A Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD)eo Banco Mundial têm disponível 250 milhões de dólares para apoiar projectos agrícolas no interior de Angola, sobretudo pequenos agricultores, segundo garantiu esta semana, em Luanda, o embaixador da França em Angola, Sylvain Itté.
O diplomata francês que falava durante uma conferência de imprensa, à margem do Fórum empresarial Angola-França, realçou que estão em curso trabalhos de parceria que vão permitir identificar prioridades no sector do agro-negócio e no que toca à formação agrária.
Sylvain Itté informou igualmente que está previsto para o próximo mês de Abril a organização de um fórum em Luanda, sobre “agro-negócio” a julgar que há muitos empresários franceses interessados em encontrar parceiros locais no sector da agricultura, acrescentando que o certame vai reunir 30 empresas francesas.
O embaixador francês acredita que com a vinda a Luanda do titular da pasta da Agricultura e Alimentação da França poder-se-ão dar passos de projectos concretos já em estudo apresentados por duas comissões de trabalho no domínio agrícola.
“Angola faz parte dos primeiros países prioritários da nova política de cooperação francesa”, destacou.

Diversificação
Na ocasião, o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, reconheceu a capacidade do país europeu no domínio da agricultura, por isso lançou um repto aos empresários franceses de investirem nos solos férteis angolano, de modo que numa primeira fase, Angola possa tornar-se auto-suficiente na produção de alimentos.
Para Manuel Nunes Júnior, para termos uma economia forte e sustentada “não podemos ficar dependentes de um único produto de exportação, cujo preço nós não podemos controlar”.
Sublinhou ainda, que em Angola mais de 70 por cento de toda a produção agrícola provem da agricultura familiar, é também muito importante para a criação de empregos e para o combate à fome e à pobreza no meio rural.
Assegurou que a economia está muito dependente do petróleo e por isso muito vulnerável à choques externos, derivados das variações do preço deste produto no mercado internacional.
“Precisamos que a França nos ajude a edificar uma economia cada vez menos dependente do petróleo”.

Executivo potencia produtores para promover competitividade

O Ministério da Agricultura e Florestas tem estado a trabalhar com os empresários do sector e camponeses para criar condições de trabalho, a fim de facilitar o acesso aos insumos agrícolas, com vista ao aumento da produção nacional a curto prazo. Entre as acções prioritárias que constam no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, o Executivo pretende “atacar” a promoção e dinamização das fazendas, para a produção de larga escala, em articulação com parceiros tecnológicos experientes.
Prevê-se igualmente monitorizar e dinamizar as culturas industriais, em particular o café, o cacau, o palmar, o algodão, a cana-de-açúcar e o girassol, promovendo a articulação com o sector da indústria.
Constam ainda a intervenção nas vias secundárias e terciárias para maior acessibilidade e escoamento dos produtos e melhoria do acesso ao armazenamento, a promoção da investigação agronómica, reforço no sistema de controlo dos serviços de sanidade vegetal, assim como apoio técnico aos agricultores.
O PDN vai permitir reforçar o controlo de qualidade de sementes e mudas e promover parcerias regionais no domínio das sementes, mapear e cadastrar as explorações agrícolas familiares e empresariais e criar um banco de terras aráveis disponíveis para investimento, e assegurar as condições para a melhoria da gestão fundiária.

Produção alcançada em 2017/2018
Apesar da exiguidade dos recursos, a optimização da sua utilização em conjugação com as medidas adoptadas pelo sector, foi possível obter resultados satisfatórios durante a campanha 2017/2018 que de forma agregada com o segmento familiar foi possível produzir 2.885.228 toneladas de cereais, que corresponde a 91 por cento da meta definida. Foram ainda colhidas 10.876.856 toneladas de raízes e tubérculos (95%) e 571.002 toneladas de leguminosas e oleaginosas (71). Do balanço consta ainda 5.962.619 toneladas de frutas diversas (87%) e 1.900.006 de hortícolas (102%).
No domínio do café foram produzidas 6.510 toneladas de café comercial (77%).
Quanto ao segmento da pecuária, o país produziu 27.192 toneladas de carne de aves, que corresponde a 63% da meta definida, 22.161 de carne bovina (33,4%), cerca de 117.185 de carne de ovinos/caprinos (68,3%), 4.263 de suína (16%). Cerca de 27.192 toneladas de carne de frangos (63,4%) foram igualmente produzidas bem como 1.119 milhões de unidades de ovos (146%) e 3.575 milhões de litros de leite (69%). XA