A estratégia de reindustrialização da província do Zaire está assente no aproveitamento do seu potencial nos sectores petrolíferos, agrícola, pecuário e florestal. Rico em petróleo, o Zaire localiza-se no extremo Nordeste de Angola. Ocupa uma superfície de 40.130 quilómetros quadrados.

Faz fronteira, a Norte, com a República Democrática do Congo (150 Km de fronteira fluvial, pelo rio Zaire, e 180 Km de fronteira terrestre), a Oeste, com o Oceano Atlântico, numa extensão de 250 Km de costa, e, a Leste e Sul, com as províncias do Uíje e Bengo.

O projecto de gás natural liquefeito, ou simplesmente Angola LNG, em desenvolvimento na parte ocidental da cidade do Soyo, é o mais importante na província e no país. Ocupa uma área de 240 hectares. A construção da infra-estrutura fabril está orçada em 9,2 mil milhões de dólares, contra os oito mil inicialmente previstos. O empreendimento tem como accionistas as petrolíferas Sonangol (Angola), Chevron e ExxonMobil (Estados Unidos) e Total (França). Este projecto afigura-se como um dos mais ousados a nível do país, e está a contribuir para a criação de milhares de empregos. A sua capacidade de produção, na primeira fase, é de 5,2 milhões de toneladas de gás por ano. Grande parte da produção de gás vai ser exportada para os mercados dos Estados Unidos da América e Europa. Espera-se que, da produção obtida, 125 milhões de pés cúbicos de gás serão disponíveis para o uso doméstico, servindo para o fabrico de gás butano (de cozinha) e de matéria-prima para a indústria petroquímica, o que irá também ajudar no desenvolvimento

da agricultura.

Aposta industrial

O programa do relançamento da actividade económica da província integra ainda a criação de várias indústrias. A estratégia a ser executada pelo governo provincial até 2012 tem como principal objectivo fazer renascer a indústria transformadora. Os sectores das pescas, agrário e industrial são os prioritários. Estão previstos 16 projectos industriais, sendo 96 unidades de produção nos vários sectores da província, que permitirão a criação de cerca de 19.530 postos de trabalho directos e 31.248 indirectos. No sector agrícola, a província prepara-se para o seu relançamento, com um programa que visa aumentar os índices de produção da mandioca, feijão e ginguba. O cultivo experimental será implementado nos municípios do Soyo, Tomboko e Nzeto, numa área total de 75 hectares, ou seja 25 hectares por município.

Estrutura populacional

A estrutura da população apresenta mais de 50 por cento de indivíduos com idade inferior a 18 anos e pouco mais de 3,5 por cento com idade superior a 65 anos. A faixa populacional com idade economicamente activa, ou seja apta para o trabalho, representa cerca de 46,5 por cento do total provincial.

Os recursos hídricos e terras aráveis abundantes fazem da província um potencial para a produção de cimento e para a cadeia de materiais de construção, bem como para o cultivo de feijão, um programa que terá a intervenção do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).

Devido ao conflito armado, o ciclo de desenvolvimento foi interrompido. Várias indústrias estão paralisadas e o estado das vias de comunicação é calamitoso. O abastecimento regular de água e energia eléctrica vem ainda mais afectar o desenvolvimento económico da região.

No sector das pescas, a prioridade recai no controlo e apoio às cerca de 87 cooperativas marítimas e 120 de pesca artesanal, a fim de se aproveitarem os recursos hídricos de que dispõe a província, banhada pelo Oceano Atlântico, rio Zaire e várias lagoas. A captura anual de pescado é de 10 mil toneladas.

Infra-estruturas

Em entrevista exclusiva ao JEF, o director provincial do Gabinete de Estatística e Planeamento do Zaire, Francisco Bento “Kassefu”, disse que a recuperação das principais infra-estruturas, de forma progressiva e efectiva, tornará a província auto sustentável e abrirá caminhos ao desenvolvimento, garantindo, desta forma, emprego e condições de estabilidade às famílias.

“Apesar dos esforços que têm sido feitos pelo Governo central, nós temos uma preocupação muito grande, que é a questão das estradas e pontes. Uma vez resolvido o problema das estradas, facilmente a província terá inertes e os imputes necessários para a realização de qualquer obra aqui na província do Zaire”, realçou o responsável, antes de anunciar que dentro de 18 meses a província terá outra face, já que existem projectos em curso que visam à reabilitação e construção destas infra-estruturas.

Para Francisco Bento “Kassefu”, em cada região surgem novos mercados, onde os compradores, intermediários, turistas e agricultores se beneficiam do crescimento. Segundo destacou, o mercado do Zaire oferece de tudo um pouco, mas ainda assim carece de mais investimentos. No entanto, o dirigente mostra-se esperançado, já que com a reabilitação do aeródromo da cidade de Mbanza Congo, a província ganhará.

“Temos, por exemplo, a asfaltagem da pista do aeroporto de Mbanza Congo, cujas previsões de conclusão apontam para Setembro de 2010. Uma vez terminada a empreitada, ganharemos uma grande mais valia para o desenvolvimento local e também regional. Não tem sido fácil viajar para outras províncias, com destaque para Luanda ”, lamentou.