O arquitecto Felisberto Amado considera “bastante” pertinente e oportuno, o convite feito pelo ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas D’Abreu, a empresas ferroviárias e técnicos do sector português, a se juntarem e colaborarem com as empresas angolanas do ramo do transporte ferroviário para a sua expansão da rede.

Num artigo publicado, recentemente, no site da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento dos Sistemas Integrados de Transporte (ADFERSIT), intitulado “Agarrrar o futuro: assegurar a mobilidade das pessoas e das mercadorias”, Ricardo Viegas D’Abreu, apela os empresários portugueses a contribuirem com o seu conhecimento na expansão e modernização do transporte ferroviário de Angola.
Em entrevista ao JE, o também docente universitário e especialista em infra-estruturas, Felisberto Amado, destaca que os portugueses são conhecedores da realidade dos transportes ferroviários de Angola.
Para ele, o sector ferroviário português pode contribuir grandemente na modernização da rede e da operação ferroviária de Angola, assegurando níveis adequados de segurança e melhorando a eficiência da rede dos
transportes ferroviários.
“No fundo, tudo isto acabaria por contribuir para a melhoria da mobilidade nacional, quer a nível de passageiros, como de carga”, destaca o especialista.

Apostar na modernização


O arquitecto residente em Benguela, frisou que com Portugal, e num horizonte de médio prazo, se pode pensar também na introdução de novos sistemas ferroviários ligeiros, especialmente para circularem nas zonas urbanas.
“Sendo Portugal um país da União Europeia, e habituado a exigências e ao rigor europeu, pode contribuir bastante para a migração da nossa bitola, bem e também melhoria das nossas telecomunicações ferroviárias, que têm estado na base de muitos acidentes com os nossos comboios”, sublinha.
Tendo em conta ainda a longa experiência portuguesa no domínio deste sector, no que concerne a actividade de construção e montagem de material circulante e de outros equipamentos ferroviários, Felisberto Amado, salienta que seria uma boa oportunidade para reabilitar “as nossas oficinas, apostando igualmente na formação de mão-de-obra especializada e até avançarmos em projectos conjunto de I&D”.

Parcerias mais transparentes


Para o especialista em infra-estruturas, é chegado o momento para o país abraçar parcerias vantajosas, onde o rigor e a experiência para os recursos humanos nacionais possam ser a chave do sucesso das empreitadas.
“Quanto aos chineses e já que o país vive um novo normal, em que há uma aposta clara em corrigir o que está mal e melhorar o que está bem, penso que é momento de partirmos para novas parcerias e mais transparentes e onde os angolanos com conhecimento neste sector não se vejam excluídos”, apontou.
No quadro da sua cooperação estratégica entre Angola e a China, várias empresas daquele gigante asiático participaram na reabilitação dos 2.720 quilómetros das três linhas-férreas.
Felisberto Amado informou que muito material utilizado pelos chineses foi feito exclusivamente para Angola.
“A linha férrea ou o perfil dos carris feitos não são iguais, por exemplo, com os da África do Sul, Zâmbia e da RDC. Eles, os chineses, criaram só para Angola, isto para que doravante sermos dependentes da China, o que em termos técnicos é muito complicado”, apontou.