A Empresa  Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) prevê no seu plano de acção, o incremento do acesso à energia eléctrica nas áreas urbanas, sedes de municípios e zonas rurais, até ao ano de 2022.
A meta é ter uma taxa de electrificação de 50 por cento, duplicar o actual número de clientes, atingindo 2,6 milhões de clientes.
Segundo um documento da Ende, pretende-se garantir uma taxa de electrificação de 25 por cento em cada província, além de alargar o sistema eléctrico público das sedes de município.
O programa estratégico que está a ser desenvolvido pelo Ministério da Energia e Águas alinhado no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018/2022, contempla uma gama de projectos estruturantes, que vão garantir a ligação de mais 586.726 clientes, no período 2019-2020.
Para o efeito será “necessário a mobilização de recursos financeiros para novos projectos e atender 800 mil novos clientes a partir de 2020”.

Cobertura do serviço
Nos cerca de 164 municípios do país, a Ende está presente em 72, sendo que a meta para 2022 é a extensão do serviço para 106 sedes de municípios.
As províncias da Huíla, Cuanza Sul, Bié, Uíge, Huambo e Benguela agregam um total de 52 municípios sem presença da Ende. A  extensão dos serviços em 84 por cento do total de municípios de cada uma destas províncias, permite a empresa cumprir com a meta de chegar com o serviço a 106 municípios até 2022.
Para se alcançar este propósito, o foco dos investimentos vai para as províncias com maior densidade populacional e com menor dispersão dos municípios em termos de distância.

Redução das perdas
Até 2022, a meta é não existir clientes em regime de avença (contratos de prestação de serviços) e redução dos clientes dos BT em pós-pago para menos 50 mil. Prevê-se a redução da perda de energia total na distribuição para valores inferiores a 30 por cento.
A participação privada em matéria de distribuição municipal e rural é um dos desafios do Sector Eléctrico, sendo para isso necessário o desenvolvimento de parcerias com pelo menos 40 agentes da Ende para a gestão das sedes de municípios interligadas.

Investimentos em curso
Com vista a garantir melhor eficácia no controlo e monitorização integrada da rede de distribuição, a Ende está a realizar investimentos que visam a criação de estruturas de centros de despacho numa primeira fase nas regiões Norte/Luanda e a posterior nas regiões Centro/Sul/Leste.
A acção visa dotar gradualmente os centros de despacho assim como as suas instalações primárias (Subestações) dos automatismos necessários para supervisão e comando remoto, garantindo desta forma a redução dos tempos de indisponibilidade da rede e consequente melhoria na arrecadação de receitas.

Acesso à electrificação
A energia distribuída no I semestre de 2018 representou 58,1 por cento de toda a energia distribuída no ano de 2017, correspondendo um aumento de 21 por cento em relação ao período homólogo.
Luanda foi a região que maior contribuiu com cerca de 74 por cento, do total de energia distribuída seguida das regiões Centro com 9,92 e Norte com 9,09.
O maior centro de consumo, Luanda, registou um aumento de 28 por cento da energia distribuída. Verificou-se um decréscimo de 17 por cento e quatro nas regiões Leste e Norte, respectivamente.
A energia adquirida, no ano 2017 registou um decréscimo de menos 0,96 por cento, comparativamente a 2016, motivada pelos trabalhos de enchimento da albufeira do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, originando restrições significativas nas barragens de Cambambe e Capanda, com maior enfoque para os primeiros meses do ano, resultando num decréscimo da energia distribuída em menos 1,06 por cento.
O I semestre de 2018, comparativamente ao período homólogo, registou um incremento de 20,7 por cento e por consequência um aumento da energia distribuída em 21, fruto da maior disponibilidade de geração resultante do reforço de Cambambe e entrada em serviço de Laúca.  

Sistema pré-pago
O sistema pré-pago está presente em 17 das 18 províncias, com um universo de mais de 347 mil contadores instalados e mais de 318 mil clientes activos e a comprarem recargas.
A Taxa de cobertura do pré-pago é de 26 por cento do total de clientes. As província de Luanda e Bengo (maior centro de consumo do país), o sistema pré-pago está presente em 10 municípios e distritos, com mais de 193 mil contadores instalados e mais de 180 mil clientes activos (a comprarem recargas), representando 14 por cento do total de clientes e 55,62 dos contadores instalados.
Malanje é a província com a maior taxa de cobertura, onde 80 por cento dos clientes da Ende têm o sistema pré-pago. Em Luanda, o distrito urbano do Rangel tem a maior taxa de cobertura
de clientes, com 73 por cento.

Facturação
A facturação no I semestre de 2018, representou 52,72 por cento de toda a facturação do ano de 2017 e um aumento de nove por cento em relação ao período anterior.
Em 2016, a facturação da Ende situou-se nos 49,4 milhões de kwanzas e 2017 (49,1). Durante o I semestre de 2017 a cifra atingiu 23,7 milhões de kwanzas e no período homólogo (I Sem/18) nos 25,4 milhões,
um aumento de nove por cento.

Electrificação apresenta bons indicadores


A irregularidade no pagamento dos subsídios aos preços pelo Estado constituiu um factor de constrangimento que fez com que, a Ende não tenha recursos suficientes para de forma sustentada fazer face às necessidades básicas das suas actividades.
Segundo revela uma fonte,os furtos de energia e a fuga ao pagamento também têm estado a originar o fraco índice de arrecadação de receitas, com margens altas de perdas comerciais registadas na ordem de 39 por cento no I semestre de 2018.
Apesar destes constrangimentos resultantes da instabilidade da economia nacional, a empresa pública focou o seu trabalho na melhoria dos processos para garantia de melhor execução dos serviços prestados, contenção dos custos operacionais, bem como a expansão e reforço da rede eléctrica, visando o aumento do acesso apesar dos poucos recursos disponíveis.

Objectivos estratégicos
No seu plano estratégico, a Ende pretende incrementar o acesso da população e das empresas à electricidade, com o propósito de satisfazer a procura e aumentar a taxa de electrificação.
Está ainda em forja o incremento da distribuição dos activos e do acesso às redes, numa acção que visa realizar e optimizar os investimentos necessários para a expansão sustentada da rede de distribuição e facilitação dos acessos a ela. O programa contempla ainda optimizar a facturação e cobrança de energia, além de reduzir as perdas na rede e acabar com as ligações ilegais.