O contributo do Porto do Lobito e da via-férrea do Corredor do Lobito no desenvolvimento económico da região Austral do Continente Africano é exaltado na mais recente edição do “Business Angola” da Euronews.
Na reportagem sobre o potencial em termos de investimento resultante da reconstrução de “uma das mais históricas” vias férreas africanas, a Euronews assinala que a infra-estrutura, ora reabilitada, surge como uma alternativa vantajosa aos portos de Dar es Salaam (Tanzânia), da Beira (Moçambique) ou de Durban (África do Sul).
No seu trabalho, o repórter Chris Burns recorda que a via-férrea do Corredor do Lobito, com uma extensão de mais de 1.300 quilómetros, reduziu o tempo de viagem, de semanas para escassos dias.
O Corredor do Lobito, que é parte do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), começa no Porto do Lobito, província de Benguela, atravessa o território angolano em direcção ao Leste e cruza as regiões mineiras da República Democrática do Congo, na província de Katanga e a chamada cintura do cobre na Zâmbia.
A via-férrea começou a ser construída em 1903 e ficou pronta em 1929. O acordo de concessão durou 99 anos. O governo de Angola recuperou a infra-estrutura em 2001, com um custo de 2,3 mil milhões de euros. Reinaugurada em 2015, a via-férrea deverá estender-se nos próximos tempos à vizinha República da Zâmbia, outro país da região rico em minérios.
De acordo a reportagem da Euronews que cita o presidente do Conselho de Administração do Caminho-de-Ferro de Benguela, dois comboios operam quinzenalmente na linha, havendo planos para se alargar a frequência para até cinco por dia.
Luís Lopes Teixeira mencionou os sectores da agricultura, indústria, construção e a criação de novas empresas, como apenas alguns dos potenciais beneficiários dessa iniciativa.
Em Luanda, a empresa de logística Early Green considera que o Corredor do Lobito é uma enorme oportunidade.
“Podemos ganhar muito tempo graças ao Corredor do Lobito. Estamos muito perto das mais importantes minas da República Democrática do Congo, logo ali, do outro lado da fronteira, é muito acessível”, sublinhou Sérgio Chambel, director operacional da empresa.
“Nas áreas mais remotas do Leste do país, onde até agora não havia estradas e onde a via-férrea foi reconstruída, as pessoas puderam encaminhar a produção agrícola para vendê-la nos municípios e províncias vizinhas. O potencial é enorme. Se houver uma indústria de transformação de alimentos, podem usar a linha férrea para enviar os produtos para as cidades, para a costa e até para exportação”, afirmou o antropólogo Jon Schubert, da Universidade Brunel de Londres, que conhece bem a realidade angolana.