Oitocentos e quarenta milhões de kwanzas é o montante que a Empresa Pública de Água e Saneamento do Bengo (EPAS) precisa para potenciar com meios técnicos e de trabalho para garantir o bom funcionamento do sector. Segundo o administrador técnico da EPAS, José Gonçalves Jorge, este montante que visa saldar algumas dívidas faz parte do orçamento elaborado e que foi entregue ao governo da província, para ser incluído numa rubrica do OGE 2020. Constituída há três anos, a empresa pública se encontra numa situação “difícil” devido a crise económica e financeira que o país atravessa. A empresa que esteve na eminência de declaração de falência técnica, está com uma dívida de 32 milhões de kwanzas, dos quais 14 milhões com a ENDE e 18 milhões com a empresa fornecedora dos produtos químicos para o tratamento de água.

Actuação
A nível de Caxito e Porto Quipiri, a EPAS conta com quatro mil ligações domiciliárias, bem como 3.900 clientes com contratos, sendo que fornece água para uma média de seis mil consumidores. Com uma produção a volta dos seis mil metros cúbicos de água/dia, equivalente a seis milhões de litros de água/dia, Caxito, apresenta um superavit de produção de água, tendo em conta que a sua população não chega a consumir 50 por cento da produção. A titulo de exemplo, informou, o sistema de água do Porto-Quipiri nas 24 horas do dia, apenas opera pouco mais de 8 horas, ou seja, apenas um terço da produção normal. A cidade de Caxito possui o sistema de água das Mabubas (o principal) com uma capacidade diária na ordem dos 5.300 metros cúbicos (m3)/dia, a estação de tratamento da açucareira com 420 m3/dia e a do Porto-Quipiri com 185 m3/dia. O responsável informou que nem toda a produção é aproveitada pois existem muitas perdas técnicas e comerciais. As perdas comerciais decorrem pelo facto de num universo de 11 mil ligações (consumidores) existirem a penas 4.300 clientes (consumidores com contratos e que pagam) ou seja a empresa perde uma facturação de sete mil clientes. A empresa tem como perspectiva imediata, a recepção dos sistemas do Capari e Panguila que, em termos de água, ainda pertencem a EPAL, no âmbito da descentralização e desconcentração do poder local.