O sector de Energia e Águas recebeu no quinquénio 2013/2017 investimentos do Estado no valor de 13 mil milhões de dólares norte-americanos, que incidiu, numa primeira fase, na expansão da capacidade de produção.
Dados do director do Gabinete de Estudo, Planeamento e Estatística do Ministério de Energia e Águas, José Salgueiro, em declarações ao programa radiofónico de orientação económica “Azimute”, da Rádio Nacional de Angola (RNA), indicam que 80 por cento deste investimento destinou-se ao sub-sector eléctrico, enquanto os 20 por cento foram para construção de novas infra-estruturas e ampliação do sistema de águas.
Associado ao programa de aumento da capacidade de produção, estão em execução os projectos de transporte de energia para os principais centros consumidores, visando interligar os três sistemas do país, designadamente Norte, Centro e Sul.
Disse também que com o arranque da central de ciclo combinado do Soyo, com capacidade de 750 MW, procura-se aproveitar da melhor maneira o gás explorado nos campos petrolíferos do país e diversificar a matriz energética de Angola.
O responsável acrescentou que a estratégia de alargamento da matriz energética é reduzir significativamente os custos de produção.

Retorno dos investimentos
Em relação ao retorno dos investimentos feitos pelo Estado, indicou que numa primeira fase o sector vai procurar trabalhar na eliminação gradual da subsidiação dos preços.
No mesmo programa, o presidente do conselho de administração dos Serviços de Electricidade e Águas (IRSEA), Luís Mourão, questionado se o investimento feito já se repercute na qualidade de vida do cidadão, sublinhou que os reflexos começarão a se verificar na vida do cidadão quando houver mais capacidade operacional.
‘’Com os investimentos que estão em curso na Barragem de Lauca, com duas turbinas operacionais, vamos também ter o ciclo combinado do Soyo, no Zaire, e assim que tivermos um volume maior, quer na produção, quer na distribuição vai fazer com que os custos operacionais que são redistribuídos na tarifa para o cliente sejam menores’’, explicou.
De acordo com o gestor do IRSEA, em relação a esta situação, os investimentos que são realizados pelo Estado não têm retorno, por haver uma subvenção ao cliente final, porque a tarifa na sua composição não vai de encontro com o capital investido.
Revelou que o Estado não tem o retorno do capital investido e além do subsídio concedido às empresas, também existe a subvenção dos combustíveis.
“Sendo assim, a tarifa de Angola comparativamente aos restantes países da região Austral do continente e os da Língua Oficial Portuguesa, tendo em atenção o câmbio, está a 2,5 cêntimos de dólares, enquanto a Namíbia e a África do Sul estão com 7 e 8 cêntimos de dólar”, explicou.

Reajuste nos preços
O sector aguarda pelo reajuste que possa colocar Angola ao nível dos 6 a 7 cêntimos de dólares (cerca de 14 kwanzas) para permitir que as empresas se tornem rentáveis.
Luís Mourão considera crítica a situação que está a ser vivida pelas três empresas públicas de electricidade, nomeadamente a Empresa de Produção de Electricidade (PRODEL), Rede Nacional de Transporte (RNT) e Empresa Nacional de Distribuição de Energia (ENDE), porque têm de adquirir acessórios, assim como enfrentam dificuldades de intervir para a recuperação de avarias.
Neste contexto, pretendem a alteração do quadro, dando a possibilidade de o cliente pagar o valor real daquilo que consome.