Até finais de 2018, a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) controlava, um milhão 478 mil 836 clientes em 76 dos 154 municípios, correspondendo a uma taxa de electrificação de 36 por cento, um incremento desde 2014.
Um documento do Ministério da Energia e Águas refere que, de um milhão 478.836 de clientes controlados actualmente pela ENDE apenas 385.702 estão no sistema de contadores pré-pago.
Essa taxa de electrificação não é homogénea ao longo do país, com 75 por cento em Luanda e apenas 8 no Bié.
De acordo com o relatório de execução dos programas do sector, que tem como base o Plano de Desenvolvimento Nacional 2018/2022, a contagem do consumo de energia da maioria dos clientes ainda é feita por estimativa.
O ritmo de electrificação nos últimos anos sofreu com a crise financeira, uma vez que entre 2015 e 2016 apenas foram inseridos na rede pública 92 mil novos clientes e no I semestre de 2017, cerca de 29 mil novos clientes.
Espera-se que o ritmo de electrificação acelere em virtude de novos projectos entre 2018 e 2019, financiados por linhas de crédito, recentemente lançados nas províncias de Cabinda, Zaire, Luanda, Benguela, Huambo e Huíla.
Estes projectos perfazem um total de 377.040 novos clientes a inserir na rede pública de electricidade.

Regulação e comercialização

O sector eléctrico em 2016 foi altamente deficitário, com os recebimentos obtidos de clientes de 36,9 mil milhões de kwanzas a representarem apenas 41 por cento do total dos custos da Empresa Pública de Produção de Electricidade (PRODEL), Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT) e ENDE e apenas 15 por cento do total dos custos do sector se forem considerados também os combustíveis adquiridos à Sonangol.
Esta situação insustentável torna difícil um adequado funcionamento das empresas do sector e a prestação de um serviço de qualidade.
A situação actual é resultado de tarifas baixas, que não têm sido actualizadas, de subsídios não canalizados para o sector, de elevadas perdas técnicas e comerciais e de uma excessiva dependência da geração baseada em gasóleo.
Por esta razão, o sector eléctrico regista perdas técnicas e comerciais anuais de 53 por cento resultantes de perdas técnicas no transporte de 6, perdas técnicas e comerciais na distribuição de 22 e uma (diferença entre a energia comprada e facturada) na ordem de 36 por cento a nível de cobrança.
A nível das perdas técnicas e comerciais, verifica-se uma ineficácia muito elevada entre a facturação e a cobrança, o que pode ser explicado parcialmente, por uma reduzida penetração do contador pré-pago.

Falta de verbas atrasa projectos

O número de projectos em curso no sector da Energia é significativo, sendo que muitos deles sofreram atrasos devido às restrições orçamentais, estando ainda em fase de implementação.
A fonte acrescenta que apesar dos financiamentos assegurados, o sector tem vivido, nos últimos anos, uma situação difícil de falta de recursos orçamentais, levando a que os projectos sejam executados a um menor ritmo, e consequentemente, vejam os seus prazos de conclusão postergados para mais um ou dois anos. Esta situação degradante gera custos acrescidos tanto para os empreiteiros
como para o Estado angolano.
A nível da produção o destaque recai para os grandes projectos como Laúca, Ciclo Combinado do Soyo, Caculo Cabaça, assim como o programa de reforço urgente de geração no âmbito das Linhas de Crédito da GE, do Afreximbank e da China com reforços de potência num total de 575 MW e a implementar até no fim do ano em curso. Luanda 100 MW, Huambo 50, Benguela 90, Menongue 56, Namibe 56. Há ainda outros projectos em curso nas sedes de municípios, como Saurimo com 44 MW, Luena 20, Cuito 24, Cabinda
(reabilitação) 35 e Ondjiva 31.
Adiciona-se a estes projectos, a central hidroeléctrica de Luachimo, cuja construção teve início em 2017 e deverá estar concluída em 2021.
A nível do transporte, estão em curso ou em fase de conclusão os projectos de interligação Norte-Centro ao Reforço de 400 KV entre Laúca e Belém do Dango, linha de 220kV entre Cambutas e Gabela, e Quibala/Waku Kungo, assim como a linha de transporte de 400 entre Laúca e Catete.
A nível da distribuição, foram lançados, no âmbito da Linha de Crédito com a China, seis novos projectos de electrificação e ligações domiciliárias em Luanda, Cabinda, Zaire, Benguela, Huambo e Huíla.

INTERLIGAÇÃO LAÚCA/huambo REDUZ CUSTOS COM a PRODUÇÃO DE ENERGIA

A interligação entre Laúca/Waku Kungo/Huambo e Cuito permitiu já reduzir em cerca de 4,4 milhões de dólares norte-americanos mensais, os custos de produção da energia eléctrica nessas cidades.
Segundo uma nota do Ministério da Energia e Águas (MINEA) a que o JE teve acesso, essa redução resulta da eliminação do Diesel na produção de energia eléctrica, bem como dos encargos com a operação e manutenção das centrais térmicas.
Este projecto, que se insere no Plano Nacional de Desenvolvimento 2018/2022, almeja potenciar o aumento do acesso das populações à energia eléctrica, a cobertura das necessidades de desenvolvimento do sector económico e produtivo, bem como o desenvolvimento da Rede Eléctrica Nacional.
Não obstante o quadro de escassez de recursos financeiros, este e outros projectos estruturantes, continuam a registar desenvolvimentos permitindo assim, a gradual expansão do acesso aos benefícios da electricidade e redução dos inerentes custos.
Desafios
A fonte indica que o sector prevê-se, que essa tendência de reversão de custos com a redução da geração de energia térmica, conheça maiores progressos ainda no decorrer do presente ano, com a conclusão da interligação entre Cambambe e Benguela, cujos trabalhos têm conclusão prevista para Julho.
A construção do novo corredor da linha de transporte em alta tensão, entre Laúca/Waku Kungo/Huambo, permitirá, igualmente, a alimentação do Bié, alcançando-se assim um dos grandes objectivos do Ministério da Energia e Águas, que é a interligação do sistema Norte ao Centro, criando condições para a futura ligação ao sistema Sul, ou seja, para contemplar à província da Huíla, particularmente para a cidade do Lubango, principal centro de consumo.
No quadro deste projecto, o Waku Kungo, na província do Cuanza Sul começou a receber energia eléctrica a partir do AH Laúca desde finais de Fevereiro, e a sua população já tem acesso aos benefícios daí resultantes nos domínios de bens e serviços.
Por outro lado, a cidade do Cuito, capital do Bié, dispõe de energia eléctrica a partir de Laúca desde 7 de Abril, a que se seguiu os municípios do Huambo e da Caála, desde 12 de Abril.