O mercado de escritórios de Luanda deverá atingir o patamar de um milhão de metros quadrados em 2016, devido aos avultados investimentos que têm sido feitos neste segmento, nos últimos 13 anos.

Segundo um relatório de mercado imobiliário “Angola 2015”, denominado “Zreport-Angola Property Market”, realizado pela empresa Zenki Real Estate, a que o JE teve acesso, revela que a zona Baixa da cidade de Luanda vai ganhar um stock de 1.488.500 metros quadrados (m2) de escritórios, repartidos entre 248 mil m2 na zona de Talatona e 2.240.500 m2 também em Luanda, onde se incluem 660 mil m2 que resultam de um levantamento físico realizado em 2009.

Já os valores apurados pela empresa Abacus no relatório realizado em parceria com a JLL são bastante superiores, cifrando-se nos 1.553.000 m2, contabilizando a entrada de 41 mil m2 de novos escritórios concluídos no centro de Luanda e de 23.500 m2 concluídos em Talatona.

Contrariamente ao que se verifica no final do ano passado a taxa média de disponibilidade (desocupação) no mercado de escritórios de Luanda situa-se em torno dos 8,15 por cento no final de 2014, havendo zonas como talatona, onde este indicador terá atingido os 23,74 por cento , de acordo com Abacus.

Em termos globais arrendar um escritório em Luanda terá ficado mais barato no ano passado, com uma descida média de 12,4 por cento nos valores a pagar o que se ficou a dever sobretudo a um aumento da oferta disponível.

Dando conta de um de um abrandamento mais ou menos generalizado nos das rendas em 2014, com excepção a zona da Praia do Bispo, a Zeneki explica esta situação com uma absorção mais lenta do produto imobiliário e um desfasamento sazonal entre a procura e a oferta de escritórios.

Segundo estes especialistas, na viragem do ano os preços para a venda de escritório rondariam os 12 mil dólares/m2 na zona baixa a mais procurada, ao passo no caso do arrendamento os valores “prime” rondariam os 160 m2 USD/mês. Apesar deste ajustamento nos valores de mercado, Luanda continua a ser uma das cidades a nível mundial para se instalar escritórios.

Luanda do futuro
No próximo mês será lançado oficialmente, pelo Governo da Província de Luanda, o Plano Geral Metropolitano de Luanda, que terá uma execução de 15 anos, divididos em quatro fases e com acções que visam tornar a capital do país uma cidade moderna, com desenvolvimento sustentável e boa qualidade de vida.

Dada a previsão do crescimento populacional, passando de habitantes de 6,5 para 12,9 milhões até 2030, o plano aponta a construção de 1,4 milhões de casas, além de 13 novos hospitais, 160 centros de saúde e de 1.500 escolas.

Para atender a demanda o plano foi definido em três pilares que consistem tornar Luanda mais habitável, bonita e internacional.
Com a implementação de equipamentos e serviços essenciais, infra-estruturais como escolas, parques, assim como a preservação do ambiente e o património cultural, bem como o carácter urbano e a sua identidade e torná-la numa cidade pólo económica para a África áustral.

Melhorar a mobilidade, implementação de uma rede de serviços sociais, saneamento, esgotos, energia, telecomunicações, água e o tratamento do lixo.

O plano preconiza ainda o melhor uso e racional dos solos com áreas específicas para residências, indústrias, protecção do ambiente, desenvolvimento rural, requalificação urbana e melhor habitabilidade para as pessoas, principalmente nas zonas de risco, devido as inundações e deslizamentos de terra.

O plano director prevê ainda o incentivo ao investimento, emprego e conta com o envolvimento do sector público/privado nacional ou estrangeiro.

Melhorar a mobilidade, implementação de uma rede de serviços sociais, saneamento, esgotos, energia, telecomunicações, água e o tratamento do lixo.

Face às dificuldades de mobilidade que se regista diariamente na capital, com longas filas de trânsito e reduzidas ofertas de transportes públicos como alternativa, este plano, de acordo com a responsável, prevê obras em 446 quilómetros de estradas primárias e 676 quilómetros de vias secundárias, um sistema de comboio suburbano com 210 quilómetros e 142 quilómetros de corredor para trânsito exclusivo de transportes públicos.

A necessidade de fornecimento de electricidade é outra prioridade do plano de desenvolvimento para Luanda, que define a urgência de garantir uma potência de 5.600 MegaWatts (MW), contra os actuais disponíveis 1.700 MW.

Esse acréscimo será garantido através de novas centrais hidroeléctricas e térmicas em construção e ainda com quatro linhas e 15 novas subestações de transporte.