Numa altura que as receitas do turismo nacional tal como o fluxo de chegada de turistas às fronteiras nacionais registaram um crescimento acentuado em 2013, com um volume de negócio de 119,1 mil milhões de kwanzas, o Ministério da Hotelaria e Turismo desenvolve acções, que visam a divulgação das potencialidades do país.

É neste contexto que arrancou ontem (9), nas instalações da Filda, a III edição da feira “Okavango Angola”, que decorrerá até o dia 12 de Outubro, numa parceria entre o ministério de tutela e a Feira Internacional de Luanda (FIL), juntando cerca de 80 operadores do ramo hoteleiro e turístico, a nível nacional e internacional.

Segundo a gestora da feira, Luiana Valeio, em entrevista ao JE, com a realização destes eventos de características únicas, o sector pretende assumir um papel decisivo, no crescimento da economia angolana.

A feira que se realizará sobre o lema “Turismo e hotelaria uma realidade, um desafio, uma oportunidade, uma fonte de receitas e empregabilidade” vai facilitar estabelecer parcerias, mais envolventes sobre o turismo rural, de negócio, cultural e gastronómico.
O evento contará com a participação de empresas estrangeiras, vindas de Moçambique, Cabo Verde, Portugal, África do Sul e Espanha.

Aposta
Para ela, o facto do ramo fazer parte do programa “Angola Investe”, uma iniciativa do Executivo angolano de apoio ao investimento em sectores de actividade produtiva, constitui uma mais-valia para o empresariado nacional. Luiana Valeio frisou que com a implementação deste fundo haverá um fomento do turismo e potenciar os investidores no ramo hoteleiro e aumentar o número de infra-estruturas.

O programa prevê a atribuição de montantes máximos de financiamento de 20 milhões de kwanzas para às micro, 150 às pequenas e 500 às médias empresas.

Dinamização do turismo
O plano director do turismo (PDT) prevê optimizar o sector e deverá focar-se num desenvolvimento faseado e coordenado em seis eixos estratégicos, numa altura em que o turismo de Angola apresenta ainda um défice de oferta a vários níveis, apesar de muitas potencialidades.

Segundo um documento do Ministério da Hotelaria e Turismo, uma vez implementado o PDT, Angola deverá posicionar-se como o destino de diversão e animação em África, alavancando o seu património cultura, natural, de praia e desporto.

Os seis eixos de actuação do PDT são: mercados emissores, enriquecimento da oferta, promoção e distribuição, acessibilidades, serviços e competências, bem como a qualidade urbana e ambiental.

Com estas linhas de actuação, o Ministério da Hotelaria e Turismo pretende que a estratégia deverá em primeiro lugar focar a sua actuação no mercado doméstico, priorizando as regiões com elevado potencial (segmentos de elevado poder de compra, turismo social e estrangeiros a trabalhar em Angola).

Posteriormente, o processo será alargado aos mercados da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e europeu (enfoque prioritário ao Reino Unido e França) e globais (feiras internacionais e Estados Unidos da América).

Movimento turístico
Com esta iniciativa, prevê-se que o país até 2020 consiga atrair perto de 4,5 milhões de turistas e um milhão de novos postos de trabalho e receitas na ordem dos 457,7 mil milhões de kwanzas (4,7 mil milhões de dólares).

O desenvolvimento da oferta passará pelo aprofundar da estruturação e especialização, partindo de um enfoque em quatro pólos turísticos principais para um alargamento geográfico progressivo.

Os pólos de desenvolvimento turístico destacarão a cultura de Luanda e Mbanza Congo (Zaire), sol e mar em Cabo Ledo (Luanda) e Futungo de Belas (Luanda); natureza em Calandula (Malanje) e no Okavango (Cuando Cubango).

Neste segmento, haverá o alargamento progressivo aos pólos de Luanda, Muxima e Lubango (cultura), Benguela, Lobito e Namibe (sol e mar) e Kissama (natureza). Entre várias medidas será reforçada a oferta de infra-estruturas de praia e actividades náuticas além do desenvolvimento de “resorts” para sol e mar assim como “lodges” interligados na natureza.

O PDT prevê a criação da imagem de Angola como destino “jovem” e de diversão, alargando o âmbito geográfico e adaptando os meios aos mercados a desenvolver em cada fase do programa.

O destaque nesta iniciativa será o fomento de parcerias entre grupos hoteleiros e operadores turísticos locais; alargar a rede de postos de turismo a todo o território nacional e aos aeroportos regionais assim como o desenvolvimento de parcerias com operadores turísticos europeus, fomentando o seu investimento em equipamentos hoteleiros e resorts.