A Expo-Huíla-2010, a maior bolsa de negócios do Sul do país, com 150 empresas nacionais e de alguns países africanos, europeus, americanos e asiáticos, realizada entre 18 a 22 do corrente, no complexo turístico da Nossa Senhora do Monte, no Lubango, fechou negócios estimados em 2, 5 milhões de dólares americanos.

Os empresários locais e visitantes exibiram o potencial industrial, com evidência para as pequenas e grandes fábricas de transformação de produtos, material de construção civil, agricultura, pesca e outros bens. Constam ainda os sistemas de telecomunicações, mobiliários de escritórios, habitação, transportes e produtos bancários.

Pela primeira vez, os organizadores do evento se confrontaram com a falta de espaço para atender à elevada demanda de expositores não só das demais províncias, como do estrangeiro, nomeadamente da Itália, Portugal, Ghana, Namíbia, Zimbabwe, China e Alemanha.

A feira confirmou o crescimento acelerado registado nos últimos oito anos, no Parque Industrial da Huíla, com a montagem de novas fábricas de transformação de produtos diversos e ampliação das antigas, dando à província uma certa autonomia no abastecimento de bens aos consumidores.

O surgimento de novas unidades, ampliação da capacidade produtiva das antigas indústrias, apetrecho com equipamentos sofisticados e superação com conhecimentos técnicos dos operários custaram à classe empresarial huilana e estrangeira um valor estimado em mil milhões de dólares.

As recentes fábricas e armazéns levaram à extensão do espaço do parque industrial da cidade do Lubango para as áreas da comuna da Arimba, zona da Mukanka, nas proximidades do aeroporto homónimo. Algumas áreas dos municípios da Humpata, Chibia, Matala e Gambos albergam também fábricas.

Entre as unidades fabris novas e ampliadas, o destaque vai para a Emanha, Granisul, cervejeira Ngola, Laranjinha Agro-industrial, Nova Cerâmica, Lacticínios, Água da Chela, Emadel, Frigohuila, Moatril, Nova Cimor e produtoras de material de construção e mobiliário.

Os postos de empregos proporcionados pelo desenvolvimento industrial da serra da Chela, desde a conquista da paz em 2002, rondam os seis mil directos e indirectos a mais de trinta mil pessoas. A cifra de postos de trabalho vai aumentar logo que forem executados os projectos inviabilizados com a crise económica mundial.

Empenho dos empresários

O governador da província da Huíla, Isaac Maria dos Anjos, destacou, durante a abertura da feira, a capacidade e empenho dos empresários nas tarefas atinentes ao crescimento económico e social da região.

Sublinhou que a dedicação dos empresários deve ser maior para influenciar o governo a criar as melhores condições de se desenvolver a actividade económica, criar políticas para haver, cada vez mais, juros bonificados na concessão de créditos e outros apoios institucionais.

No dizer de Isaac Maria dos Anjos, o sector desempenha o seu valioso papel por contribuir no aumento da criação de empregos em diversas áreas. Por isso, defende mais trabalho para se ter um sector empresarial forte e criativo, que possa despertar os jovens a apostarem no mundo de negócios.

Já o presidente da promotora do evento, Associação Agro-pecuária Comercial e Industrial da Huíla (AAPCIL), António de Lemos, reconheceu a dedicação e investimentos efectuados pela classe empresarial local, e não só, por engrandecer o parque industrial e tornar ainda mais dinâmica do sector produtivo.

António de Lemos disse que a ocupação de todos espaços torna a Expo-Huíla num verdadeiro exemplo do que está a ser feito, do esforço dos empresários em superar as dificuldades para a materialização de projectos diversos.

O aumento de indústrias, afirmou, contemplou também vários municípios da província, razão que demonstra a vontade dos empreendedores em contribuir para o crescimento e desenvolvimento socioeconómico do país.

Para ele, é necessário facilitar a actividade dos empresários, reduzir o processo burocrático na constituição de empresas, deixar de encarar as produtoras como violadores da lei. “É preciso tratar as empresas como centros para solução de situações e desenvolver a economia da província”, disse.

Parcerias italianas

Os empresários italianos provenientes da província de Pescara, representados na Expo-Huíla com seis empresas dos ramos da construção civil, panificação, gastronomia e outras, manifestaram-se satisfeitos em estar presentes ao certame por efectuar novas parcerias de negócios com os confrades huilanos.

O chefe da caravana italiana, Maurício Gentil, disse ao Jornal de Economia & Finanças que a sua equipa considera a Huíla uma província promissora em negócios. “Os primeiros contactos que tivemos são interessantes para parcerias em várias áreas”, afirmou.

No dizer de Maurício Gentil, as empresas italianas que estiveram na Expo-Huíla foram as melhores seleccionadas para representar condignamente a Itália, tendo apresentado produtos que agradaram os consumidores destas paragens.

Os produtores visitantes exibiram no certame material de decoração, electrodomésticos, panificadoras, fertilizantes, alimentos diversos, equipamento tecnológico, diversas marcas de vinho e outros.

Aldo Di Clemente confirmou ao JE que contactos feitos vão fazer com que vários bens produzidos na Itália possam ser exportados, directamente para a província da Huíla e ser comercializados a preços acessíveis.

“A economia angolana regista um crescimento palpável e reconhecido por várias instituições europeias, facto que tem sido motivo de atracção aos investidores internacionais”, disse, para acrescentar que os italianos também estão atentos ao mercado angolano.

Espaço para feira

Para aumentar os espaços de exposição e haver maior mobilidade de equipamento, transportes e visitantes, a direcção da AAPCIL está a projectar a médio prazo, a construção de um novo edifício na zona do quilómetro 40, nos arredores da cidade do Lubango.

A construção de um novo edifício com maior capacidade para albergar as empresas interessadas em participar na Expo-Huíla constitui o grande desafio que a agremiação vai apostar.

António de Lemos garantiu que o governo da província da Huíla já cedeu um terreno vasto na localidade do quilómetro 40 para a construção do futuro edifício da Expo-Huíla. Informou que, além do edifício para exposição, estão a projectar a criação de serviços ligados a restaurantes, hotelaria, hospedarias e outros, num projecto que será executado a médio prazo.

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