O Excutivo angolano aplicou, nos últimos oito anos, mais de cinco mil milhões de dólares americanos para grandes investimentos em infra-estruturas concernentes ao acesso a água e saneamento básico, informou, na passada segunda-feira, em Luanda, o representante da Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), Carlos Cambuta, citando um estudo feito no âmbito do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2016.
Segundo a Angop, Carlos Cambuta avançou o facto quando falava, na União dos Escritores Angolanos (UEA), no final de um debate temático denominado “Jango”, promovido pela Adra e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com objectivo de contribuir para um diálogo público, aberto sobre questões sociais constantes no OGE de 2016, no caso concreto sobre o acesso à água e saneamento de qualidade para todos os angolanos.
Argumentou que os recursos são substanciais, mas apesar disso deve haver mais intervenções nos sectores de água e saneamento para a contínua melhoria da qualidade de vida dos angolanos, visando alcançar a meta traçada pelo Executivo no concernente ao Plano de Desenvolvimento e Estratégia para o 2017.
Acrescentou que isto implica assegurar os níveis de água e saneamento a 100 por cento nas zonas urbanas e 80 em áreas rurais.

Alocação
Sublinhou que o orçamento do sector das águas e saneamento no OGE 2016 é de 2,1 por cento, dos quais 1,9 para o subsector das águas e 0,2 para o saneamento, abaixo do nível de 3,5 estabelecido internacionalmente para que os países da África Subsahariana possam alcançar os objectivos de desenvolvimento sustentável (ODS) até 2030.
Realçou também que uma das principais causas da baixa cobertura relaciona-se com a falta de um investimento adequado que permita assegurar a operação e manutenção das infra-estruturas existentes.
Carlos Cambuta frisou que a grande maioria dos recursos alocados para o sector das águas e saneamento estão focalizados em infra-estruturas urbanas e pouco para as áreas rurais.
No debate, que foi bastante interactivo, os participantes afirmaram a necessidade de se aumentar o acesso a água e ao saneamento seguro.
Considera ser urgente investir uma parte maior dos recursos nas áreas rurais do país e financiamento para a manutenção das infra-estruturas construídas.

Debates
O encontro enquadra-se no âmbito do folheto temático que a organização tem desenvolvido.
Nesse quadro, este ano, já foram reflectidos assuntos sobre a saúde, educação, protecção social, água e saneamento, tendo culminado com este último no âmbito do Orçamento Geral do Estado 2016.
Participaram do debate, o assessor do secretário de Estado para as Águas, João Delgado, representantes de ONG, das administrações municipais e comunitários, entidades religiosas, entre outros convidados.

MOXICO
FORNECIMENTO DE ÁGUA POTÁVEL
MELHORA NO LUENA E CAMANONGUE

Seis novos sistemas de água potável, com capacidade para armazenar 10 mil litros cada, foram inaugurados, na semana passada, na cidade do Luena e no município de Camanongue, província do Moxico, no âmbito do programa “Água para Todos”, em acto presidido pelo governador provincial, João Ernesto dos Santos “Liberdade”.
Os empreendimentos vão beneficiar 20 mil habitantes, sendo 12 mil os bairros Vieira, Alto-Luena e 4 de Fevereiro (Luena), oito mil nos bairros Ndongue, Mumanga e Tchinanamata (Camanongue), infra-estruturas inauguradas no quadro das celebrações do 41º aniversário da Independência Nacional.

Melhorar o fornecimento
Na ocasião, o director provincial da Energia e Águas no Moxico, Celestino João, afirmou que as infra-estruturas enquadram-se na estratégia do Executivo angolano de melhorar, gradualmente, a qualidade e o fornecimento de água às zonas rurais.
Avançou que nos próximos dias serão inaugurados sistemas idênticos nos bairros de Kaludjidja e Lumeje-Pinto, arredores da cidade do Luena.
Celestino João garantiu que a meta do Governo visa assegurar que 80 por cento da população da província do Moxico tenha água potável até 2017, no âmbito do programa “Água para Todos”.
O director provincial da Energia e Águas no Moxico prometeu que o governo local mantém o compromisso de oferecer água tratada com maior qualidade à população, para o bem-estar social.
O responsável apontou a necessidade de melhorar a qualidade de água potável nas comunidades, para evitar doenças hídricas.
Celestino João disse estar em execução um conjunto de acções, no âmbito do projecto do Governo do Moxico, para resolver a problemática do abastecimento de energia e águas nas comunidades rurais da província.
Garantiu tudo fazer para tornar os serviços mais dinâmicos e menos burocrático, no sentido de cumprir com o plano director provincial concebido para estes dois sectores estratégicos e importantes para a vida da população.
O director advogou a necessidade de haver maior aproveitamento do potencial hídrico disponível na província do Moxico, para atender as necessidades básicas e aumentar a oferta de água às famílias.
Moxico é a maior província de Angola, com uma dimensão de 223.023 quilómetros quadrados e sua população é de aproximadamente 750 mil habitantes.