O mercado angolano conta desde a semana passada, com a primeira fábrica no pós independência, virada para a produção de sacos de ráfia de 25, 50 e 150 quilogramas para a embalagem e conservação de alimentos e material de construção.
Localizada no município de Icolo e Bengo, na província de Luanda, a unidade fabril com um investimento de quatro milhões de dólares, nesta primeira fase, foi inaugurada pela ministra da indústria, Bernarda Martins, vai apoiar o sector do cimento, agrícola (ensacar farinha de milho, trigo, mandioca, batata e frutas).
Propriedade do grupo empresarial “Imex”, a infra-estrutura tem uma capacidade para produzir anualmente cerca de 25 milhões de sacos de ráfia.
O investimento será injectado progressivamente até ao mês de Junho de 2019, altura em que se pretende que a produção atinja o “auge”, na ordem de 100 milhões de sacos por ano, com dimensões variadas.
Segundo o director-geral da “Imex”, Ramzi El Houchaimi, a conclusão do projecto marcada para 2019, os indicativos da empresa vão atingir a expansão no mercado nacional, dando assim início da segunda fase.

Projecto
A unidade foi erguida numa estrutura de 3.500 metros quadrados, sendo que a área de produção gerou 55 postos de trabalho, dos quais 51 são nacionais e quatro expatriados.
A construção durou 10 meses, e participaram 70 trabalhadores.
Fundada em 2003, a empresa para além de Luanda, já alargou o investimento para as províncias de Benguela, Huambo, Cabinda e Huíla.
A firma é especializada também no fabrico de produtos de rotomoldagem em material de polietileno, tubos e PVC e Pead de marca hipo, colchões de espuma, de molas, almofadas.
Segundo o gestor, com o início do fabrico de sacos de ráfia, a sua maior preocupação é fazer chegar o produto aos clientes a preços atractivos para apoiar o sector produtivo nacional.
Afirma que logo que o processo produtivo obtiver excedente, a aposta estará virada para o mercado externo, com destaque para os países vizinhos, numa altura em que o investimento para a segunda fase está estimada em oito milhões de dólares e a terceira em 3 milhões.
As moageiras que compram um saco no valor de 50 kwanzas, constam entre os principais clientes da unidade industrial.

Empregos garantidos
Pinto Carlos, jovem de 30 anos de idade, trabalha na empresa depois de uma “travessia” pelo desemprego de mais de um ano, considera a iniciativa louvável, já que está a ajudar muitos jovens.
“Estou satisfeito. Já posso ajudar a minha família, inclusive estou a pensar a retomar os meus estudos, porque tive que parar durante algum tempo, por causa da falta de dinheiro”, disse.
Já a jovem Teodora Afonso, também mostrou a sua satisfação por ter conseguido o emprego. Conta que passou muito tempo sem trabalhar e por muitas dificuldades para apoiar as suas duas filhas.
“Os empresários têm de investir mais para tirar a juventude do desemprego e reduzir a delinquência que apoquenta a nossa cidade capital. Precisamos disso com urgência”, frisou.
Quem alinha na mesma senda é Jelina da Rosa. A jovem aproveitou a ocasião para alertar no sentido de haver mais empregos, para jovens e os investidores devem aproveitar aplicar o seu capital neste momento de crise, para “salvar” a economia nacional, “criando muitos postos de trabalho, principalmente para a camada juvenil”.
Com muito tempo de trabalho na unidade fabril disse que “há muita gente ávida em trabalhar, por isso necessita-se de investimento e se empregue mais gente, já que as dificuldades são muitas”.
No acto de inauguração, a ministra da indústria, Bernarda Martins, referiu que o funcionamento da unidade fabril vai preencher o vazio existente na produção de sacos de ráfia no país.