Joaquim Suami
em Cabinda

A colheita de raízes e tubérculos, hortofrutícolas, leguminosas, oleaginosas e cereais estimada em 488 mil toneladas, para a segunda época da sementeira da campanha agrícola 2016/2017, em Cabinda, pode ser comprometida devido a estiagem que se assiste desde a II semana de Fevereiro até os finais
de Março do ano em curso.
Segundo o chefe do Departamento Provincial da Agricultura, Fernando Paca, na primeira fase da sementeira, da campanha agrícola, que se situou de 15 de Outubro a 31 de Dezembro do ano passado, houve excelentes quantidades de colheita de produtos tais como a mandioca, batata-doce, nhama, taró, banana-pão, banana fruta, milho, ginguba, feijão manteiga e macunde, devido ao volume das quedas pluviométricas observadas.
De acordo com o também engenheiro agrónomo, a estiagem que se assiste por causa da carência de chuva, pode afectar a produção desejada e contribuir negativamente no consumo e na renda das famílias camponesas.
“Em todas campanhas agrícolas, a Secretaria Provincial da Agricultura tem definido uma meta para atingir em termos de colheita e este ano, a colheita estimada em 488 mil toneladas de vários produtos, pode ser complicada”, disse.
Explicou que a mandioqueira que faz parte do grupo de raízes e tubérculos, que se plantou na primeira época de sementeira “precisa de consolidar o seu crescimento, recebendo água suficiente, o que não está a acontecer”.
Na região norte de Angola, em particular, na província de Cabinda, destacou, os meses de Março e Abril são tidos como os mais chuvosos do ano, mas, a falta constante de quedas pluviométricas vai prejudicar os agricultores locais.
“Estamos numa fase de estiagem, porque assistimos a falta de chuva durante um período prolongado e começa a preocupar-nos. Aliás, estamos acima de um mês sem registarmos
chuva na província”, precisou.
Por outro lado revelou que “também, não podemos dizer que vamos entrar num período de fome, mas, se a chuva não cair em Abril, entraremos no período seco, o que poderá tornar a vida difícil para as famílias camponesas e os consumidores dos
produtos do campo”, disse.
Para Fernando Paca, devido a pequena estiagem que se assiste neste final da campanha agrícola, os técnicos agrónomos que têm estado a visitar os campos e constatam que as diversas culturas, como o milho e mandioca, plantadas na primeira etapa da sementeira precisam de água para se fortificarem.
“Estamos a visitar os campos e constatamos que as culturas de milho e da mandioca que foram plantadas em Dezembro estão a reclamar de chuva e num período, como este, que está a fazer muito calor, as culturas precisam de água para se atingir a produção desejada. Por falta de chuva a produção de 20 toneladas de mandioca que deveríamos colher vai ser afectada”, esclareceu.

Preocupação
Mais de 36 mil famílias camponesas agrupadas em associações e cooperativas mostram-se preocupadas com a falta de chuva, o que pode diminuir os índices de colheita da mandioca, banana pão e fruta, batata-doce, nhama, taró, milho, ginguba
e feijão macunde e manteiga.
Fernando Paca disse que caso continue, a estiagem , pode prejudicar a dieta alimentar dos camponeses enquadrados na
presente campanha agrícola.
“A agricultura familiar é o segmento mais afectado pela seca, que caso se prolongue poderá baixar a produção e entrar-se num cenário de fome, porque 80 por cento da produção serve para cobrir as suas necessidades alimentares.
Pelo facto de não haver um bom ano chuvoso, a produtividade das famílias camponesas vai baixar, tendo acrescentando que os 50 mil hectares que estão a ser cultivados com produtos diversos pode ser atingido até a metade.
“Temos aconselhado os produtores a procurarem outras formas para manterem as culturas vivas, enquanto durar a estiagem. Tem sido difícil, porque, quando o agricultor instala uma cultura, ele coloca na sua mente que quem vai regar é a chuva”, precisou.
Segundo avançou, muitos produtores estão a plantar 2 a 3 hectares, de mandioca, banana, batata, feijão, milho, ginguba e “não têm capacidade para fazerem a irrigação, visto não possuirem moto-bombas. Nestas situações, os camponeses devem procura as zonas baixas onde existe alguma água para permitir a produção”.

Estiagem não afecta horticultura
A horticultura dedicada por mais de 100 unidades empresariais, num total de 500 hectares, com o cultivo de repolho, alface, tomate, pimento, pepino e beringela, não está a ser afectada pela estiagem, pelo facto do seu processo produtivo ser feito na base de irrigação.
O engenheiro referiu que a prática da hortícultura no tempo seco é melhor em relação a época chuvosa, porque facilita o processo produtivo.
“A secretaria provincial da agricultura trabalha em dois sectores, sendo os de agricultura familiar e empresarial emergente. Em Cabinda não temos verdadeiras empresas agrícolas, mas, temos iniciativas empresariais que têm emergido que se dedicam mais na hortofruticultura”, disse.
Para ele, o tempo seco é o melhor momento para que “essas empresas praticarem a sua actividade, porque se produz muito repolho, pimenta, tomate, alface, pepino e beringela. As empresas agrícolas de Cabinda dedicam-se mais esta cultura porque é uma actividade que requer uma técnica de trabalho e as empresas não sentem prejuízos da estiagem”.
Afirmou que, embora, a estiagem possa contribuir na queda da colheita, devido a carência de chuva, não vai prejudicar as empresas agrícolas porque desenvolvem a hortofrucultura com o sistema de irrigação.
Sublinhou que as quedas fluviométricas são importantes para se atingir a produção desejada.