São 10 horas da manhã de terça-feira. A comuna da Funda, município de Cacuaco, província de Luanda, regista quase todos os dias, um movimento extraordinário de pessoas que trabalham à terra para proporcionar comida que chega à nossa mesa.
Homens e mulheres de enxada na mão desbravam a terra e outros já estão a colher o produto semeado. Compradores para revenderem e levar o alimento estão perfilados em diversos pontos da Funda.
Na localidade do Calumbo, áreas de viana, Cacuaco, panguila, e zonas isoladas do Benfica, Fubu nota-se um movimento grande para aquisição destes alimentos.
Várias carrinhas já carregadas de hortícolas, melancia, banana, cebola, cenoura, nabo, agrião e outros tubérculos produzidos na “Cintura Verde” de Luanda fazem a estrada para destinos diferentes.
A produção está a permitir que Luanda, se torne auto-suficiente na produção e consumo de hortaliças que no passado constituía um verdadeiro problema, com custos elevadíssimos para o consumidor.
Tudo está a resultar face ao projecto implementado pelo executivo em anos idos, que consistia no aproveitamento das áreas aráveis à volta da cidade de Luanda, que na altura denominou de “Zona Verde de Luanda”.
O programa abrange um universo de 50 mil hectares nos municípios de Viana, Cacuaco e Samba. Um projecto que na primeira fase o Governo Provincial de Luanda (GPL) apoiou os agricultores, organizados em associações, no desenvolvimento da actividade agrícola ao longo da cintura verde da província num total de mais 300 associados.
Contrariamente ao pensamento céptico de alguns que preteriam Luanda, em escalões baixos na produção agrícola, a prática mostra o inverso. Os solos de Luanda são aráveis e dão para qualquer tipo de produção agrícola.
Se no passado a actividade era feita apenas por pequenos produtores, agora muitos empresários com capital estão a investir no ramo pecuário naquelas localidades.

Mais emprego

Além de alimentar o mercado, actividade está a gerar muitos postos de trabalho, uma cadeia produtivo que começa no produtor, comprador, transportador, onde até o roboteiro também consegue alimentar a sua família.
Josefa Cassoma e seu marido têm seis hectares plantados de couve e tomate, colheu mais de mil hectares dos dois produtos com comprador já identificado.
“Nós temos já o nosso cliente, daí que não podemos fazer mais negócio com ninguém”.
A poucos passos limitados apenas por uma vala, está outra produtora Maria da Costa, veio a Luanda nos anos 90 oriundo do Huambo. E instalou-se numa área cultivável em Cacuaco, próximo da antiga ponte. Naquele espaço de três hectares plantou de tudo um pouco, revela que o que dali sai alimentos para sustentar a família e paga os estudos dos filhos.
Já Francisco Berna, tem uma carrinha estacionada próximo das áreas onde há culturas e aluga a viatura aos interessados. Por cada carregamento cobra 60 mil kwanzas a um preço que varia à distância.
Delfino Siquete é roboteiro. Com o seu carro de mão, tira as hortícolas para a carrinha e cobra em função da carga. Conta que pode ganhar por dia mais de 20 mil kwanzas. A situação repete-se em muitas zonas de Luanda, onde a agricultura na cintura verde está em alta.

Muita oferta

Com o resultado do incentivo produtivo, o cidadão pode comprar hortícola em qualquer ponto de Luanda a preço baixo. Uma quantia de tomate, que chega a pesar quase meio quilograma, pode ser comprado a 200 kwanzas. Uma boa quantidade de couves chega a custar 100 kwanzas, agrião também a este valor, assim como o alface.
Uma outra valia do incremento da produção hortícola está a proporcionar que o cidadão melhore a sua dieta, como recomendam as normas das Nações Unidas, onde o consumo destes alimentos proporcionam bem estar e saúde.