Até 2015, Angola quadruplicará a capacidade de geração de energia eléctrica, atingindo 9.000 megawatts (mw), afirmou recentemente em Oslo (Noruega), o ministro da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges, na audiência que lhe foi concedida pelo ministro dos Petróleos e Energia, He Tord Lien.

“Isto significa multiplicar para quatro a capacidade actual e o grande recurso será a produção hídrica. O potencial do país inventariado ainda no tempo colonial é de 18 mil mw e é possível ampliá-lo com as novas tecnologias. Particularmente, desenvolveremos a capacidade energética do Médio Kwanza que tem uma potência de cerca de 7.000 mw”, destaca um documento do Ministério da Energia e Águas a que o JE teve acesso.

A fonte acrescenta que actualmente está em curso a construção do aproveitamento hidroeléctrico de Laúca que acrescentará ao sistema eléctrico nacional para 2.060 mw. Outras acções em curso são a reabilitação e a modernização da primeira central de Cambambe, o alteamento da barragem de Cambambe e a construção da segunda central de Cambambe, que no final das obras terá 960 mw.

Aposta
Durante o actual quinquénio, está prevista a construção do empreendimento Caculo-Cabaça, que terá uma capacidade de geração de 2.100 mw. No Soyo, será erguida a central do ciclo combinado com capacidade de produção de 750 mw, para atender o Norte do país e, particularmente, a capital do país. Estas centrais hidroeléctricas e térmicas vão gerar cerca de 5.000 mw.

“Queremos construir nos próximos anos, 3.000 quilómetros de rede de transporte. Outra grande prioridade são as mini-hídricas para atender aquelas zonas mais distantes da rede nacional”, sublinhou o ministro da Energia e Águas.

Parceria
A Noruega, através da “NVE”, direcção adstrita ao Ministério dos Petróleos e Energia, tem prestado assistência técnica no domínio da revisão da Lei Geral de Electricidade, que, ainda este ano, deverá ser submetida à aprovação do Titular do Executivo.

A regulação deve adaptar-se à realidade actual, para atrair o investimento privado, pelo que está igualmente em curso a reforma do papel da entidade reguladora.

Ainda em relação à cooperação com a Noruega, João Baptista Borges afirmou que Angola poderá aproveitar as acções de formação de quadros na área de gestão de recursos hídricos e a elaboração do inventário dos recursos hídricos nacionais e outros.

Por sua vez, o ministro Norueguês dos Petróleos e Energia, He Tord Lien, garantiu que o seu país pretende expandir a cooperação com Angola, em termos de produção energética, gestão de recursos hídricos e formação de quadros. Durante a sua estada naquele país europeu, a delegação angolana reuniu-se com governantes e membros da associação de empresários noruegueses, também assistiu as apresentações da versão preliminar da revisão da Lei de Geral de Electricidade, a regulamentação tarifária local e visitou as instalações da empresa Hidro, líder mundial na produção de alumínio.

A comitiva ministerial angolana manteve igualmente contactos com potenciais investidores para o sector eléctrico angolano, empresas ligadas à energia e águas e encontros com autoridades da Noruega.

Visita à Suécia
Terminada a visita em Oslo, segundo o documento do Ministério da Energia e Águas, a delegação governamental angolana rumou para Estocolmo, Reino da Suécia, onde visitou a Empresa ABB, uma das líderes mundiais na produção de sistemas de automação (subestações e transformadores eléctricos).

Nesta firma, foi constatado o potencial de uma sucursal em Angola. Ainda naquele país, o ministro da Energia e Águas deslocou-se ao centro de tratamento de águas residuais de Estocolmo, onde foi notório o aproveitamento de resíduos sólidos para a produção de biogás, assim como o tratamento de águas residuais antes do lançamento do seu meio hídrico.

Por sua vez, o director-geral do Instituto Nacional de Recursos Hídricos de Angola, Manuel Quintino, visitou o Instituto Internacional Sueco de Recursos Hídricos (SIWI), onde teve a oportunidade de fazer uma apresentação sobre o potencial dos recursos hídricos de Angola, a Lei das Águas e a sua regulamentação recentemente aprovada pelo Executivo angolano, assim como abordou a necessidade de assistência técnica por parte do Siwi, em termos de gestão integrada de recursos hídricos, técnicas de negociação em bacias hidrográficas internacionais, bem como a formação de recursos humanos.