O estado avançado de degradação em que se encontra a estrada nacional Nº 280, um troço estratégico que corresponde um percurso de aproximadamente 663 quilómetros, ligando Cuito Cuanavale/Mavinga/Rivungo/Fronteira está a inviabilizar investimentos do sector privado, na Área Transfronteiriça de Conservação Okavango-Zambeze (ATFC KAZA), componente angolana.
Em entrevista ao JE, o coordenador nacional executivo do projecto, Rui Lisboa, revelou que a actividade turística na componente angolana está condicionada com a construção de postos fronteiricos no Bico de Angola e no Bwabwata-cheto, assim como a melhoria da acessibilidade no principal troço turístico transfronteiriço que deverá ligar a fronteira de Bwabwata, às localidade de Luiana-Sede, Boa Fé, Benorio e Bico de Angola, onde se regista uma grande concentração da fauna selvagem.
O gestor informou que o grande investimento tem que ser feito pelo Governo angolano em termos de acesso.É preciso que o Governo esteja na linha da frente, criando condições, infra-estruturas e serviços básicos, para se estimular a iniciativa privada”, sublinhou.Rui Lisboa é de opinião que os projectos devem ser feitos de forma faseada, sendo que “nós já definimos as nossas prioridades que consistem na atracção de turistas que já visitam os outros parques nacionais”.
A componente angolana tem muito trabalho, enquanto as outras componentes de outros países, já são destino turístico de referência mundial e Angola ainda não é por causa dos constrangimentos.
Precisou o projecto Kaza, na componente angolana já tem alguns empreendedores, principalmente no bico de Angola, área onde existe uma grande concentração de animais selvagens, estão a ser construídos “alguns” lodges, medida que dá indicação do interesse dos investidores na região.
“Estamos esperançosos de que à breve trecho, esteja resolvida a questão das fronteiras para que possamos atrair mais turistas”, frisou.

Investimentos estimados
Para se alavancar este grande projecto turístico transfronteiriço, o coordenador nacional executivo do projecto, Rui Lisboa, destacou que foi elaborado um Plano de Desenvolvimento Integrado, cuja execução das acções poderão consumir cerca de 120 milhões de
dólares norte-americanos.
O responsável frisou que há empresários de outros países que compõe o projecto, que estão interessados em investir no território angolano, mas existem alguns condicionalismos por parte da componente angolana que “entravam o progresso deste interesse”, principalmente a legislação específica dos parques nacionais que precisa de ser actualizada, para permitir que haja investimento, quer de nacionais como de estrangeiros.
“Angola ainda é um terreno virgem, tem muitas oportunidades de investimento em várias áreas, sendo a do turismo
uma opção”, sublinhou.
Ao contrário dos parceiros, Angola, até ao momento, não ratificou o tratado do Kaza, assinado em 2011, o que constitui obstáculo para o desenvolvimento integral do pólo turístico partilhado.
O projecto regional tem recebido ajuda de várias instituições mundiais para a criação de condições. É neste sentido que, o banco alemão KFW doou, recentemente, cerca de 700 mil euros, na componente angolana, investimento que serviu para a compra de cinco viaturas, doze motorizadas, oito telefones satélites, dois
barcos e 150 kits de uniformes.
A componente angolana corresponde a uma parcela territorial na província do Cuando Cubango numa extensão de 90 quilómetros quadrados integrados nos municípios de Cuito Cuanaval, Mavinga,
Rivungo , Dirico e Nancova.