola passa pelo apoio às micro-empresas como às de
economia verde”.
É possível, reduzir à importação de medicamentos, que  anualmente custa
milhões de dólares.
“A capital angolana precisa de repôr a vegetação para amenizar a temperatura”, frisou.
Por isso lerta que, os espaços verdes não devem ser transformados em áreas comerciais.
“Angola ganha muito com os espaços verdes, atraem turistas, os jovens deixam de estar na deliquência.
Há mais saúde, poupamos dinheiro e temos mais tempo de vida que é bem maior”.
Basílio Sandala acrescenta para que haja mais investimento e formação no
ramo do ambiente.   
“Eu sou contra os estabelecimentos comerciais, sobretudo barracas e roulotes que são colocados no recinto dos espaços verdes de Angola”. AE