A problemática do acesso e funcionamento da centralidade do Kilamba foi tema de debate público, recentemente, em Luanda, na Rádio Mais, no programa “Mais Cidadania”, conduzido por Alfredo Carima, que teve como convidados o presidente da nova centralidade do Kilamba, Joaquim Israel Marques e o director-geral da Delta Imobiliária, Paulo Cascão, que explicaram a actual situação do processo de acesso, a suspensão do processo, segurança, saneamento básico, as sanções aos moradores, energia e a taxa de condomínio e outros. O programa radiofónico, na sua primeira hora de emissão, recebeu mais de 256 mensagens dos ouvintes.

Segundo Israel Marques, a cidade vai reger-se com os estatutos da cidade de Luanda, que obedece a critérios de uma gestão desconcentrada. “O respeito pelas normas deve ser importante para a manutenção da cidade. E nisso, as coordenações de prédios têm ajudado muito”, disse.

 

Funcionamento interno

Para o presidente da cidade, até ao momento, a segurança é considerada eficaz, sendo feita por uma unidade policial, mas adianta que está em curso um estudo que prevê a criação de um comando de divisão de polícia.  No que toca ao estacionamento, o responsável fez saber que este é da tutela da sua administração. As do tipo T5 têm direito a dois carros e as outras tipologias com um carro cada. Já a convivência com animais não é permitida aos moradores.

Segundo disse, o saneamento básico, também é da responsabilidade da administração local, que actualmente recolhe o lixo duas vezes ao dia. O novo modelo prevê um sistema de recolha selectiva. No que respeita aos espaços reservados na centralidade, serão destinado ao investimento privado e outros equipamentos sociais. “Não temos ainda uma sala de velórios, mas estamos a trabalhar nisso”, disse.

Para as alterações nos apartamentos, estão autorizadas, conforme disse, apenas para benfeitórias necessárias, não sendo permitidas obras estruturais ao imóvel. Já os gradeamentos só são admitidos no primeiro andar, lavandarias.  Nas varandas de frente, só podem ser colocadas redes de nailon”, alertou.

 

Interrupção do processo

Sobre Paulo Cascão, director-geral da Delta Imobiliária, recairam questões ligadas à relação que a empresa que dirige tem com a Sonangol Imobiliária e Propriedade (SONIP), o que está na base da interrupção do processo de entrega e a possível data de retoma do mesmo. Paulo Cascão esclareceu que a Delta celebrou somente um contrato de prestação de serviços com a Sonip. A Imobiliária é, no caso, a proprietária da centralidade. Os moradores terão acesso às chaves da entrada principal. “A duplicação já foi autorizada pela Sonip”, garantiu.

Segundo ainda o administrador da Delta, até ao momento, a sua empresa celebrou 10 mil contratos, sendo cinco mil do último processo. Em relação às razões da proibição, o gestor fez saber que foram detectadas algumas irregularidade no processo, como a vandalização de alguns apartamento, denúncias de fraudes e alguns edifícios danificados. “Este problema está a ser resolvido, tão logo seja ultrapassado, o processo será retomado. Agora, não tenho como adiantar uma data, isso só cabe à Sonip fazer”, referiu.

 

Dados avançados

De acordo com dados avançados, a centralidade possui 710 edifícios, num total de 80 mil apartamentos, numa área de 54 quilómetros quadrados, que contempla ainda 24 creches, nove escolas primárias, oito escolas secundárias e 50 quilómetros de vias até à margem do rio kwanza. Até ao momento, já foram comercializados mais de 10 mil apartamentos, dum total de 18 a 20 mil que estão disponíveis. A cidade está habitada em até 40 por cento, sendo 60 por cento aguardando preenchiento. A taxa de condomínio vai custar 15 por cento do valor da renda mensal, acrescida à taxa de serviços de municipalidade.