A apresentação de propostas viáveis sobre o ordenamento e a urbanização das cidades é uma das principais metas estabelecidas pela Ordem dos Arquitectos de Angola no seu plano de acção para este ano.

Nos dois últimos anos, a realização dos fóruns sobre a arquitectura nas províncias do Cuanza Sul e de Benguela deu início a estratégia de aproximação com os governos. Em Outubro, a iniciativa chega ao Huambo. A visão é também promover interacção entre os profissionais, identificar mercados e avaliar o quadro de oferta formativa local.

Recentemente, o bastonário da ordem, Victor Leonel Miguel, explicou ao JE que a organização está preocupada com o excesso de oferta de técnicos que se regista por Luanda ao mesmo tempo com a escassez identificada nas outras províncias.

Uma vez que o desemprego é sempre um mal que se deve combater, e quanto mais não seja prevenir o seu aparecimento, a Ordem quer junto das autoridades regular as licenças de autorização para abertura de escolas superiores de arquitectura em Angola.

Lembrou que a Organização Internacional dos Arquitectos define que para cada 10 mil habitantes precisa-se de apenas um técnico. Desde logo, considerando o censo que fixou para Luanda, por exemplo, uma população de 6,542 mil 944 habitantes, deve ser garantida a presença de até 654 arquitectos.

Actualmente, a capital controla já 774 profissionais, que podem vir a aumentar, significativamente, até final deste ano. As universidades públicas e privadas continuam com um considerável número de estudantes inscritos e só em 2014 foram colocados no mercado 30 novos arquitectos. É essa situação que contribui para o crescimento do excedente agora fixado em 120 técnicos.

Levantar projectos
No Huambo, à semelhança do que ocorreu nas províncias do Cuanza Sul e Benguela, os arquitectos angolanos e parceiros da Cplp e região Austral vão fazer balanço do cumprimento do plano anual e sobre a evolução de vários projectos levantados.

Além de lançarem mais uma edição do prémio nacional sobre arquitectura, os profissionais, durante a sua estada no Huambo, devem também fazer levantamentos e propôr projectos urbanísticos modernos de áreas por si identificadas e outras propostas pelo governo da província.

Victor Leonel não deixou de frisar que dos actuais 782 arquitectos controlados pela ordem, 203 são mulheres e outros 579 homens. Essa representativa feminina evidencia também o quebrar de um certo tabú que fazia entender a arquitectuta como sendo uma profissão masculinizada. Fez também notar que dos 177 arquitectos controlados até 2001, houve, entre 2002-2014, um crescimento de novos 605 profissionais (77 por cento).