A Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) está a gerir um défice de mais de 650 mil metros cúbicos (m3) por dia, situação que resulta nas grandes restrições e paralisações no fornecimento de água à província de Luanda.
Segundo dados da empresa pública a que o JE teve acesso, actualmente a Epal tem uma capacidade instalada de 690 mil m3 por dia. Nas últimas semanas, Luanda tem registados várias restrições provocadas por este défice, numa altura em que as estimativas apontam que cada pessoa deveria ter um consumo médio de água diário de 200 litros.

Melhorias para breve
Para reverter este quadro de dificuldades, a empresa pretende desenvolver, ainda este ano, os projectos de água Quilonga Grande e Bita, que uma vez concluídos poderão aumentar a capacidade actual de produção de 550 mil de metros cúbicos (m3), para um
1.200.000 m3 dia.
A fonte indica que o projecto Bita reforçará a distribuição de água no Camama, Cabolombo (zona verde), Mundial, Ramiros e no futuro o centro de distribuição da Maianga, enquanto Quilonga Grande, com captação no Bom Jesus, vai reforçar a distribuição nos zangos, novo aeroporto, km 30, zona industrial de Viana, Capalanga e Centralidade do Sequele.
O projecto do Quilonga Grande e Bita são novos sistemas, com novas captações, tratamento, reserva e distribuição, a construção da totalidade destes sistemas terá, sem qualquer sombra de dúvida, um impacto enorme do acesso à água em Luanda.
Os consumidores cadastrados têm uma dívida à Epal que ronda os cerca de 60 mil milhões de kwanzas, com as localidade do Cazenga, Luanda e Viana a liderarem com as maiores dívidas.
Actualmente, a empresa pública conta com 1.600 trabalhadores, dos quais mais de 350 afectos à Confederação Geral de Sindicatos Livres de Angola (CGSILA) decidiram avançar com uma greve, que já dura quase dois meses.
A questão salarial é um dos pontos que divide os grevistas e a entidade patronal, sendo que os trabalhadores exigem um salário mínimo a rondar os 150 mil kwanzas, contra os actuais 59 mil.
Outras reivindicações prendem-se com o aumento do subsídio de alimentação e transporte, atribuição de seguro de saúde (trabalhadores e agregado familiar).

Qualidade da água
Nos últimos meses, a água que tem sido distribuída pela Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) tem sido de muito má qualidade, segundo relato de clientes.
Os moradores das centralidades do Kilamba, KK 5.000, Sequele e outras localidades da província queixam-se pela água “turva” que tem jorrado nas sua torneiras.
Maria António é moradora do projecto habitacional do KK 5.000. Em entrevista ao JE, a nossa interlocutora disse temer pela sua saúde.
“A água que está a ser consumida aqui, na nossa cidade e que vem da Epal poderá nos trazer sarna, infecção urinária e cólera. Assemelha-se mais com lama do que água. Isto é muito grave, e a Epal não nos diz nada”, desabafou.

Abastecimento de água
O Plano estratégico da empresa pública prevê para o período 2018/2022 a cobertura de 85 por cento em toda a extensão da província. Para assegurar os vários projectos são necessários cerca de 3 mil milhões de dólares.
O Plano revela que a região de Luanda continua a registar um crescimento demográfico acentuado o que contribui para que as infra-estruturas da província fiquem sobrecarregadas, e o sistema de abastecimento de água da cidade não seja excepção.
“Muitos esforços têm sido feitos no reforço, reabilitação e ampliação dos sistemas existentes, sendo que há a destacar os projectos de Bita e Quilonga que se apresentam neste momento como os projectos mais importantes no abastecimento de água à cidade de Luanda”, destaca a fonte.
Dados apontam que a maior “fatia” do investimento dirigiu-se para o reforço da capacidade de fornecimento de água da zona Sul e Leste de Luanda, numa altura em que foi garantida parcialmente a cobertura financeira para a construção dos novos sistemas com recurso a linha de crédito da China.

Projectos em curso
A nível do abastecimento de água para a província de Luanda o destaque recai para o projecto que já tem financiamento garantido, com realce para as Estações de Tratamento de Água (ETA) de Cacuaco e Candelabro
e Luanda Sudeste-Cassequel.
Está também em curso a reabilitação das ETA de Luanda Sudeste e Sul, a rede de distribuição e ampliação do sistema de abastecimento de água Km 44, Capari, Bom Jesus, Benfica II e Cabire. Está em execução a construção do Centro de Distribuição (CD) da Sapu, Aeroporto, Candelabro e condutas adutoras, Morar e instalação de condutas adutoras, CD da Vila Flor e a conduta da ETA do Kilamba.
O plano prevê ainda a execução e reabilitação do CD do Marçal, construção da rede de distribuição de água do Bita Tanque Vacaria, implantação de redes de distribuição e ligações domiciliares nas novas redes, implantação de redes terciárias e ligações domiciliares, redes existentes.

Seis mil milhões
de dólares para água

O Plano de Acção do sector da Energia e Águas prevê a nível global um investimento para o período 2018/2022 de cerca de 23,030 milhões de dólares, dos quais 19,474 milhões serão feitos através do Programa
de Investimento Público (PIP).
Do investimento proveniente do PIP, cerca de 30 por cento está dedicado ao segmento das águas. Este contempla um investimento de cerca de 6,082 milhões de dólares, sendo 3,423 milhões relativos a projectos em curso e 2,659 milhões em novos projectos, exclusivamente através do Programa de Investimentos Públicos.

Programas estruturantes
O PIP para o quinquénio está dividido em três programas de desenvolvimento e seus sub-programas, sendo o primeiro que visa a expansão do abastecimento de água em zonas urbanas e rurais.
Destaca-se os sub-programas prevê-se o abastecimento de água à cidade de Luanda, as sedes provinciais e sedes
municipais e áreas rurais.
O segundo contempla a gestão sustentável do sector da água, onde se prevê o programa de desenvolvimento institucional, planos de bacias, de acção imediata e monitorização
dos recursos de combate à seca.
Por último o programa de reabilitação e expansão dos sistemas de recolha e tratamento de águas residuais, que compreenderá o sistemas de recolha e tratamento de águas residuais na cidade de Luanda e os sistemas de recolha e tratamento de águas residuais nas sedes provinciais, municipais e outras centralidades.
De 2015 a 2018, foram empregues para o programa “Água para Todos” 46,6 mil milhões de kwanzas.