A situação de concorrência desleal existente na indústria cimenteira, que provocou a alta do preço do cimento e a paralisação de duas indústrias no mercado interno, pode ser ultrapassada com medidas administrativas, indicou o economista Lopes Paulo.
O técnico, que falava à Angop em reacção ao discurso do Presidente da República sobre o Estado da Nação, na abertura da I sessão Legislativa da IV Legislatura da Assembleia Nacional, disse que a situação levantada por João Lourenço pode ser entendida como administrativa e cuja resolução está ao alcance do Governo.
Apontou também a necessidade de um melhor conhecimento das causas que levaram a paralisação das fábricas de cimento, embora, disse ele, o que deu para entender no discurso do Presidente da República, sejam questões de concorrência desleal que beneficia uma empresa em detrimento de outras.
O analista de matérias económicas realçou que a concorrência não pode prejudicar os cidadãos porque o objectivo de todos operadores é servir o cidadão angolano, colocando os interesses particulares abaixo dos interesses nacionais.
Questionado se a aprovação de legislação vai resolver o enigma do monopólio, o economista diz que o problema não é a falta de legislação.
Frisou ser necessário existir uma autoridade que acompanha o processo diariamente, mas que lhe dêem competência necessária e autonomia.
Há mais de quatro meses que o cimento registou a sua maior subida no mercado angolano, passando de 1.200 kwanzas, para dois 2.500 em Luanda e 3.500 no interior do país, sobretudo na província do Moxico, decorrente da paralisação de duas indústrias de cimento.