Os ganhos que o país registou desde 2002, no sector da energia e águas, são bastante assinaláveis, na qual o grande realce recai para os projectos estruturantes que se consubstanciam na construção, reconstrução e modernização das principais infra-estruturas de produção, transporte e distribuição.

O Ministério de tutela estabeleceu um cronograma de acções que paulatinamente vem sendo executado, num cumprimento das metas traçadas, em consonância com os objectivos globais definidos na estratégia “Angola 2025” e do desenvolvimento do milénio. No segmento da energia eléctrica, os resultados são animadores, apesar de se registarem alguns constrangimentos, o processo de reconstrução das principais barragens cuja construção data há vários anos, devido ao longo conflito armado que o país viveu,
decorre a bom ritmo.

Realizações
Algumas destas infra-estruturas já foram concluídas, com realce à barragem do Gove, na província do Huambo. Inaugurada em 2012, pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a hidroeléctrica do Gove tem uma capacidade de produção de 60 megawatts, num investimento de mais de 27,1 mil milhões de kwanzas (cerca de 279 milhões de dólares), cujas obras estiveram a cargo da empresa Odebrecht. 

Actualmente, o empreendimento com três turbinas com capacidade de 20 megawatts, produz energia eléctrica para as províncias do Huambo e do Bié, beneficiando um total de mais 30 mil consumidores. As obras iniciaram em 1969 e foram interrompidas devido ao conflito armado, tendo sido reactadas apenas em 2001. Com a conclusão da reconstrução da barragem do Lomaúm, em Benguela, com capacidade para gerar 1.200 megawats, prevê-se que haja um aumento para 2.350 megawatts em 2014 e 5.000 megawatts em 2016.

O empreendimento foi reabilitado com um capital privado. Dados indicam que a entidade privada, que reabilitou, vai vender a energia à Empresa Nacional de Electricidade durante um período de concessão de 30 anos. No fim deste período, a barragem reverte para o Estado, através do modelo BOT (Built-Operation-Transfer).

Em 2012, o aproveitamento hidroeléctrico das Mabubas, na província do Bengo, viu a sua capacidade aumentada de 17 megawatts para 26,8 megawatts. A infra-estrutura cujas obras de recuperação e ampliação da capacidade de produção estiveram a cargo da empresa de construção civil GHCB – Angola, subsidiária do grupo chinês Guangxi Hydroelectric Construction Bureau (GHCB), conta com uma linha de transmissão de 60 kilovolts (Kv) para a província de Luanda.

As obras tiveram um custo de 2,1 mil milhões de kwanzas (21,7 milhões de dólares), duraram dois anos, tendo a barragem, tomadas de água, chaminé de equilíbrio e condutas forçadas, sido as zonas do projecto que beneficiaram de obras de recuperação.  Actualmente, a barragem gera energia eléctrica em quantidade suficiente para cobrir as necessidades da cidade de Caxito e do município dos Dembos (Bengo).

Investimentos
Com a conquista da paz, iniciou-se a interligação dos sistemas Norte, Sul e Leste para garantir uma melhor distribuição da energia produzida e satisfazer as necessidades do desenvolvimento industrial e do consumo doméstico. Por exemplo, o valor global estimado para o período 2013/2017 é de cerca de 2,8 triliões de kwanzas (29,16 mil milhões de dólares), sendo 212 mil milhões de kwanzas (23,21 mil milhões de dólares) para o sector da energia e 571 mil milhões de kwanzas (5,94 mil milhões de dólares) para o sector das águas.

Fornecimento de água
No segmento do abastecimento de água, com 47 bacias hidrográficas principais, o país obteve grandes ganhos desde a conquista da paz, com a aprovação de um conjunto de investimentos e acções direccionadas para os diferentes usos da água, visando satisfazer as metas traçadas na estratégia “Angola 2025”.

O plano nacional da água, é exemplo disso mesmo, cuja missão é perspectivar a disponibilidade hídrica, as suas diferentes utilizações na agricultura, indústria, consumo humano e aproveitamento hidroeléctrico.

Durante estes anos de paz, o realce recai para o programa “Água para todos”, uma iniciativa presidencial, lançada em 2007, que tem  como objectivo assegurar o acesso à água potável a pelo menos 80 por cento da população das zonas rurais. No ano seguinte (2008), o programa “Água para todos” atingiu a cifra de um milhão e 200 mil pessoas.

Segundo dados do Minea, naquela época o consumo de água passou de 67 litros por habitante/dia, em 2008, para 101 litros por habitante/dia em 2011, num crescimento de 51 por cento. Como resultado, no ano passado, a implementação do programa, assegurou o acesso à água potável nos meios rurais com uma taxa de cobertura na ordem dos 57,6 por cento; tendo beneficiado um universo de 375.299 novos beneficiários, período em que foram construídos 364 novos pontos de água e 162 novos pequenos sistemas de abastecimento de água, distribuídos pelo território nacional.

No decorrer destes anos de paz, foram lançadas as bases para a monitorização da qualidade de água para o consumo humano, onde prevê-se agilizar a sua implementação, com a contratação de assistência técnica específica, de modo a atingir 70 por cento nas zonas urbanas e 45 nas zonas rurais. Está em curso também o projecto de construção de novos sistemas de abastecimentos de água em 130 sedes municipais do território nacional.