Plano director para os próximos dois anos prevê aposta na canalização ao domicílio para permitir o acesso a cerca de um milhão de consumidores da cidade capital.

A Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL) prevê, para os próximos dois anos, canalizar água potável para cerca de um milhão de consumidores da cidade capital. Esta garantia foi avançada, domingo, pelo presidente do Conselho de Administração da empresa, Leonildo Ceitas, quando falava ao programa “Espaço Público” da Televisão Pública de Angola (TPA).

Conforme disse, esta medida permitirá que se ultrapasse a actual cifra de pouco mais de 150 mil consumidores controlados e que procedem ao pagamento regular do seu consumo, contra as previsões de aproximadamente 300 mil potenciais clientes.

Contudo, o responsável da EPAL acredita que com um pouco de responsabilidade e participação colectiva na resolução dos problemas comuns, os consumidores furtivos podem ajudar a melhorar o actual quadro que o sector das águas na província apresenta, uma vez que, com mais receita, se pode, igualmente, melhorar a eficiência e a eficácia dos serviços prestados pela empresa.

“Luanda tem um défice de água muito grande, mas estamos a trabalhar para ver superado este défice, razão pela qual temos actuado em coordenação com outros sectores junto dos especuladores que se dedicam ao garimpo deste líquido”, disse.

Estudo pormenorizado

Leonildo Ceitas explicou que, neste momento, está feito um estudo pormenorizado da situação de distribuição à cidade capital, facto que permitirá a apresentação rápida de soluções que, paulatinamente, vão aliviar a pressão que se exerce sobre o sector. Estão, igualmente, identificadas as empresas que vão garantir a materialização dos programas concebidos no plano executivo da cidade e que fazem antever bons momentos até provavelmente 2013-2014.

Com estas intervenções de grande vulto, está também garantida a operacionalização do total de mais de 10 mil quilómetros de rede de água, remodelada atráves de um processo de substituição da rede antiga que data desde a administração colonial.

A EPAL admite que após a implementação destes projectos, Luanda vai conhecer melhoria com efeito imediato junto das populações que vivem nos últimos tempos períodos difíceis no que respeita ao abastecimento de água.

“As redes lançadas nas zonas do Cazenga, Ilha do Cabo, Miramar, Sambizanga, Benfica e outros pontos importantes da cidade vão permitir uma nova viragem ao funcionamento da rede de distribuição ao domicílio”, garante.

Sectores transversais

Uma das preocupações que o presidente do Conselho de Administração da EPAL, Leonildo Ceitas, levantou tem a ver com o facto da água servir de sector transversal ao da energia eléctrica e vice-versa. Pelo que, os constantes cortes de electricidade à cidade capital, ora para manutenção, ora para soluções de avarias, também afectam a produção das centrais de captação.

Neste sentido, avançou que os contactos junto das operadoras de electricidade, nomeadamente a Empresa Nacional de Electricidade (ENE) e a Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda (EDEL) são feitos no sentido de garantirem, de forma concertada, a manutenção dos sistemas de abastecimento de água e de electricidade, respectivamente.

Soluções previstas

Para se materializarem todas as intenções já avançadas, a administração da EPAL tem em vista o reforço das zonas de distribuição, através da edificação de novas centrais de captação e tratamento ou mesmo a abertura de novos furos para permitir que, essencialmente, as famílias da zona peri-urbana possam beneficiar de um abastecimento aceitável.

O aumento e melhoramento da capacidade de abastecimento por via de camiões cisternas, através de girafas é outra das soluções imediatas que constam nos programas de curto e médio prazo do sector em Luanda.

Assim sendo, a zona Sul da cidade é apresentada como sendo o ponto já identificado para a construção de novas girafas.

Acções concertadas

Leonildo Ceitas garantiu que a EPAL está a trabalhar de forma concertada com o Ministério do Urbanismo e Construção para garantir que nos novos projectos habitacionais esteja garantida a distribuição domiciliar da água. De igual forma, trabalham em conjunto para que naqueles bairros abrangidos pelos programas de requalificação em curso a intervenção na rede de distribuição seja efectuada na perspectiva de manter apenas a sua operacionalização, deixando para outras etapas a aplicação de novos investimento para o melhoramento dos serviços.

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