O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, anunciou que a melhoria no abastecimento de água potável às zonas urbanas e rurais consta entre as metas do Executivo angolano até 2017.

João Baptista Borges, que falava à imprensa durante a cerimónia que marcou a comemoração do dia mundial da água, assinalado no último domingo (22 de Março), disse que o objectivo do Executivo é melhorar a qualidade do serviço de abastecimento de água potável nas zonas rurais e urbanas, em toda a extensão do território nacional.

De acordo com o ministro, o Executivo angolano prevê prosseguir com a construção de pequenos sistemas e pontos de abastecimento de água e saneamento comunitário, bem como o asseguramento de uma eficiente gestão na exploração dos sistemas, dando continuidade à criação de entidades vocacionadas para o desenvolvimento institucional e à aplicação de sistemas de tarifas adequadas que permitam a cobertura dos custos de exploração e projecção dos estratos populacionais mais vulneráveis aliados a um melhor asseguramento da gestão integrada dos recursos hídricos através da criação de entidades para a sua gestão efectiva.

Para o ministro, o dia mundial de água constitui uma oportunidade ímpar para reflexão sobre os principais desafios destinados à melhoria do abastecimento de água potável em todo o mundo.

Materialização
Para a materialização do plano nacional no domínio de abastecimento de água potável às populações, o Governo conta com vários parceiros, entre os quais a Organização das Nações Unidades, que adoptou para este ano o lema: ”água e desenvolvimento sustentável”.

No entender desta organização das Nações Unidas, o desenvolvimento sustentável, unanimemente consagrado como modelo de desenvolvimento, deve atender às necessidades das gerações futuras através de medidas voltadas à preservação do bem público.
Para 2015, a organização augura uma reflexão em torno da água potável, associada a um modelo de desenvolvimento que corporize a integração entre as economias, a sociedade e o meio ambiente.

O desenvolvimento sustentável tem como finalidade a protecção dos ecossistemas, que por sua vez têm a água como componente nuclear. Especialistas em matéria de gestão sustentável são unânimes de que a água, além de ser um recurso natural vital é também um componente fundamental do ambiente biofísico, por isso, a sua correcta gestão impõe equilíbrio entre os imperativos da sua protecção e as necessidades de ordem económico-sanitário e social.

Acesso
Dados da Organização Mundial da Água indicam que 780 milhões de pessoas, o equivalente a 18 por cento, em todo o mundo, estão privados do acesso à água potável. Já 1,8 mil milhiões ainda dependem de fontes de água contaminada. Quanto ao acesso à água potável, o mundo regista ainda 2,5 mil milhões pessoas sem o mesmo.

No período compreendido entre 1990 e 2012, cerca de 2,6 mil milhões de pessoas ganharam acesso à água potável e a mortalidade com origem hídrica que registou indicadores de 1,5 milhões de pessoas em 1990 reduziu para 600 mil.

Défice
O titular da pasta da Energia e Águas indicou que o sector precisa de 12 mil milhões de dólares norte-americanos, anuais para melhorar globalmente as condições de acesso à água potável e ao saneamento, bem como para impulsionar o consumo consciente à adequada gestão e governança da água, à escala global.

Entre os constrangimentos, o ministro apontou igualmente que cerca de mil milhões de pessoas ainda defecam ao ar livre e centenas de milhões não dispõem de dignas condições de higiene.

Para o ministro, a evolução positiva destes indicadores tem vindo a ser progressivamente transformada numa boa realidade mediante a implementação do programa de acção para o sector da energia e águas integrada no plano nacional de desenvolvimento 2013-2017, que integra a estratégia nacional de desenvolvimento a longo prazo denominada Angola 2025.

Entre as acções realizadas nos últimos anos, o ministro destacou a implantação de sistemas de abastecimento de água e a construção de novos sistemas de abastecimento de água potável, a actualização dos planos directores de abastecimento de água, saneamento das cidades e capitais de províncias.