A escassez de cimento para construção civil que se assiste a nível do município do Soyo, província do Zaire, e no país em geral, preocupa os cidadãos ao se verem impossibilitados de ter a casa dos “sonhos”.
Segundo apurou o JE, no mercado da cidade do Soyo, o preço de um saco de cimento de 50 quilogramas (kg), com destaque para a marca “Cimangola”, a única que ainda aparece nas casas de venda, está fixado em 2.400 kwanzas, contra os 1.150 que era praticado, há cerca de três meses.
De acordo com o revendedor Kiaku Nzolameso, na região, a carência de cimento elevou o preço de um saco de 50 kg a 2.700 kwanzas em finais de Agosto e princípios de Setembro, mas actualmente, desceu para 2.400, contra os 1.150, antes da diminuição da oferta, situação que complica o consumidor final que não tem capacidade financeira que suporte este preço.
“Nós os revendedores, compramos o cimento aos chineses que trazem a partir de Luanda. Por exemplo, neste momento os chineses vendem o saco de 50 kg da Cimangola a 2.300 kwanzas, e nós revendemos ao consumidor final ao preço de 2.400. Antes da escassez os chineses vendiam o saco a 900 e nós revendíamos a 1.150”, contou, depois de ter acrescentado que com o actual preço tudo complicou-se, já que “vendemos muito pouco, porque o consumidor não tem dinheiro”.
Kiaku Nzolameso disse ainda que, a situação dos preços “fugiu do controlo de todos, depois do cimento chinês ter desaparecido do mercado”, o que levou a todos a dependerem apenas da produção interna, cuja capacidade está aquém de satisfazer a demanda.
Para ele, o Governo deveria velar pela importação de mais cimento chinês como outrora, no sentido de equilibrar o mercado e facilitar os cidadãos construírem por conta própria, porque as centralidades não foram construídas em todas as províncias.
“O nosso Governo deveria permitir mais importação do cimento da China como antigamente para o povo poder construir as suas casas, uma vez que, as centralidades não foram construídas em todas as províncias, por exemplo, aqui no Zaire, onde cada um poderia ir concorrer para ter uma casa”, apelou.

Preços elevados
Por seu turno, Dadinho Víctor, cidadão que pretende ver concluída a sua residência, disse ao JE que, a falta de cimento na região, elevou o preço do produto a níveis assustadores e complicou o seu projecto de construção e de muitos outros, que vinha levando a cabo na região.
“Está um pouco mais difícil para nós os compradores continuarmos as nossas obras de construção. Antigamente comprávamos a um preço mais acessível, concretamente a 1.150 kwanzas, o saco de 50 kg e, com a queda na oferta elevou para 2.700, até princípios de Setembro”, disse.
O nosso interlocutor adiantou que “nos últimos dias o preço começou a descer e está agora a 2.400 kwanzas, o que para nós continua alto se tivermos em conta o poder de compra do cidadão.
Para continuar as obras de construção da sua residência, segundo Dadinho Víctor, tem sido obrigado a acumular o ordenado mensal num período de três meses para posterior comprar dez sacos de cimento e outros materiais, situação que alastra o tempo dos trabalhos e adia o seu sonho da casa própria.
“Acho que o Governo deveria tomar medidas preventivas ou estipular o preço de um saco de cimento a níveis sustentáveis financeiramente para o cidadão comum, com vista, a possibilitar-nos conseguirmos erguer uma casa com o nosso salário”, augurou.
Dadinho Víctor revelou que nos últimos dias, o preço está a registar uma “ligeira descida”, mas continua aquém das possibilidades de muitos cidadãos.
De salientar que, a escassez de cimento a nível do município petrolífero do Soyo, elevou também o preço dos blocos comercializados pelas fábricas locais, sendo que o de 10 centímetros (cm) está ser comercializado a 90 kwanzas, contra os 75. O de 12 cm saiu de 80 para 100, ao passo que o de 15 cm está fixado em 110, contra os 90. O de 20 cm a 120 contra 100.