O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, revelou que o seu pelouro está a estudar medidas para tornar o sector cada vez mais rentável.
João Baptista fez estas declarações em exclusivo ao JE, no final da cerimónia que marcou o arranque da segunda turbina da barragem hidroeléctrica de Laúca, que vai incrementar 330 megawatts de energia para o sistema nacional.
De acordo com o ministro, a rentabilização do sector da Energia e Águas passa pela redução total ou gradual da subvenção do Estado, estimada em cerca de 80 por cento.
Segundo o ministro, caso se efective esta medida, o cidadão passará a pagar o valor total do consumo de energia e água.
Para o titular da pasta, o plano de rentabilização do sector que contou com a participação do Ministério da Economia concluiu que o mesmo pode gerar renda para a sua auto-sustentação.
Durante o levantamento, disse, os peritos estimaram em 10 cêntimos de dólar por cada quilowatt por hora, contra os actuais.

Receitas

Actualmente as receitas produzidas pelo sector não são suficientes para suportar a procura em termos de produção, transporte e distribuição.
Actualmente, revelou, o sector regista perdas estimadas em 25 por cento, pelo que considerou importante a aceleração do plano de instalação de contadores pré-pago destinados a melhorar o sistema de arrecadação de receitas.
“Precisamos melhorar os mecanismos de controlo das receitas através do contador pré-pago”, disse.
O país continua a registar elevados custos de produção de energia eléctrica devido a utilização de combustível, “diesel”.

Projectos estruturantes

Por outro lado, o ministro João Baptista Borges desenvolveu uma intensa actividade de campo, durante o fim de semana passado, tendo constatado o funcionamento das barragem hidroeléctrica de Capanda e Laúca (Malanje) bem como Cambambe (Cuanza Norte).
Em Laúca, o ministro testemunhou o arranque da segunda turbina da barragem, que doravante passa a produzir 660 mega watts de energia eléctrica, contra os 330 quando tinha em funcionamento apenas um único grupo gerador.
Quando entrar em fuincionamento em pleno, em 2018, a barragem de Laúca, localizada na província de Malanje, vai produzir um total de 2.070 megawatts de energia eléctrica.
A infra-estrutura vai abastecer as províncias de Malanje, Cuanza Norte, Bengo e Luanda, numa primeira fase. Na segunda fase, a barragem de Laúca vai abastecer as provincias do Cuanza Sul e Uíge.
De acordo com o calendário do Ministério de Energia e Águas, a primeira turbina entrou em funcionamento em Agosto e a segunda em Outubro.
As restantes turbinas, seguir-se-ão até 2018, altura em que o sistema vai colocar em funcionamento, seis turbinas que vão produzir 2.070
megawatts de energia eléctrica.
De recordar que o projecto Laúca está orçado em 4,3 mil milhões de dólares norte-americanos, e faz parte do projecto “Angola Energia 2025”, destinado a aumentar
a oferta energética do país.
De acordo com o Minsistério de Energia e Águas, este projecto tem como meta, aumentar a potência instalada de dois gigawatts para 9,9 para atender 60 por cento da população.

Alguns constrangimentos

O presidente do Conselho de Administração da Empresa Pública de Produção de Electricidade (PRODEL), Manuel Diogo, sublinhou que, actualmente, a barragem hidroelectrica de Capanda, em Malanje, está a produzir 260 megawatts de energia eléctrica, contra os 390 megawatts de capacidade instalada, nos três geradores.
Segundo avançou, o empreendimento hidroeléctrico conta com 14 máquinas, que representam uma capacidade instalada de 520 megawatts
de energia eléctrica.
O gestor contou que o actual défice está relacionado com fracas chuvas que estão a se registar, provocando a diminuição do caudal do rio Kwanza.
“A barragem de Capanda está a registar uma redução significativa em termos de produção de energia eléctrica, dada a escassez de chuvas que se regista um pouco por todo o país”, justificou.
Por seu turno, o administrador da Empresa Nacional de Distribuição de Energia Eléctrica (ENDE), Hélder Adão, aproveitou a ocasião para denunciar as sucessivas acções de vandalização de cabos eléctricos, por parte de alguns cidadãos.
O responsável revelou que a empresa tem vindo a registar, principalmente na região Sul, da província de Luanda, causando interrupção no normal fornecimento de energia eléctrica à capital do país.
Hélder Adão convidou os munícipes a denunciar os “vândalos” para a resolução deste problema.